O grande desafio do mercado de biodiesel é conseguir uma fonte segura, disponível e barata de óleo
O grande desafio do mercado de biodiesel é conseguir uma fonte segura,
disponível e barata de óleo
Num mercado em que o grande desafio é conseguir uma fonte segura de óleo, disponível e barata e que possibilite a produção de biodiesel de qualidade a baixo custo, a notícia de que há um bocado de gordura sendo jogada fora deve deixar muita gente atenta. Mais que isso, trata-se de gordura que precisa ser tratada e que configura um imenso problema ambiental.
Pois bem, o problema de uns pode ser uma boa alternativa de matéria-prima para outros. Um estudo produzido na Filadélfia (EUA) mostra que o esgoto está muito perto de ser a fonte ideal de gordura para a indústria de biodiesel. Segundo o trabalho, o galão de combustível feito da gordura resultante do tratamento de dejetos pode chegar ao mercado ao custo de US$ 3,11, muito próximo dos US$ 3,00, preço pelo qual o diesel mineral é comercializado em território americano.
E onde está essa gordura toda? Nas centrais de tratamento de água e esgoto das cidades. E a disponibilidade desse material tende a crescer à medida que o serviço de coleta e tratamento de esgoto se expande no país. A gordura encontrada nesse tipo de resíduo tem que ser tratada para que seu descarte na natureza não gere danos ambientais. A proposta, no entanto, é ao invés de tratar e descartar esse material, encaminhá-lo para a produção de biodiesel.
O estudo aponta que em 50% dos municípios americanos o tratamento de esgoto utiliza a extração de lipídios dos dejetos. Com o uso de só essa matéria-prima poderiam ser produzidos 6,8 bilhões de litros de biodiesel por ano.
Um dos grandes atrativos da gordura do esgoto como matéria-prima é justamente seu custo. Por não ter valor comercial, esse produto pode chegar à usina sem custar nada, exceto o que foi investido na obtenção e tratamento dele. Um preço imbatível se comparado ao do óleo de soja e algodão, entre outras matérias-primas mais comuns usadas na indústria.
Para o autor David M. Kargbo, autor do estudo “Biodiesel Production from Municipal Sewage Sludges” (Produção de biodiesel a partir do esgoto tratado), o esgoto está muito próximo de permitir uma produção rentável de biodiesel.
No Brasil o uso de esgoto na produção de combustível está sendo testado no Centro de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, no Rio de Janeiro. A usina da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) tem capacidade para produzir 150 litros por dia de biodiesel, ou 54 mil litros anuais da escuma do esgoto, um composto que tem concentração de ácido graxo na faixa dos 10%. O biocombustível produzido é utilizado para abastecer as máquinas da Cedae, como tratores, retro escavadeiras e geradores de ciclo diesel.
Mas essa iniciativa ainda precisa superar desafios como a coleta do esgoto, a otimização do processo de produção e a formação de sabão e decantação do combustível. Kargbo sugere que sejam realizadas pesquisas para escolher bactérias a serem usadas no tratamento do esgoto com maior capacidade de converter os dejetos em óleo.
Também aponta para a necessidade do biodiesel de esgoto receber incentivos fiscais que garantiriam a viabilidade econômica da produção e incentivariam investimentos no setor da mesma forma que conseguiram fazer com a produção de biodiesel a partir da soja, da canola e outros óleos.
Outro desafio, diz o pesquisador, é produzir um biodiesel que não decante no tanque. Segundo Kargbo, a produção de biodiesel por transesterificação pode resultar num combustível que se solidifica sob temperatura ambiente. Isso porque o esgoto tem alta concentração de ácidos graxos livres, o que pode contribuir para a formação de sabão.
Por fim, a qualidade do biodiesel produzido a partir do esgoto também é uma preocupação dos pesquisadores. Os dejetos utilizados nessa produção são fonte de gordura de baixa qualidade que precisam de aditivos para melhorar sua solubilidade no processo de transesterificação. O problema é que a solução disponível hoje encarece o produto final. Então o desafio é encontrar outras formas de melhorar a qualidade do biodiesel sem aumentar o custo de produção.
Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
Num mercado em que o grande desafio é conseguir uma fonte segura de óleo, disponível e barata e que possibilite a produção de biodiesel de qualidade a baixo custo, a notícia de que há um bocado de gordura sendo jogada fora deve deixar muita gente atenta. Mais que isso, trata-se de gordura que precisa ser tratada e que configura um imenso problema ambiental.
Pois bem, o problema de uns pode ser uma boa alternativa de matéria-prima para outros. Um estudo produzido na Filadélfia (EUA) mostra que o esgoto está muito perto de ser a fonte ideal de gordura para a indústria de biodiesel. Segundo o trabalho, o galão de combustível feito da gordura resultante do tratamento de dejetos pode chegar ao mercado ao custo de US$ 3,11, muito próximo dos US$ 3,00, preço pelo qual o diesel mineral é comercializado em território americano.
E onde está essa gordura toda? Nas centrais de tratamento de água e esgoto das cidades. E a disponibilidade desse material tende a crescer à medida que o serviço de coleta e tratamento de esgoto se expande no país. A gordura encontrada nesse tipo de resíduo tem que ser tratada para que seu descarte na natureza não gere danos ambientais. A proposta, no entanto, é ao invés de tratar e descartar esse material, encaminhá-lo para a produção de biodiesel.
O estudo aponta que em 50% dos municípios americanos o tratamento de esgoto utiliza a extração de lipídios dos dejetos. Com o uso de só essa matéria-prima poderiam ser produzidos 6,8 bilhões de litros de biodiesel por ano.
Um dos grandes atrativos da gordura do esgoto como matéria-prima é justamente seu custo. Por não ter valor comercial, esse produto pode chegar à usina sem custar nada, exceto o que foi investido na obtenção e tratamento dele. Um preço imbatível se comparado ao do óleo de soja e algodão, entre outras matérias-primas mais comuns usadas na indústria.
Para o autor David M. Kargbo, autor do estudo “Biodiesel Production from Municipal Sewage Sludges” (Produção de biodiesel a partir do esgoto tratado), o esgoto está muito próximo de permitir uma produção rentável de biodiesel.
No Brasil o uso de esgoto na produção de combustível está sendo testado no Centro de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, no Rio de Janeiro. A usina da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) tem capacidade para produzir 150 litros por dia de biodiesel, ou 54 mil litros anuais da escuma do esgoto, um composto que tem concentração de ácido graxo na faixa dos 10%. O biocombustível produzido é utilizado para abastecer as máquinas da Cedae, como tratores, retro escavadeiras e geradores de ciclo diesel.
Mas essa iniciativa ainda precisa superar desafios como a coleta do esgoto, a otimização do processo de produção e a formação de sabão e decantação do combustível. Kargbo sugere que sejam realizadas pesquisas para escolher bactérias a serem usadas no tratamento do esgoto com maior capacidade de converter os dejetos em óleo.
Também aponta para a necessidade do biodiesel de esgoto receber incentivos fiscais que garantiriam a viabilidade econômica da produção e incentivariam investimentos no setor da mesma forma que conseguiram fazer com a produção de biodiesel a partir da soja, da canola e outros óleos.
Outro desafio, diz o pesquisador, é produzir um biodiesel que não decante no tanque. Segundo Kargbo, a produção de biodiesel por transesterificação pode resultar num combustível que se solidifica sob temperatura ambiente. Isso porque o esgoto tem alta concentração de ácidos graxos livres, o que pode contribuir para a formação de sabão.
Por fim, a qualidade do biodiesel produzido a partir do esgoto também é uma preocupação dos pesquisadores. Os dejetos utilizados nessa produção são fonte de gordura de baixa qualidade que precisam de aditivos para melhorar sua solubilidade no processo de transesterificação. O problema é que a solução disponível hoje encarece o produto final. Então o desafio é encontrar outras formas de melhorar a qualidade do biodiesel sem aumentar o custo de produção.
Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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