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Estudo aponta caminhos para o futuro do biodiesel

FGV Projetos e Ubrabio divulgam estudo que delineia caminhos para o futuro do PNPB. Conheça os destaques do trabalho.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
“Se nós trouxéssemos aqui dados da Ubrabio, seriam dados corporativistas. Nós decidimos tirar a discussão desse âmbito para torná-la um debate científico e a parceria entre Ubrabio e FGV dá uma credibilidade maior aos dados”

Na manhã de 26 de outubro, foram apresentados em primeira mão os resultados de um recém-concluído estudo sobre o estado atual e as perspectivas de futuro da indústria brasileira de biodiesel. O levantamento foi realizado pela FGV Projetos – braço de extensão de ensino e pesquisa da Fundação Getulio Vargas – com o apoio da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), associação que representa os interesses dos produtores em nível nacional.

Em sua fala aos presentes, o presidente-executivo da Ubrabio Odacir Klein apontou que o maior mérito do estudo é abastecer o setor de argumentos cientificamente consistentes para entrar no debate do marco regulatório dos Biocombustíveis (leia reportagem sobre o tema na edição 19 da revista BiodieselBR). “Se nós trouxéssemos aqui dados da Ubrabio, seriam dados corporativistas. Nós decidimos tirar a discussão desse âmbito para torná-la um debate científico e a parceria entre Ubrabio e FGV dá uma credibilidade maior aos dados”, explica.

Entretanto, Odacir foi absolutamente franco ao reconhecer que a Ubrabio tem um alvo bem mais pragmático na mira. Ele apontou aos presentes que o PNPB conseguiu antecipar o B5 em três anos, mas que isso teve como consequência o esgotamento do atual marco regulatório do setor – a Lei 11.097 de 2005. “O programa está consolidado e é bem-sucedido, mas, se não houver uma mudança no marco, ele está estagnado”, lamenta acrescentando que a Ubrabio não está defendendo o aumentar a mistura obrigatória para já, mas que se sinalize uma perspectiva para o futuro.

Nesse contexto, o estudo da FGV Projetos faz um apanhado dos principais números e tendências da cadeia produtiva do biodiesel e os extrapola para tentar compor uma imagem de como a cadeia do produto deverá se comportar ao longo dos próximos 10 anos. Sintomaticamente, o documento trabalha com um panorama da adoção B20 a partir de 2020.

Embora tenha relutado um pouco para admitir, o vice-presidente técnico da Ubrabio, Geraldo Martins, acabou assumindo que esse número – B20 dentro de 10 anos – representava a reivindicação da entidade nos debates do novo marco regulatório.

Resultados
Os resultados do estudo foram apresentados pelo coordenador de projetos da FGV Projetos, Cleber Lima Guarany. Os dados apontam que graças a investimentos da ordem de R$ 4 bilhões que o setor atraiu nos últimos cinco anos, estaríamos preparados para atender a demanda do B10 imediatamente sem a necessidade de novos investimentos. Contudo, para atingir a meta do B20 dentro de 10 anos, seria preciso colocar mais R$ 7,36 bi no setor. Isso faria a capacidade produtiva saltar dos atuais 5,1 bilhões de litros para 14,3 bilhões até 2020. Com esse patamar de investimento, seriam criados 534 mil empregos diretos e 6 milhões de indiretos – o que se somaria aos 1,3 milhão de postos de trabalho abertos pelo setor entre 2005 e 2010.

O estudo traz uma série de revelações a respeito do perfil destes empregos. Em razão da produção de biodiesel ser feita de forma descentralizada e do fato de 72% do valor na cadeia do biodiesel vir da produção da matéria-prima, Cleber aponta que a produção do biocombustível tem elevado poder de absorção de mão de obra não-qualificada e, portanto, de distribuição de renda e fixação do homem ao campo.

Na ponta agrícola da corda, Cleber ressalta que, apesar do estudo apontar para um crescimento significativo na participação de outras oleaginosas, a soja é e deve continuar sendo o principal lastro da indústria brasileira de biodiesel durante muito tempo ainda. As projeções do estudo indicam que em 2020 ela corresponderá a 70% do biodiesel nacional (hoje ela ultrapassa um pouco os 80%); pouco mais de 25% virá de oleaginosas que hoje mal aparecem nas estatísticas – mas que o PNPB está ajudando a consolidar – enquanto os 5% restantes virão do sebo e do óleo de algodão.

O crescimento do biodiesel também deverá empurrar o complexo soja mais para cima na escala de agregação de valor. De grande exportador de grãos, o país deverá passar a exportar mais farelo e proteína.

O fortalecimento das cadeias produtivas de outras oleaginosas deverá desencadear mudanças importantes na geografia do biodiesel dentro do Brasil. Regiões que hoje estão sub-representadas – como o Norte e o Nordeste – deverão ver sua participação aumentar nos próximos anos. Um destaque nesse sentido são os projetos ligados ao plantio da palma no Pará. A FGV Projetos estima que R$ 14,9 bilhões devem ser investidos na estruturação das novas culturas.

Para melhorar, todo esse crescimento poderia acontecer sem avançar sobre um único hectare de mata nativa. Há no Brasil 106 milhões de hectares de áreas agrícolas e 220 milhões de hectares de pastagens subutilizados que poderiam ser convertidos para o plantio de oleaginosas.

Mas para que tudo isso possa acontecer, Cleber ressalta a importância de que o novo marco regulatório sinalize o que o setor pode esperar do mercado de mistura obrigatória. “Até para que o setor possa se organizar e planejar seus investimentos. Na área industrial você consegue aumentar sua capacidade produtiva de forma relativamente rápida, mas você não consegue fazer o mesmo na área agrícola. A palma, por exemplo, leva três anos para começar a produzir, então, os agricultores precisam de segurança para investir”, resume.

Externalidades
O estudo também procurou dimensionar como o biodiesel poderia contribuir para a melhora na saúde pública graças à diminuição nas emissões de poluentes. De acordo com estimativas da equipe da FGV Projetos, em 2007 a queima de combustíveis fósseis foi a causa de 37 mil internações e 5.284 mortes apenas nas seis maiores cidades do país (Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo). Com o uso do B20, seria possível encolher esses índices nefastos em 4.837 internações e 687 mortes.

Veja aqui um resumo com os principais tópicos do estudo elaborado pela FGV. (.PDF 1,69 mb)

O biodiesel e sua contribuição ao desenvolvimento brasileiro

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
Tags Fgv
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