Grupos mantêm planos de utilizar a matéria-prima na fabricação de óleo, mesmo com a polêmica de que seria inviável à produção de B100
Passada a onda de boatos sobre a inviabilidade da mamona para a
fabricação de biodiesel, especialistas, governo e mercado têm a chance
de abrir o leque de matérias-primas a serem usadas no programa nacional
de produção do biocombustível.
Passada a onda de boatos sobre a inviabilidade da mamona para a fabricação de biodiesel, especialistas, governo e mercado têm a chance de abrir o leque de matérias-primas a serem usadas no programa nacional de produção do biocombustível. E devolvem à cultura da semente importância estratégica por várias razões. A demanda internacional pela energia limpa, ligada às altas do petróleo e ao meio ambiente. A disputa por terra para plantio de alimentos versus insumos destinados às usinas e, em conseqüência, a inflação agrícola. A inclusão social via cultivo da oleaginosa por núcleos familiares no semi-árido, inclusive em Minas Gerais. E, para completar, a posição de destaque ocupada pela matéria-prima no projeto, centro da política externa brasileira.
A polêmica surgiu com a publicação da Resolução nº 7/2008 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ao estabelecer novas regras para o biodiesel, a mamona permanece como opção energética. Contudo, em 2005, quando foi lançado o programa, ela era a redenção do óleo vegetal a ser produzido no país. Agora a semente precisa ser misturada a um outro insumo para garantir massa e viscosidade determinadas pelos órgãos regulatórios.
Especuladores reforçaram o fato de a oleaginosa ser inapropriada como matéria-prima única para produção do óleo vegetal. Crise instalada, a Petrobras Biocombustível decide se manifestar. Informa que a resolução não afeta seus planos e, na verdade, propriedades do biodiesel vão ser aprimoradas com o acréscimo da semente, sem tornar o negócio economicamente inviável.
Tanto nas ações em parceria com a agricultura familiar, quanto para atender à capacidade das novas usinas – em Candeias (BA), aberta terça-feira, Montes Claros, no Norte de Minas, e Quixadá (CE), a serem inauguradas este mês –, a meta é produzir misturas com até 30% do óleo de mamona, composição dentro da lei. Esse percentual adicionado ao óleo de soja, carro-chefe da produção brasileira, melhora a qualidade do biodiesel, tornando possível sua exportação para a Europa.
É POUCO Para fabricar o combustível com essa proporção, somente nas novas plantas, seriam necessárias 49 mil toneladas, o dobro de todo o óleo de mamona produzido no Brasil. Outro ponto destacado pelo especialista da Universidade Federal de Lavras (Ufla), professor Pedro Castro Neves, é a versatilidade das usinas. “Não se constroem plantas para apenas um tipo de matéria-prima, porque o produtor tem de fabricar biodiesel o ano todo e não pode ficar sujeito à sazonalidade das safras”, justifica. Segundo a diretora de energia e gás da Petrobras, Maria das Graças Foster, as pesquisas envolvendo a mamona estão consolidadas. “Diferentemente do pinhão manso, que ainda estamos avaliando, a compra da mamona por meio de contratos de longo prazo e a preço pré-fixado está garantida”, diz.
Atualmente, há 90 empresas de diesel vegetal cadastradas na ANP, 52 prontas para operar e 20 já em ação. A matéria-prima básica é a soja e a briga entre o cultivo da oleaginosa e de outros alimentos é desigual. As áreas ocupadas com plantações para fabricação de biocombustíveis correspondem a 1,7% das terras disponíveis. Uma das maiores organizações estabelecidas no mercado, a Brasil Ecodiesel vê no plantio da mamona um negócio viável e promissor.
Ela aposta em um mix de oleaginosas para manter suas seis fábricas. A soja, por ser a principal matéria-prima disponível em escala comercial, também é o carro-chefe na empresa, junto com a mamona. “Há tecnologias capazes de corrigir os problemas e a inclusão da mamona no biodiesel melhora muito sua qualidade. Já a soja não compete com os alimentos, porque continuamos usamos o bagaço para fazer o óleo, um subproduto antes lançado nos rios”, afirma Castro Neves.
Izabela Ferreira Alves e Luiz Ribeiro
Estado de Minas - MG
Passada a onda de boatos sobre a inviabilidade da mamona para a fabricação de biodiesel, especialistas, governo e mercado têm a chance de abrir o leque de matérias-primas a serem usadas no programa nacional de produção do biocombustível. E devolvem à cultura da semente importância estratégica por várias razões. A demanda internacional pela energia limpa, ligada às altas do petróleo e ao meio ambiente. A disputa por terra para plantio de alimentos versus insumos destinados às usinas e, em conseqüência, a inflação agrícola. A inclusão social via cultivo da oleaginosa por núcleos familiares no semi-árido, inclusive em Minas Gerais. E, para completar, a posição de destaque ocupada pela matéria-prima no projeto, centro da política externa brasileira.
A polêmica surgiu com a publicação da Resolução nº 7/2008 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ao estabelecer novas regras para o biodiesel, a mamona permanece como opção energética. Contudo, em 2005, quando foi lançado o programa, ela era a redenção do óleo vegetal a ser produzido no país. Agora a semente precisa ser misturada a um outro insumo para garantir massa e viscosidade determinadas pelos órgãos regulatórios.
Especuladores reforçaram o fato de a oleaginosa ser inapropriada como matéria-prima única para produção do óleo vegetal. Crise instalada, a Petrobras Biocombustível decide se manifestar. Informa que a resolução não afeta seus planos e, na verdade, propriedades do biodiesel vão ser aprimoradas com o acréscimo da semente, sem tornar o negócio economicamente inviável.
Tanto nas ações em parceria com a agricultura familiar, quanto para atender à capacidade das novas usinas – em Candeias (BA), aberta terça-feira, Montes Claros, no Norte de Minas, e Quixadá (CE), a serem inauguradas este mês –, a meta é produzir misturas com até 30% do óleo de mamona, composição dentro da lei. Esse percentual adicionado ao óleo de soja, carro-chefe da produção brasileira, melhora a qualidade do biodiesel, tornando possível sua exportação para a Europa.
É POUCO Para fabricar o combustível com essa proporção, somente nas novas plantas, seriam necessárias 49 mil toneladas, o dobro de todo o óleo de mamona produzido no Brasil. Outro ponto destacado pelo especialista da Universidade Federal de Lavras (Ufla), professor Pedro Castro Neves, é a versatilidade das usinas. “Não se constroem plantas para apenas um tipo de matéria-prima, porque o produtor tem de fabricar biodiesel o ano todo e não pode ficar sujeito à sazonalidade das safras”, justifica. Segundo a diretora de energia e gás da Petrobras, Maria das Graças Foster, as pesquisas envolvendo a mamona estão consolidadas. “Diferentemente do pinhão manso, que ainda estamos avaliando, a compra da mamona por meio de contratos de longo prazo e a preço pré-fixado está garantida”, diz.
Atualmente, há 90 empresas de diesel vegetal cadastradas na ANP, 52 prontas para operar e 20 já em ação. A matéria-prima básica é a soja e a briga entre o cultivo da oleaginosa e de outros alimentos é desigual. As áreas ocupadas com plantações para fabricação de biocombustíveis correspondem a 1,7% das terras disponíveis. Uma das maiores organizações estabelecidas no mercado, a Brasil Ecodiesel vê no plantio da mamona um negócio viável e promissor.
Ela aposta em um mix de oleaginosas para manter suas seis fábricas. A soja, por ser a principal matéria-prima disponível em escala comercial, também é o carro-chefe na empresa, junto com a mamona. “Há tecnologias capazes de corrigir os problemas e a inclusão da mamona no biodiesel melhora muito sua qualidade. Já a soja não compete com os alimentos, porque continuamos usamos o bagaço para fazer o óleo, um subproduto antes lançado nos rios”, afirma Castro Neves.
Izabela Ferreira Alves e Luiz Ribeiro
Estado de Minas - MG
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