Hesitação do governo no EUA e preços elevados das commodities criam ambiente difícil para o setor
É possível salvar a indústria de biodiesel? É remotamente possível – mas não até que o governo intervenha para tirar o mercado do impasse em que se encontra.
O biodiesel, combustível com baixo teor de carbono derivado de óleos vegetais, ganhou os holofotes pela primeira vez há alguns anos. Foi quando o Congresso americano começou a promover esse combustível verde como substituto para o diesel tradicional. Fundos de investimento em participações começaram a injetar milhões de dólares em empresas como a Imperium Renewables, de Seattle, e a Green Earth Fuels, de Houston, na expectativa de aproveitar a onda inicial de um mercado incipiente.
Esperava-se que as misturas mínimas obrigatórias e os incentivos fiscais, estabelecidos pelo governo com o objetivo mais amplo de combater a poluição e diminuir a dependência de petróleo estrangeiro, levassem à criação de um mercado gigantesco, apesar de o biodiesel ser em geral mais caro que o óleo diesel comum.
Mas isso não aconteceu. A partir da metade de 2007, os preços dos óleos de canola e soja, usados para fazer biodiesel, dispararam, o que elevou o custo do biodiesel e afetou os lucros dos produtores. Com o barril de petróleo chegando a 147 dólares na mesma época, o biodiesel ainda era viável para alguns consumidores, já que o preço do diesel comum chegou a uma média de US$ 4,77 por galão (um galão equivale a 3,8 litros). Em comparação, o biocombustível não se saía mal.
Mas então o preço do petróleo despencou. A discrepância de preços aumentou, tornando a opção ecológica antieconômica até mesmo para os ambientalistas ferrenhos. Desde então, os preços das commodities também caíram, mas não o suficiente para diminuir a disparidade de preços. Com a recessão esfriando a demanda geral por energia, tornou-se quase impossível para as novas empresas do setor de energia limpa, entre as quais os fabricantes de biodiesel, conseguir crédito para expansão.
“A situação do mercado está muito, muito difícil neste momento”, diz Joe Jobe, presidente do Conselho Nacional de Biodiesel dos EUA (NBB). Dos 176 operadores de biodiesel dos Estados Unidos, “é difícil dizer quantos deles ainda estão na ativa”.
O mau momento do setor ilustra bem os riscos de se administrar um negócio que depende das cotações de duas commodities voláteis e muitas vezes não relacionadas - neste caso, os óleos vegetais e o petróleo. Mostra também que nem todos os combustíveis verdes são produzidos da mesma forma. Vários ambientalistas abandonaram a causa do biodiesel, alegando que a crescente demanda por commodities como o de óleo de palma estava causando desmatamentos e maiores emissões gases de efeito estufa em países como Malásia e Indonésia.
John Plaza, CEO da Imperium, considera que essas alegações “não têm base científica”, mas nem por isso elas deixaram de afetar os seus negócios.
Plaza e outros executivos e investidores do setor de biodiesel estão revoltados também com o Tio Sam. Eles dizem que o governo prometeu agir para impulsionar a indústria de biodiesel em seus primeiros passos, mas isso nunca se traduziu em medidas concretas.
Pode parecer chororô, mas o Congresso americano aprovou uma lei em 2007 obrigando por decreto que 500 milhões de galões (quase 2 bilhões de litros) de biodiesel fossem misturados ao volume total de diesel consumido nos Estados Unidos em 2009. A mesma lei falava em volumes ainda maiores de biodiesel nos anos subseqüentes. As misturas obrigatórias, no entanto, ainda não foram implantadas pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). A agência esteve imersa em discussões políticas internas, o que incluiu um tortuoso alvoroço em torno da questão biodiesel/desmatamento. A EPA é encarregada de calcular os efeitos “indiretos” de um combustível nas emissões de gases de efeito estufa antes de aprová-lo – o que inclui, nesse caso, quanta poluição pode ser gerada com o cultivo de palma e soja fora do país.
“A não ser que algumas políticas sejam implantadas, ou os incentivos [fiscais] estendidos, vamos ver um monte de empresas [do setor de biodiesel] fechando as portas”. Em cima da hora, o Congresso americano renovou, no ano passado, uma isenção fiscal de um dólar por galão, mas por apenas um ano. O setor está preocupado que esse incentivo não seja renovado no futuro.
Trata-se de uma amarga ironia para o lobby do biodiesel, que afirma ter criado 50 mil empregos verdes desde 2005 e agora pode naufragar – justo quando a Casa Branca fala entusiasticamente dos combustíveis limpos como forma de sair da recessão.
No condado de Grays Harbor, no Estado de Washington, a usina de biodiesel da Imperium, com capacidade para 100 milhões de galões por ano, está ociosa por falta de demanda. A usina acabou de demitir 24 funcionários em março. Se houvesse mercado para o combustível, a usina poderia retomar as atividades e recontratar esses trabalhadores, segundo Plaza.
“Chegamos até aqui. Conseguimos construí-la”, diz ele, sobre a usina. “Estamos prontos. Basta nos dar uma chance”. Plaza fica especialmente irritado quando as pessoas dizem que o biodiesel deve conseguir sobreviver sem subsídios governamentais, quando a já estabelecida indústria do petróleo continua recebendo tanta ajuda do governo.
A Imperium já atravessou maus bocados desde que foi fundada em 2004 por Plaza, que antes era piloto de avião. Além da volatilidade de mercado que prejudicou o restante do setor, a Imperium ainda teve problemas com seu registro para oferta inicial de ações na bolsa, em 2007 – mantendo por vários meses uma disputa com sua credora, a Société Générale, para conseguir acesso integral a uma linha de crédito de 101 milhões de dólares. O problema com o registro impediu a oferta de ações da Imperium até dezembro de 2007, quando o mercado de transações para as empresas tecnológicas de energia limpa, as chamadas clean-techs, já estava em baixa. Segundo Plaza, a disputa com a Société Générale fez com que a Imperium não pudesse usar fundos de financiamento de projetos para construir a usina de Grays Harbor, com custo de 88 milhões de dólares. Em vez disso, ela recorreu a fundos de investimento em participações, o que exacerbou os problemas de fluxo de caixa. A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC - U.S. Securities and Exchange Commission) afirmou que o prazo de análise do processo de registro varia, dependendo dos itens em questão e do tempo de resposta da empresa. Já o porta-voz da Société Générale não quis comentar sobre o assunto.
O encerramento temporário das atividades da Imperium também teve grande impacto nas cidades vizinhas de Hoquiam e Aberdeen. Ambas são tradicionalmente dependentes da exploração de madeira e têm lutado para diversificar suas economias, à medida que a indústria madeireira perde vigor. A esperança era que a Imperium pudesse colaborar na missão. Uma placa na frente de uma igreja na estrada para Grays Harbor sugere: “Pare de rezar pelo problema – Comece a rezar pela solução”.
Nem todos deixaram de comprar o biocombustível. A Bauer’s Intelligent Transportation, empresa privada de San Francisco, diz que 120 dos 200 veículos de sua frota são abastecidos com misturas de biodiesel. O diesel comum “é definitivamente mais barato”, diz o CEO Gary Bauer. Mas os clientes da Bauer’s (empresas de alta tecnologia como a Google e a Yahoo, entre outras) aceitam pagar mais para transportar seus funcionários em veículos que usam combustível verde.
Quem também está considerando a opção do biodiesel são as empresas aéreas. Nos últimos meses, a Boeing fez quatro vôos experimentais com aeronaves parcialmente abastecidas com biocombustíveis, um deles com biodiesel da Imperium Renewables (o biodiesel precisa de processamento adicional para ser utilizado em aviões). Mas a adoção comercial do produto só deverá ocorrer dentro de três a cinco anos. Em parte, isso acontece porque a Boeing está comprometida em usar óleos vegetais de novas fontes – como as algas e uma planta chamada camelina – que não compitam com a produção mundial de alimentos e não causem desmatamentos, de acordo com Billy M. Glover, diretor de estratégia ambiental da Boeing.
O mercado de combustíveis para aviação é potencialmente imenso: empresas aéreas de todo o mundo queimam entre 280 e 300 milhões de litros de combustível poluente por ano, segundo Glover. Isso representa de 6 a 7% de todo o consumo mundial de combustíveis fósseis.
Ainda assim, mercados como o da aviação não devem decolar sem a ajuda do governo. Plaza considera que os subsídios são essenciais para revigorar o mercado. “As misturas obrigatórias são ruins”, diz ele. “Mas as companhias de petróleo largaram cem anos à nossa frente. Precisamos de uma mãozinha para chegar lá”. Maria Cantwell, senadora americana pelo Estado de Washington e lobista do setor, diz que as perspectivas do biodiesel poderiam melhorar se o preço do petróleo voltasse a subir. Ela considera o combustível “uma solução muito importante para o futuro”.
Neste exato momento, o biodiesel está simplesmente além da conta para a maioria dos consumidores. A King County Metro Transit, companhia de transporte público da região metropolitana de Seattle, utilizou misturas de biodiesel em seus ônibus por cerca de três anos, em parte pelo desejo de apoiar uma causa ambiental. Durante algum tempo, o condado conseguiu obter um preço favorável para o combustível através de um acordo especial do distribuidor com um produtor de canola local, diz Jim Boom, gerente de manutenção e aquisições da frota da companhia. Mas o condado voltou a utilizar diesel convencional em junho do ano passado.
Houve problemas operacionais com o biodiesel. “Em noites muito frias, ele podia congelar dentro dos tanques dos ônibus”, diz Boon. Além disso, a popularização da idéia de que o biodiesel compete com a produção de alimentos levou os administradores do condado a questionarem se a iniciativa era realmente tão ecológica assim.
No final das contas, no entanto, o biodiesel era simplesmente muito caro, principalmente após o baque da recessão. “As pessoas andam quilômetros para encontrar postos de gasolina em que possam economizar dois centavos por litro”, diz Boon. E os fabricantes de biodiesel “andam oferecendo um produto pelo qual ninguém pode pagar”.
Fonte: Forbes - Rebecca Buckman
Tradução e adaptação: BiodieselBR.com
É possível salvar a indústria de biodiesel? É remotamente possível – mas não até que o governo intervenha para tirar o mercado do impasse em que se encontra.
O biodiesel, combustível com baixo teor de carbono derivado de óleos vegetais, ganhou os holofotes pela primeira vez há alguns anos. Foi quando o Congresso americano começou a promover esse combustível verde como substituto para o diesel tradicional. Fundos de investimento em participações começaram a injetar milhões de dólares em empresas como a Imperium Renewables, de Seattle, e a Green Earth Fuels, de Houston, na expectativa de aproveitar a onda inicial de um mercado incipiente.
Esperava-se que as misturas mínimas obrigatórias e os incentivos fiscais, estabelecidos pelo governo com o objetivo mais amplo de combater a poluição e diminuir a dependência de petróleo estrangeiro, levassem à criação de um mercado gigantesco, apesar de o biodiesel ser em geral mais caro que o óleo diesel comum.
Mas isso não aconteceu. A partir da metade de 2007, os preços dos óleos de canola e soja, usados para fazer biodiesel, dispararam, o que elevou o custo do biodiesel e afetou os lucros dos produtores. Com o barril de petróleo chegando a 147 dólares na mesma época, o biodiesel ainda era viável para alguns consumidores, já que o preço do diesel comum chegou a uma média de US$ 4,77 por galão (um galão equivale a 3,8 litros). Em comparação, o biocombustível não se saía mal.
Mas então o preço do petróleo despencou. A discrepância de preços aumentou, tornando a opção ecológica antieconômica até mesmo para os ambientalistas ferrenhos. Desde então, os preços das commodities também caíram, mas não o suficiente para diminuir a disparidade de preços. Com a recessão esfriando a demanda geral por energia, tornou-se quase impossível para as novas empresas do setor de energia limpa, entre as quais os fabricantes de biodiesel, conseguir crédito para expansão.
“A situação do mercado está muito, muito difícil neste momento”, diz Joe Jobe, presidente do Conselho Nacional de Biodiesel dos EUA (NBB). Dos 176 operadores de biodiesel dos Estados Unidos, “é difícil dizer quantos deles ainda estão na ativa”.
O mau momento do setor ilustra bem os riscos de se administrar um negócio que depende das cotações de duas commodities voláteis e muitas vezes não relacionadas - neste caso, os óleos vegetais e o petróleo. Mostra também que nem todos os combustíveis verdes são produzidos da mesma forma. Vários ambientalistas abandonaram a causa do biodiesel, alegando que a crescente demanda por commodities como o de óleo de palma estava causando desmatamentos e maiores emissões gases de efeito estufa em países como Malásia e Indonésia.
John Plaza, CEO da Imperium, considera que essas alegações “não têm base científica”, mas nem por isso elas deixaram de afetar os seus negócios.
Plaza e outros executivos e investidores do setor de biodiesel estão revoltados também com o Tio Sam. Eles dizem que o governo prometeu agir para impulsionar a indústria de biodiesel em seus primeiros passos, mas isso nunca se traduziu em medidas concretas.
Pode parecer chororô, mas o Congresso americano aprovou uma lei em 2007 obrigando por decreto que 500 milhões de galões (quase 2 bilhões de litros) de biodiesel fossem misturados ao volume total de diesel consumido nos Estados Unidos em 2009. A mesma lei falava em volumes ainda maiores de biodiesel nos anos subseqüentes. As misturas obrigatórias, no entanto, ainda não foram implantadas pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). A agência esteve imersa em discussões políticas internas, o que incluiu um tortuoso alvoroço em torno da questão biodiesel/desmatamento. A EPA é encarregada de calcular os efeitos “indiretos” de um combustível nas emissões de gases de efeito estufa antes de aprová-lo – o que inclui, nesse caso, quanta poluição pode ser gerada com o cultivo de palma e soja fora do país.
“A não ser que algumas políticas sejam implantadas, ou os incentivos [fiscais] estendidos, vamos ver um monte de empresas [do setor de biodiesel] fechando as portas”. Em cima da hora, o Congresso americano renovou, no ano passado, uma isenção fiscal de um dólar por galão, mas por apenas um ano. O setor está preocupado que esse incentivo não seja renovado no futuro.
Trata-se de uma amarga ironia para o lobby do biodiesel, que afirma ter criado 50 mil empregos verdes desde 2005 e agora pode naufragar – justo quando a Casa Branca fala entusiasticamente dos combustíveis limpos como forma de sair da recessão.
No condado de Grays Harbor, no Estado de Washington, a usina de biodiesel da Imperium, com capacidade para 100 milhões de galões por ano, está ociosa por falta de demanda. A usina acabou de demitir 24 funcionários em março. Se houvesse mercado para o combustível, a usina poderia retomar as atividades e recontratar esses trabalhadores, segundo Plaza.
“Chegamos até aqui. Conseguimos construí-la”, diz ele, sobre a usina. “Estamos prontos. Basta nos dar uma chance”. Plaza fica especialmente irritado quando as pessoas dizem que o biodiesel deve conseguir sobreviver sem subsídios governamentais, quando a já estabelecida indústria do petróleo continua recebendo tanta ajuda do governo.
A Imperium já atravessou maus bocados desde que foi fundada em 2004 por Plaza, que antes era piloto de avião. Além da volatilidade de mercado que prejudicou o restante do setor, a Imperium ainda teve problemas com seu registro para oferta inicial de ações na bolsa, em 2007 – mantendo por vários meses uma disputa com sua credora, a Société Générale, para conseguir acesso integral a uma linha de crédito de 101 milhões de dólares. O problema com o registro impediu a oferta de ações da Imperium até dezembro de 2007, quando o mercado de transações para as empresas tecnológicas de energia limpa, as chamadas clean-techs, já estava em baixa. Segundo Plaza, a disputa com a Société Générale fez com que a Imperium não pudesse usar fundos de financiamento de projetos para construir a usina de Grays Harbor, com custo de 88 milhões de dólares. Em vez disso, ela recorreu a fundos de investimento em participações, o que exacerbou os problemas de fluxo de caixa. A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC - U.S. Securities and Exchange Commission) afirmou que o prazo de análise do processo de registro varia, dependendo dos itens em questão e do tempo de resposta da empresa. Já o porta-voz da Société Générale não quis comentar sobre o assunto.
O encerramento temporário das atividades da Imperium também teve grande impacto nas cidades vizinhas de Hoquiam e Aberdeen. Ambas são tradicionalmente dependentes da exploração de madeira e têm lutado para diversificar suas economias, à medida que a indústria madeireira perde vigor. A esperança era que a Imperium pudesse colaborar na missão. Uma placa na frente de uma igreja na estrada para Grays Harbor sugere: “Pare de rezar pelo problema – Comece a rezar pela solução”.
Nem todos deixaram de comprar o biocombustível. A Bauer’s Intelligent Transportation, empresa privada de San Francisco, diz que 120 dos 200 veículos de sua frota são abastecidos com misturas de biodiesel. O diesel comum “é definitivamente mais barato”, diz o CEO Gary Bauer. Mas os clientes da Bauer’s (empresas de alta tecnologia como a Google e a Yahoo, entre outras) aceitam pagar mais para transportar seus funcionários em veículos que usam combustível verde.
Quem também está considerando a opção do biodiesel são as empresas aéreas. Nos últimos meses, a Boeing fez quatro vôos experimentais com aeronaves parcialmente abastecidas com biocombustíveis, um deles com biodiesel da Imperium Renewables (o biodiesel precisa de processamento adicional para ser utilizado em aviões). Mas a adoção comercial do produto só deverá ocorrer dentro de três a cinco anos. Em parte, isso acontece porque a Boeing está comprometida em usar óleos vegetais de novas fontes – como as algas e uma planta chamada camelina – que não compitam com a produção mundial de alimentos e não causem desmatamentos, de acordo com Billy M. Glover, diretor de estratégia ambiental da Boeing.
O mercado de combustíveis para aviação é potencialmente imenso: empresas aéreas de todo o mundo queimam entre 280 e 300 milhões de litros de combustível poluente por ano, segundo Glover. Isso representa de 6 a 7% de todo o consumo mundial de combustíveis fósseis.
Ainda assim, mercados como o da aviação não devem decolar sem a ajuda do governo. Plaza considera que os subsídios são essenciais para revigorar o mercado. “As misturas obrigatórias são ruins”, diz ele. “Mas as companhias de petróleo largaram cem anos à nossa frente. Precisamos de uma mãozinha para chegar lá”. Maria Cantwell, senadora americana pelo Estado de Washington e lobista do setor, diz que as perspectivas do biodiesel poderiam melhorar se o preço do petróleo voltasse a subir. Ela considera o combustível “uma solução muito importante para o futuro”.
Neste exato momento, o biodiesel está simplesmente além da conta para a maioria dos consumidores. A King County Metro Transit, companhia de transporte público da região metropolitana de Seattle, utilizou misturas de biodiesel em seus ônibus por cerca de três anos, em parte pelo desejo de apoiar uma causa ambiental. Durante algum tempo, o condado conseguiu obter um preço favorável para o combustível através de um acordo especial do distribuidor com um produtor de canola local, diz Jim Boom, gerente de manutenção e aquisições da frota da companhia. Mas o condado voltou a utilizar diesel convencional em junho do ano passado.
Houve problemas operacionais com o biodiesel. “Em noites muito frias, ele podia congelar dentro dos tanques dos ônibus”, diz Boon. Além disso, a popularização da idéia de que o biodiesel compete com a produção de alimentos levou os administradores do condado a questionarem se a iniciativa era realmente tão ecológica assim.
No final das contas, no entanto, o biodiesel era simplesmente muito caro, principalmente após o baque da recessão. “As pessoas andam quilômetros para encontrar postos de gasolina em que possam economizar dois centavos por litro”, diz Boon. E os fabricantes de biodiesel “andam oferecendo um produto pelo qual ninguém pode pagar”.
Fonte: Forbes - Rebecca Buckman
Tradução e adaptação: BiodieselBR.com