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Espanha: importações e excesso de capacidade asfixiam o setor de biodiesel

Mesmo com o aumentou de 44% na demanda por biodiesel na Espanha as usinas do país enfretam grandes dificuldades.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Mesmo com o aumentou de 44% na demanda por biodiesel na Espanha as usinas do país enfretam grandes dificuldades.

A associação patronal do setor denuncia que a maior parte do biocombustível vem da Argentina e do sudeste asiático.

O setor espanhol de biodiesel segue sem cumprir as expectativas de incremento do consumo, que aumentou em 44% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano anterior. As importações e o excesso de capacidade instalada estão minando por enquanto o desenvolvimento dessa indústria, segundo a APPA Biocarburantes, associação que representa o setor. Na primeira metade de 2009 foram consumidos na Espanha 439.653 toneladas de biodiesel, cobrindo o percentual de 3,75% de mistura ao diesel de petróleo, segundo as estatísticas da Corporação de Reservas Estratégicas de Produtos Petrolíferos (Cores). Este percentual ultrapassa a meta estabelecida pelo governo para este ano que é de 2,5%.

O consumo de etanol também aumentou, passando de 77.775 para 86.045 toneladas. Esta quantidade fez com que a mistura de etanol na gasolina alcançasse 2,9%, também superior a meta estabelecida pelo governo de 2,5%.

Este incremento no consumo se explica parcialmente pelo objetivo do governo de se alcançar durante o ano, a mistura de 3,4% tanto de biodiesel como de etanol. Para 2010 a meta espanhola é de uma mistura de 5,8% de biocombustíveis aos combustíveis fósseis. Porém, a APPA Biocarburantes enfatiza que as usinas espanholas estão à margem deste aumento do consumo. “O problema que encontramos é que se está importando muito biodiesel da Argentina e do sudeste Asiático, e as importações estão cobrindo mais da metade da demanda”, disse o diretor Trini Contreras da APPA.

Ainda não estão disponíveis todos os dados da produção do primeiro semestre, mas segundo Contreras está se mantendo a mesma tendência do ano passado, quando as importações atenderam 71% da demanda nacional. Com as restrições impostas por Bruxelas para o biodiesel dos Estados Unidos, a Argentina se converteu na principal fornecedora com suas taxas diferenciadas de impostos. O governo de Cristina Kirchner impõe altos impostos para a exportação de soja em grãos e taxas muitos baixas para a exportação de biodiesel, com isto consegue preços competitivos no mercado espanhol.

O setor também tem um grave problema com o excesso de capacidade instalada devido as previsões otimistas que ocasionaram uma bolha. Segundo a APPA, as 36 plantas de biodiesel em operação na Espanha podem produzir dois bilhões de litros por ano, o dobro da quantidade prevista para o consumo de 2009.

“Com facilidade de crédito e expectativas de futuro houve um boom que não pôde se manter com a crise financeira e a atitude errada do governo”, disse Trini Contreras, que salientou também que as pequenas usinas situadas no interior tem maiores problemas em função dos maiores gastos com logística.

A associação também critica a atitude de alguns fabricantes de automóveis. “Há marcas que suspendem a garantia quando se aumenta a mistura para mais de 5% de biodiesel, enquanto as mesmas marcas mantém as garantias do mesmo modelo em outros países”.

Fonte: El Dia de Córdoba
Tradução BiodieselBR.com
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