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Os entraves da mamona no programa de biodiesel

Estudo aponta várias restrições relacionadas aos sistemas de produção, os impactos na eficiência, sustentabilidade e qualidade das sementes.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Estudo aponta várias restrições relacionadas aos sistemas de produção, os impactos na eficiência, sustentabilidade e qualidade das sementes.

De acordo com a pesquisa “Sistemas produtivos da mamona para a produção de matéria-rima para biodiesel na Região Nordeste do Brasil” há várias restrições que limitam o desempenho da cultura da mamona pelos pequenos agricultores no programa.

A autora, Maria de Fátima Menezes da Silva, analisa as diferentes diretrizes do programa interministerial, como os benefícios agregados, como o Selo Combustível Social e acesso ao crédito, bem como entrevistas com produtores nordestinos e avaliações sobre a organização social, equipamentos, planejamentos, recursos disponíveis, recursos humanos e tecnologias empregadas nos processos produtivos.

O estudo aponta várias restrições relacionadas aos sistemas de produção, os impactos na eficiência, sustentabilidade e qualidade das sementes. As limitações também estão ligadas aos elos dos sistemas produtivos com os demais fatores da cadeia, o ambiente institucional e organizacional, além dos insumos e da agroindústria.

As limitações inerentes aos processos produtivos familiar da mamona, enumerados na pesquisa, são:

- Tamanho reduzido das unidades produtivas;
- Necessidade de diversificação cultural;
- Condições de uso da terra;
- Tipo de mão de obra utilizada e adoção de práticas agrícolas rudimentares;
- Gestão informal.

A soma e análise dos problemas se traduzem em pouca área para a produção da mamona, já que para sua subsistência, os agricultores precisam trabalhar com outras culturas. Por outro lado, essa pode ser uma oportunidade para que o produto tenha melhor qualidade, evitando também a concentração de mão de obra. Já o transporte, o processamento e a comercialização podem ser beneficiados pela organização social.

Sobre a não propriedade da terra, o fato pode significar uma perda de rentabilidade e sustentabilidade do processo. Isso porque os agricultores, muitas vezes, possuem permissão para cultivar a mamona anualmente, o que impede a recuperação dos custos.

Outro ponto abordado é a própria qualificação profissional dos agricultores - que também se mostram resistentes à adoção de novas técnicas de cultivo. O déficit de qualificação a realização de planejamento, controle das áreas plantadas e aplicação de práticas mais eficientes de produção. Essa problemática é somada às limitações geradas em outros setores, como dificuldade de acesso ao crédito, assistência técnica esporádica, organização social incipiente e deficiências na gestão da cadeia.

O impacto desses macroaspectos na produtividade se dá de várias formas, conforme alguns exemplos extraídos do documento. Dentre eles, os baixos preços obtidos com a venda da mamona e o acesso ao credito são fatores que podem explicar a precária situação econômica dos produtores. Por sua vez, o acesso ao crédito é dificultado pelo alto índice de inadimplência e falta de garantias de venda da produção. A carência de capital impede a ampliação da área cultivada e o investimento em tecnologias.

Nos estados avaliados pela pesquisadora, a assistência técnica, em vez de potencializar a produção, está impactando negativamente nos resultados das lavouras. Com métodos tradicionais, baixa formação educacional, a assistência não consegue suprir a carência dos produtores, que continuam com práticas inadequadas.

A organização social incipiente dá margem a impactos negativos nos lucros, pois ordenados em associações ou cooperativas, os insumos e o aluguel de equipamentos poderiam ser obtidos a custos reduzidos, além de também facilitar o acesso ao crédito.

Para acessar o estudo na íntegra clique aqui.

DAYANA AQUINO
Portal Luís Nassif
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