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Conferência BiodieselBR debateu desafios e perspectivas do setor

O setor de biodiesel está vivendo agora uma de suas fases mais otimistas. A indústria, uma das que mais cresce hoje no Brasil, vem conseguindo recordes sucessivos de produção e pode transformar o Brasil no segundo maior produtor global.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O setor de biodiesel está vivendo agora uma de suas fases mais otimistas. A indústria, uma das que mais cresce hoje no Brasil, vem conseguindo recordes sucessivos de produção e pode transformar o Brasil no segundo maior produtor global.

O setor de biodiesel está vivendo agora uma de suas fases mais otimistas. A indústria, uma das que mais cresce hoje no Brasil, vem conseguindo recordes sucessivos de produção e pode transformar o Brasil no segundo maior produtor global. Com a oficialização do novo marco de mistura obrigatória de biodiesel no diesel a partir de janeiro de 2010 o setor inaugura uma nova fase de expansão. Para falar de toda essa evolução, dos desafios e perspectivas deste setor, especialistas, empresários e gestores estiveram reunidos na semana passada na quinta edição da Conferência BiodieselBR 2009, realizada em Curitiba, no Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar).

De acordo com o Plano Decenal de Energia 2008-2017 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a mistura de 5% de biodiesel vai representar uma demanda anual de 2,47 bilhões de litros de biodiesel, com base nas projeções de consumo de diesel. Hoje, com uma capacidade instalada de 3,6 bilhões de litros (das usinas autorizadas a vender), a indústria não quer ficar limitada à demanda do B5. Mas para avançar, segundo o diretor do Departamento de Energias Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, é preciso mudar a lei 11.097/05 (que limitou a mistura até 5%), conseguir das montadoras a garantia dos motores e, o que é mais delicado e complexo, garantir efetivamente a participação da agricultura familiar na cadeia. Este aspecto, aliás, tem sido o principal alvo de críticas do programa. “Não é fácil estruturar arranjos produtivos e viabilizar a participação da agricultura familiar”, reconhece Dornelles. Difícil até para uma empresa do porte e do capital da Petrobras Biocombustíveis. “Não é fácil para a PBio, acostumada a explorar e processar petróleo nas refinarias, trabalhar com a agricultura familiar”, disse João Norberto Noschang Neto, gerente de gestão tecnológica da subsidiária.

Mas o desafio que mais preocupa atualmente o setor é a oferta de matéria-prima a preços competitivos. A indústria precisa diminuir a dependência do óleo de soja e melhorar o balanço energético das usinas, bem como o aproveitamento de resíduos industriais de menor valor agregado.

Sobre a diversificação, muito se fala do potencial das microalgas, que tanto podem ser utilizadas para fabricar um biodiesel de primeira geração (a partir do óleo), como também um biodiesel de segunda geração – onde os microorganismos, geneticamente modificados, secretariam diretamente hidrocarbonetos. Segundo Donato Aranda, professor de engenharia química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, serão necessários pelo menos dez anos para o biodiesel de microalgas ter viabilidade econômica, ou seja, para que tenha um custo de produção entre US$ 40 e 50 o barril.

O especialista é da opinião de que as palmáceas devem ser priorizadas no Brasil. “Defendo o uso do dendê, que pode ter um custo de produção em torno de US$ 44 por barril, numa estimativa conservadora”. Segundo ele, só o Pará possui cerca de 20 milhões de hectares degradados. “Se metade desta área fosse cultivada com a palmácea, daria para abastecer o Brasil inteiro com B100, sem derrubar a floresta”.

Para o diretor-superintendente da BSBios, Erasmo Batistella, o desenvolvimento agrícola requer atenção redobrada por parte do governo, usinas e pesquisadores. “Este é o grande desafio da cadeia. As usinas têm que ter responsabilidade sobre o desenvolvimento de culturas alternativas junto aos agricultores”. Para Univaldo Vedana, analista do setor de biodiesel, se não houver um empenho na produção de uma alternativa à soja, o setor pode ficar limitado ao B10. 
 
Mesmo com a exploração do pré-sal o governo federal afirmou que continuará priorizando a ampliação da produção das energias renováveis. E isso não deverá mudar com a sucessão presidencial em 2010. “O programa de biodiesel é um programa de estado, não de governo. Dado o potencial deste setor para o desenvolvimento da nação, acho muito difícil um governo retroceder nessa área”, avalia Dornelles.

Alice Duarte - BiodieselBR.com
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