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Os caminhos para o biodiesel

A produção de biodiesel é hoje um caminho sem volta. Instituições diversas se dividem à procura da cultura mais adequada
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A produção de biodiesel é hoje um caminho sem volta. Instituições diversas se dividem à procura da cultura mais adequada

Promessa certa de um mundo sustentável, a produção de biodiesel ainda não chegou a um consenso no País. O cultivo das oleaginosas que podem se transformar no óleo biodegradável é ainda uma dúvida. Cada região faz sua aposta. O Ceará já escolheu a mamona como a sua. Recentemente, entrou em vigor o chamado B5, medida que adiciona 5% de biodiesel ao óleo diesel, o que deve dar mais uma impulsionada à produção do biocombustível. Mas o País - e o Ceará - está mesmo no caminho certo?

Para o professor do departamento de Engenharia de Biossistemas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz ligada à Universidade de São Paulo (Esalq-USP), Thiago Romanelli, os problemas dessa produção parecem maiores que as vantagens.

Em primeiro lugar, o custo do produto não é competitivo com o diesel e seu uso só ocorre em virtude de uma exigência legal, com uma série de redução de impostos. Além disso, as medidas governamentais tomadas para incentivar a produção não são das mais eficazes. ``A única medida política que eu vi, foi com a produção de mamona, e foi ridícula, muito mal pensada``, afirma.

A medida a que Tomanelli se refere é a ideia da inclusão social a partir da produção de mamona. ``Desde a década de 70 já se sabia que a mamona não era boa por causa de sua viscosidade``, questiona. O resultado foi que o produto foi vendido pelo agricultor familiar a baixo custo e comercializado no mercado internacional como uma commodity, rendendo bons lucros. Perdeu o pequeno produtor, ganhou o grande empresário.

Culturas
O pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Luciano Basto, defende que o País está no caminho certo. Porém, aponta uma série de correções que devem ser feitas para que o País avance nessa produção.

A primeira delas diz respeito às culturas trabalhadas. Para o pesquisador, é fundamental que a matéria-prima utilizada seja fruto de uma cultura perene, a exemplo do dendê e do pinhão manso. A primeira a ser explorada no Norte e a segunda, no Nordeste.

Somente essa mudança traria uma melhor condição ``para todos os elos da cadeia``, principalmente, para o pequeno produtor. ``O problema da agricultura familiar com culturas de ciclo curto é que há sempre uma incerteza. Com culturas perenes, é possível ele se preparar para viver com aquilo por muito tempo. Se não, você acaba jogando a responsabilidade em cima do mais fraco``, defende.

Basto diz ainda que o Brasil já demonstrou ter competência para o desenvolvimento de cultivares agrícolas. ``Há 30 anos não tínhamos soja e hoje o Brasil é um dos maiores agentes da soja``, compara. Com o biodiesel, para o pesquisador, o País será um destaque internacional no assunto logo que aplique mais recurso no tema e faça uma adequação de cultivo para cada região.

O que é biodiesel?
É um combustível desenvolvido a partir de plantas (óleos vegetais) ou animais (gordura animal). O produto ganha destaque nesse processo de busca pela energia limpa e promete, há algum tempo, colocar o Brasil em posição de destaque.

O que determina hoje a ANP?
A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabeleceu, desde 1° de janeiro, a adição de 5% de biodiesel na composição do óleo diesel. É a chamada B5. A mistura deve gerar US$ 1,4 bilhão de economia por ano com a redução da importação do óleo. A proposta agora é para a produção do B20. Até novembro de 2009, segundo a ANP, o consumo de biodiesel no País foi de aproximadamente 3,43 milhões de litros.

Ele pode ser feito a partir de:

Mamona
A oleaginosa é a principal aposta cearense para a produção do biodiesel. No Estado, sua produção, em 2009, foi de 26,7 mil toneladas, em um total de 53 mil hectares plantados. Hoje, especialistas, incluindo aí a Embrapa, criticam que essa semente é muito cara, uma vez que sua rentabilidade é baixa. Mas, para o Governo do Estado, essa é a opção viável para o Ceará.

Soja
Este é hoje a principal matéria-prima na produção do biodiesel. Com avançado desenvolvimento tecnológico e industrial, a soja recebe críticas por ser a base do biocombustível ao mesmo tempo em que é utilizado como alimento. A tendência é que outras oleaginosas substituam a soja ao longo dos tempos.

Pinhão manso
Todos os especialistas no tema biodiesel incluem o pinhão manso em seus discursos. A planta é da mesma família da mamona e da mandioca e, por isso, está sendo considerada uma opção agrícola para o Nordeste. Sua rentabilidade é maior que a da mamona e sua idade reprodutiva pode se estender por 40 anos. Assim como a mamona, o pinhão manso pode ser utilizado na agricultura familiar.

Girassol
Apesar de ser utilizado como alimento, o girassol não divide opiniões quanto a sua utilização também na produção de biodiesel. A oleaginosa também tem sido vista como promissora nessa produção. A rentabilidade é de 350 quilos de óleo para uma tonelada de sementes.

Tilápia
Essa é uma exclusividade do Ceará, segundo a Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec). A ideia é aproveitar as vísceras & parte descartada no beneficiamento do peixe & para a produção de biodiesel e glicerina.

Microalgas
Essa é uma pesquisa ainda em fase embrionária, que promete, a longo prazo, render bons resultados. O que já se sabe é que as microalgas se reproduzem de 50 a 100 vezes mais rápido que as sementes comumente utilizadas para a produção do biodiesel.

Camille Soares - Jornal O Povo - CE
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