O Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT, Ronaldo Mota, cedeu entrevista para falar sobre biodiesel
O Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT, Ronaldo Mota, cedeu entrevista ao Informe Brasil Competitvo durante o III Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel, realizado em novembro de 2009.
O desafio: atender a demanda de combustíveis e fazê-la sustentável com a implementação de novas políticas e pesquisas.
Informe Brasil Competitivo - Até que ponto o debate sobre biodiesel é assunto prioritário para o Governo brasileiro?
Ronaldo Mota - O diálogo sobre o biodiesel é tão importante quanto o tema energia. Se o país tem a pretensão de criar um sistema de desenvolvimento econômico e social sustentável, a energia é um dos ingredientes. Sabemos que ao longo dos próximos anos e décadas teremos uma crescente demanda por novas formas de energia e novas energias disponíveis.
Simultaneamente, há que se pensar a questão ambiental. À medida que passamos a ter um maior consumo de energia, devemos levar em conta as consequências disso e a emissão de elementos poluentes, como é o caso do dióxido de carbono e outros óxidos, como o de enxofre e nitrogênio.
Informe Brasil Competitivo - Qual o objetivo principal do programa de biodiesel, iniciado em 2006?
Ronaldo Mota - Em suma, a ideia é propiciar o crescimento sustentável do país, agregando novas formas de energia, especialmente, as renováveis e menos poluentes. O biodiesel faz parte do processo e traz vários benefícios: insere-se no conjunto de energias renováveis do país, é um mecanismo energético que propicia o crescimento e desenvolvimento de regiões mais afastadas dos grandes centros e permite, por exemplo, agregá-los aos combustíveis tradicionais, como é o caso B4, B5, fazendo com que o Brasil tenha plena autonomia na sua matriz energética derivada do petróleo e poluindo menos.
Informe Brasil Competitivo - Quais os reais benefícios na vida da população?
Ronaldo Mota - Esse elenco de produtos pode gerar cadeias produtivas nas regiões mais afastadas do país, gerando emprego, especialmente no meio rural, e propiciando desenvolvimentos econômicos e sustentáveis regionais. Temos vários elementos positivos que indicam que o biodiesel é constituinte importantíssimo na matriz energética do presente e do futuro brasileiro.
Informe Brasil Competitivo - Segundo uma afirmação sua, o programa já pode ser considerado um sucesso? Por quê?
Ronaldo Mota - O primeiro carro a álcool produzido no Brasil foi ao final da década de 70. De lá pra cá, o setor passou por altos e baixos nas três décadas de funcionamento, enquanto o segmento de biodiesel tende a crescer sem os mesmos impasses. O etanol passou por um longo período de aceitação até chegar aqui.
O convencimento do uso de etanol não foi um processo simples. Foi fruto de trabalho e conscientização do povo brasileiro. Queremos chegar a 2030 com 18,5% dos combustíveis de fontes renováveis.
Informe Brasil Competitivo - A indústria automotiva tem investido no uso cada vez maior do biodiesel. Porém, do total de biodiesel produzido no Brasil, 81% vem da soja. Até que ponto isso é benéfico ao Brasil?
Ronaldo Mota - Não há interesse do governo em manter a soja como principal matéria-prima do combustível. O motivo da predominância da soja deve-se à cadeia produtiva montada há algumas décadas, com domínio tecnológico estabelecido sobre o cultivo. Hoje, a soja é muito utilizada porque há garantia de entrega e produção o ano inteiro. E, portanto, a melhor solução para o presente, mas não há interesse em continuar apenas com esse grão.
A expectativa é que no futuro possam ser introduzidas novas oleaginosas em um percentual maior de participação. Como fontes alternativas, temos o dendê, o pinhão manso, o girassol e a mamona. Ampliando a fatia do mercado aos poucos, não só a indústria automotiva se adapta às mudanças, como também, é possível garantir o fornecimento do produto. Quanto maior o uso do combustível limpo em participação com o diesel comum, maiores serão os ganhos não só para o meio ambiente, mas também na área econômica.
Informe Brasil Competitivo - O Brasil está na vanguarda da tecnologia de biodiesel, isso significa ser competitivo no mercado?
Ronaldo Mota - O cenário mundial é muito favorável ao país, que hoje é um grande competidor internacional em várias áreas por causa de seus índices de produtividade na produção e grãos, de carnes, de sucos.
É igualmente competente no campo da produção energética. Mais importante do que isso, ele pode fazê-lo combinado com o desenvolvimento sustentável baseado em menos poluição. O biodiesel, assim como os produtos derivados da cana-de-açúcar, são elementos estratégicos para o país.
Informe Brasil Competitivo - De que forma o Movimento Brasil Competitivo tem influenciado em ações sobre esse assunto?
Ronaldo Mota - O MBC atua em várias áreas, sempre com extrema excelência. A nossa parceria é essencial e muito honra todo o Governo Federal, em particular, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Trabalhamos para produzir com qualidade e capacidade de congregar todos os atores da sociedade, sem os quais não conseguiríamos realizar os objetivos do projeto.
Informe Brasil Competitivo
O Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT, Ronaldo Mota, cedeu entrevista ao Informe Brasil Competitvo durante o III Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel, realizado em novembro de 2009.
O desafio: atender a demanda de combustíveis e fazê-la sustentável com a implementação de novas políticas e pesquisas.
Informe Brasil Competitivo - Até que ponto o debate sobre biodiesel é assunto prioritário para o Governo brasileiro?
Ronaldo Mota - O diálogo sobre o biodiesel é tão importante quanto o tema energia. Se o país tem a pretensão de criar um sistema de desenvolvimento econômico e social sustentável, a energia é um dos ingredientes. Sabemos que ao longo dos próximos anos e décadas teremos uma crescente demanda por novas formas de energia e novas energias disponíveis.
Simultaneamente, há que se pensar a questão ambiental. À medida que passamos a ter um maior consumo de energia, devemos levar em conta as consequências disso e a emissão de elementos poluentes, como é o caso do dióxido de carbono e outros óxidos, como o de enxofre e nitrogênio.
Informe Brasil Competitivo - Qual o objetivo principal do programa de biodiesel, iniciado em 2006?
Ronaldo Mota - Em suma, a ideia é propiciar o crescimento sustentável do país, agregando novas formas de energia, especialmente, as renováveis e menos poluentes. O biodiesel faz parte do processo e traz vários benefícios: insere-se no conjunto de energias renováveis do país, é um mecanismo energético que propicia o crescimento e desenvolvimento de regiões mais afastadas dos grandes centros e permite, por exemplo, agregá-los aos combustíveis tradicionais, como é o caso B4, B5, fazendo com que o Brasil tenha plena autonomia na sua matriz energética derivada do petróleo e poluindo menos.
Informe Brasil Competitivo - Quais os reais benefícios na vida da população?
Ronaldo Mota - Esse elenco de produtos pode gerar cadeias produtivas nas regiões mais afastadas do país, gerando emprego, especialmente no meio rural, e propiciando desenvolvimentos econômicos e sustentáveis regionais. Temos vários elementos positivos que indicam que o biodiesel é constituinte importantíssimo na matriz energética do presente e do futuro brasileiro.
Informe Brasil Competitivo - Segundo uma afirmação sua, o programa já pode ser considerado um sucesso? Por quê?
Ronaldo Mota - O primeiro carro a álcool produzido no Brasil foi ao final da década de 70. De lá pra cá, o setor passou por altos e baixos nas três décadas de funcionamento, enquanto o segmento de biodiesel tende a crescer sem os mesmos impasses. O etanol passou por um longo período de aceitação até chegar aqui.
O convencimento do uso de etanol não foi um processo simples. Foi fruto de trabalho e conscientização do povo brasileiro. Queremos chegar a 2030 com 18,5% dos combustíveis de fontes renováveis.
Informe Brasil Competitivo - A indústria automotiva tem investido no uso cada vez maior do biodiesel. Porém, do total de biodiesel produzido no Brasil, 81% vem da soja. Até que ponto isso é benéfico ao Brasil?
Ronaldo Mota - Não há interesse do governo em manter a soja como principal matéria-prima do combustível. O motivo da predominância da soja deve-se à cadeia produtiva montada há algumas décadas, com domínio tecnológico estabelecido sobre o cultivo. Hoje, a soja é muito utilizada porque há garantia de entrega e produção o ano inteiro. E, portanto, a melhor solução para o presente, mas não há interesse em continuar apenas com esse grão.
A expectativa é que no futuro possam ser introduzidas novas oleaginosas em um percentual maior de participação. Como fontes alternativas, temos o dendê, o pinhão manso, o girassol e a mamona. Ampliando a fatia do mercado aos poucos, não só a indústria automotiva se adapta às mudanças, como também, é possível garantir o fornecimento do produto. Quanto maior o uso do combustível limpo em participação com o diesel comum, maiores serão os ganhos não só para o meio ambiente, mas também na área econômica.
Informe Brasil Competitivo - O Brasil está na vanguarda da tecnologia de biodiesel, isso significa ser competitivo no mercado?
Ronaldo Mota - O cenário mundial é muito favorável ao país, que hoje é um grande competidor internacional em várias áreas por causa de seus índices de produtividade na produção e grãos, de carnes, de sucos.
É igualmente competente no campo da produção energética. Mais importante do que isso, ele pode fazê-lo combinado com o desenvolvimento sustentável baseado em menos poluição. O biodiesel, assim como os produtos derivados da cana-de-açúcar, são elementos estratégicos para o país.
Informe Brasil Competitivo - De que forma o Movimento Brasil Competitivo tem influenciado em ações sobre esse assunto?
Ronaldo Mota - O MBC atua em várias áreas, sempre com extrema excelência. A nossa parceria é essencial e muito honra todo o Governo Federal, em particular, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Trabalhamos para produzir com qualidade e capacidade de congregar todos os atores da sociedade, sem os quais não conseguiríamos realizar os objetivos do projeto.
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