O programa de biodiesel convive há cinco anos com a indesejável (porém
ainda necessária) dependência da soja. Dentro do governo, e nos centros
de pesquisa, há muita discussão sobre como diversificar as fontes de
óleo vegetal e qual seria a melhor oleaginosa alternativa à soja para
atender tanto às necessidades dos produtores de biodiesel, às exigências
de sustentabilidade, como também aos anseios dos produtores rurais e,
em especial, dos agricultores familiares – foco inicial do programa.
Além do dendê – cuja produção está sendo impulsionada por meio do recém
lançado Programa de Produção Sustentável de Palma – poderiam outras
culturas receber o mesmo pacote de incentivos do governo?
O programa de biodiesel convive há cinco anos com a indesejável (porém ainda necessária) dependência da soja. Dentro do governo, e nos centros de pesquisa, há muita discussão sobre como diversificar as fontes de óleo vegetal e qual seria a melhor oleaginosa alternativa à soja para atender tanto às necessidades dos produtores de biodiesel, às exigências de sustentabilidade, como também aos anseios dos produtores rurais e, em especial, dos agricultores familiares – foco inicial do programa. Além do dendê – cuja produção está sendo impulsionada por meio do recém lançado Programa de Produção Sustentável de Palma – poderiam outras culturas receber o mesmo pacote de incentivos do governo?
“O dendê é uma excelente opção para produzir óleo vegetal, provavelmente a melhor delas”, diz Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa e assessor da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Aliás, não é por outra razão que ele representa 30% do óleo vegetal produzido no mundo. Culturas como o dendê, a soja e a canola são responsáveis por quase toda a produção de óleo no mundo. Elas estão sendo pesquisadas desde o século 19 e, portanto, acumularam muita informação e dispõem de um sistema de produção que permite ao investidor (produtor agrícola) calcular seus riscos e sua rentabilidade. “Não é o caso das demais culturas”, diz Gazzoni. Ele se refere, principalmente, ao pinhão-manso, crambe e macaúba.
Com exceção do crambe, não há variedades, híbridos ou cultivares disponíveis no Brasil. “Não sabemos informações básicas, como o melhor espaçamento ou a melhor densidade, ou outros tratos culturais. Não sabemos como colher, se de forma manual ou mecânica, e a que custo. Não sabemos quais fungos, bactérias, vírus, nematóides ou insetos vão atacar a cultura”, enumera Gazzoni. Ele ressalta que mesmo quando soubermos quais são as pragas, será necessário em primeiro lugar descobrir como controlá-las e depois ter o registro do uso destes agrotóxicos no governo. “Como as exigências e o custo para o registro são muito altos, as empresas produtoras de agrotóxicos somente efetuam o registro depois de terem certeza absoluta de que haverá um mercado remunerador”, diz. Enquanto isto não acontecer, tanto o produtor quanto o seu agente de assistência técnica estarão infringindo a legislação que exige o receituário agronômico.
Ele considera que o pinhão-manso e a macaúba poderiam ser excelentes opções se a pesquisa agrícola tivesse iniciado nos anos 60. “Não será fácil produzir uma variedade de macaúba, com todas as características necessárias para o agricultor aceitar investir na cultura, em menos de 20 anos”. Ele também não é muito otimista em relação ao pinhão-manso. Até conseguir introduzir características como resistência a doenças e pragas, uniformidade de colheita, alto rendimento e alto teor de óleo em uma cultivar ou variedade de pinhão-manso, podem ser necessários 20 anos de investimento em pesquisa.
Gazzoni também alerta para as dificuldades de desenvolvimento do crambe, uma oleaginosa de ciclo curto. “Ele terá que disputar espaço com girassol, canola e até mesmo com a soja. Após desenvolver todo o sistema de produção, ele terá que se impor junto ao agricultor, demonstrando que é uma opção melhor que aquelas que já estavam disponíveis”.
Sem comparação
O Brasil é o país que possui a área mais extensa com aptidão para a produção do dendê. A quantidade de óleo gerada em um hectare da palmácea poderia substituir 10 hectares de soja. “Perdemos inúmeras oportunidades. Hoje, o Brasil poderia estar produzindo 1, 2, 5 ou 10 milhões de hectares de dendê, ser o maior produtor e exportador de óleo e também de biodiesel. Entretanto, somos importadores desta commodity”.
Para convencer o governo e a sociedade a aplicar os impostos em um modelo de incentivo a outra oleaginosa (nos moldes do Programa de Produção de Palma), ele acredita que esta outra cultura teria que apresentar atrativos semelhantes ao do dendê. “Não consigo vislumbrar uma semelhança com outra cultura, acho que o dendê é um caso único”. O pesquisador diz que os empresários, tanto brasileiros como estrangeiros, deveriam aproveitar bem esta oportunidade que o governo está dando, porque o consumo de óleo está em alta no mundo e o Brasil é o único país com chances reais de expandir a produção de dendê, de forma sustentável, por mais de 20 anos.
Alice Duarte – BiodieselBR.com
O programa de biodiesel convive há cinco anos com a indesejável (porém ainda necessária) dependência da soja. Dentro do governo, e nos centros de pesquisa, há muita discussão sobre como diversificar as fontes de óleo vegetal e qual seria a melhor oleaginosa alternativa à soja para atender tanto às necessidades dos produtores de biodiesel, às exigências de sustentabilidade, como também aos anseios dos produtores rurais e, em especial, dos agricultores familiares – foco inicial do programa. Além do dendê – cuja produção está sendo impulsionada por meio do recém lançado Programa de Produção Sustentável de Palma – poderiam outras culturas receber o mesmo pacote de incentivos do governo?
“O dendê é uma excelente opção para produzir óleo vegetal, provavelmente a melhor delas”, diz Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa e assessor da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Aliás, não é por outra razão que ele representa 30% do óleo vegetal produzido no mundo. Culturas como o dendê, a soja e a canola são responsáveis por quase toda a produção de óleo no mundo. Elas estão sendo pesquisadas desde o século 19 e, portanto, acumularam muita informação e dispõem de um sistema de produção que permite ao investidor (produtor agrícola) calcular seus riscos e sua rentabilidade. “Não é o caso das demais culturas”, diz Gazzoni. Ele se refere, principalmente, ao pinhão-manso, crambe e macaúba.
Com exceção do crambe, não há variedades, híbridos ou cultivares disponíveis no Brasil. “Não sabemos informações básicas, como o melhor espaçamento ou a melhor densidade, ou outros tratos culturais. Não sabemos como colher, se de forma manual ou mecânica, e a que custo. Não sabemos quais fungos, bactérias, vírus, nematóides ou insetos vão atacar a cultura”, enumera Gazzoni. Ele ressalta que mesmo quando soubermos quais são as pragas, será necessário em primeiro lugar descobrir como controlá-las e depois ter o registro do uso destes agrotóxicos no governo. “Como as exigências e o custo para o registro são muito altos, as empresas produtoras de agrotóxicos somente efetuam o registro depois de terem certeza absoluta de que haverá um mercado remunerador”, diz. Enquanto isto não acontecer, tanto o produtor quanto o seu agente de assistência técnica estarão infringindo a legislação que exige o receituário agronômico.
Ele considera que o pinhão-manso e a macaúba poderiam ser excelentes opções se a pesquisa agrícola tivesse iniciado nos anos 60. “Não será fácil produzir uma variedade de macaúba, com todas as características necessárias para o agricultor aceitar investir na cultura, em menos de 20 anos”. Ele também não é muito otimista em relação ao pinhão-manso. Até conseguir introduzir características como resistência a doenças e pragas, uniformidade de colheita, alto rendimento e alto teor de óleo em uma cultivar ou variedade de pinhão-manso, podem ser necessários 20 anos de investimento em pesquisa.
Gazzoni também alerta para as dificuldades de desenvolvimento do crambe, uma oleaginosa de ciclo curto. “Ele terá que disputar espaço com girassol, canola e até mesmo com a soja. Após desenvolver todo o sistema de produção, ele terá que se impor junto ao agricultor, demonstrando que é uma opção melhor que aquelas que já estavam disponíveis”.
Sem comparação
O Brasil é o país que possui a área mais extensa com aptidão para a produção do dendê. A quantidade de óleo gerada em um hectare da palmácea poderia substituir 10 hectares de soja. “Perdemos inúmeras oportunidades. Hoje, o Brasil poderia estar produzindo 1, 2, 5 ou 10 milhões de hectares de dendê, ser o maior produtor e exportador de óleo e também de biodiesel. Entretanto, somos importadores desta commodity”.
Para convencer o governo e a sociedade a aplicar os impostos em um modelo de incentivo a outra oleaginosa (nos moldes do Programa de Produção de Palma), ele acredita que esta outra cultura teria que apresentar atrativos semelhantes ao do dendê. “Não consigo vislumbrar uma semelhança com outra cultura, acho que o dendê é um caso único”. O pesquisador diz que os empresários, tanto brasileiros como estrangeiros, deveriam aproveitar bem esta oportunidade que o governo está dando, porque o consumo de óleo está em alta no mundo e o Brasil é o único país com chances reais de expandir a produção de dendê, de forma sustentável, por mais de 20 anos.
Alice Duarte – BiodieselBR.com
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Dependência