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Brasil pode começar a produzir anti-oxidante de castanha de caju para biodiesel

“Todos os produtos utilizados como anti-oxidantes para biodiesel são importados e tem preços acima dos produtos que estamos propondo”
BiodieselBR.com 3 min de leitura
“Todos os produtos utilizados como anti-oxidantes para biodiesel são importados e tem preços acima dos produtos que estamos propondo”

Um projeto patrocinado pelo programa Senai Inovação irá produzir anti-oxidante para biodiesel a partir de castanha de caju. A principal vantagem do processo é a redução de preço em relação aos similares importados que são usados hoje pela indústria. Segundo José Ribeiro, da Universidade Federal do Piauí, a diferença de preço é da ordem de 50%. “Todos os produtos utilizados como anti-oxidantes para biodiesel são importados e tem preços acima dos produtos que estamos propondo”, explica.

A idéia de produzir anti-oxidante a partir da castanha de caju veio da necessidade de aproveitar os resíduos da produção da castanha. “Ele tem a função de dar um destino mais vantajoso a uma matéria-prima, hoje subproduto da indústria de amêndoas de castanhas de caju, que não possui valor comercial aceitável”, conta.
 
Por outro lado, o biodiesel produzido principalmente a partir do óleo de soja precisa do aditivo para cumprir as exigências de especificação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). “Por exigência da norma da ANP de qualidade de biodiesel, o produto deve resistir a seis horas em ensaio de oxidação acelerada, isto é, três gramas de biodiesel devem suportar seis horas sob condições de 110 ºC e com passagem de 10 litros de ar por hora. Após esse ensaio o biodiesel pode ser lacrado para venda. Então o anti-oxidante é adicionado ao biodiesel no tanque na fase final, como trata-se de produto de fácil solubilidade, é o último aditivo do combustível, antes da entrega aos vendedores”, relata.

A iniciativa, que é capitaneada pela Farmoquímica Vegeflora Extrações do Nordeste, irá receber recursos do Senai Inovação para a construção de uma unidade de produção- piloto no Piauí. A empresa espera começar a comercialização do aditivo assim que a unidade estiver pronta. “Não vamos conseguir atender a toda demanda do mercado. Mas há matéria-prima suficiente para uma produção significativa. É muito biodiesel feito de soja”, adianta. Segundo Ribeiro, utiliza-se 500 mg de anti-oxidante para cada quilo de biodiesel.

Além da Vegeflora, o projeto de produção do aditivo também envolveu a Universidade Federal do Piauí (UFPI), que desenvolveu o projeto inicial em uma dissertação de mestrado, o departamento de Química da instituição - que cederá  pesquisadores e alunos, o Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Biotecnologia (Biotec) da UFPI de Parnaíba (PI), que fará o controle e pesquisa de qualidade do produto final e o SENAI Piauí, que dará apoio institucional na gestão e assistência técnica ao projeto.

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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