A tecnologia de produção começou a ser desenvolvida em 2002, mas os recursos que permitiram avançar nas pesquisas só vieram
em 2006
A primeira usina de biodiesel de esgoto no Brasil deve ser inaugurada em março, no Rio de Janeiro. A unidade está sendo construída anexa à Estação de Tratamento de Esgoto Alegria (ETE), no Caju, e terá capacidade de produção entre 150 a 180 litros por dia, ou até 64,8 mil litros por ano. Por um período de quatro a seis meses a produção será experimental e destinada ao abastecimento de máquinas da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), como tratores, retro escavadeiras e geradores de ciclo diesel.
A ETE Alegria vai tratar 216 milhões de litros de esgoto despejados diariamente na baía de Guanabara. Por enquanto a usina vai utilizar a escuma do esgoto, que tem uma concentração de gordura na faixa de 10%. Hoje a sua disponibilidade é de 1.800 quilos por dia, o que permite produzir de 150 a 180 litros de biodiesel diários.
A tecnologia de produção começou a ser desenvolvida em 2002, nos laboratórios Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mas os recursos que permitiram avançar nas pesquisas só vieram em 2006, por meio da TermoRio, quando o governo do Rio de Janeiro concedeu o diferimento do ICMS para as termelétricas que investissem em energias renováveis e na melhor eficiência energética. Foram feitos testes em escala piloto no laboratório da UFRJ, com produção de 30 a 40 litros de biodiesel por dia, avaliando o uso de catalisadores, proporções de reagentes, temperatura, pressão, tempo de reação e métodos de tratamento após a reação química.
Obstáculos
A dificuldade dos pesquisadores foi ter que lidar com as diferentes propriedades da matéria-prima, que variam ao longo do dia pelas várias formas de utilização da rede de esgoto, dificultando a separação da gordura. “Lidar com o cheiro desagradável e a manipulação deste material insalubre também não foi nada fácil”, diz Luciano Basto Oliveira, que está à frente das pesquisas.
Enquadrar o biodiesel dentro da especificação vigente no Brasil tem sido um desafio para o grupo de pesquisa. O problema é que na matéria graxa extraída da escuma, os ésteres possuem uma cadeia mais curta (abaixo de 14 carbonos) e, portanto, não são contabilizados no ensaio de teor de ésteres. “Contudo, é possível enquadrar o produto na especificação da ANP, a um custo que ainda está sendo estudado”, diz Oliveira.
Tecnologia
A produção de biodiesel de esgoto é feita por esterificação, ao contrário do processo químico aplicado aos óleos vegetais chamado de transesterificação (adição de catalisador e álcool). O processo envolve ainda outras etapas posteriores de tratamento do biocombustível, como lavagem, evaporação e destilação. Apesar disso, o pesquisador diz que a produção comercial é viável. Ao contrário do biodiesel fabricado com óleos vegetais, cujo custo depende do valor da matéria-prima em até 92%, o insumo do esgoto teria um custo negativo. “Ainda que o investimento seja maior, o balanço tende a ser favorável. Mas isto só será respondido, na íntegra, depois da operação assistida prevista para o segundo semestre deste ano”, diz o pesquisador.
A tecnologia foi patenteada por Oliveira, que hoje também atua na Empresa de Pesquisas Energéticas (vinculada ao Ministério de Minas e Energia), elaborando projetos sobre o Aproveitamento Energético de Resíduos. Segundo Jorge Briard, diretor de produção e operação da Cedae, a Petrobras Biocombustíveis já teria sinalizado interesse em transformar a unidade piloto em comercial. Tudo vai depender dos resultados da produção experimental. Segundo Briard, os relatórios finais sobre o uso devem ser concluídos ainda em outubro deste ano. Qualquer empresa que se interessar no processo terá que pagar royalty para o pesquisador. A estatal tem vantagens sobre as inovações promovidas no decorrer da pesquisa, já que é controladora da TermoRio.
Há ainda outros projetos em curso para a ETE Alegria, que poderá abrigar uma Central de Produção de Energias Alternativas. “A próxima fase da pesquisa deve tratar da integração entre os três projetos (biogás, biodiesel e pirólise), suas otimizações, bem como da automatização do sistema, atividades que permitirão domínio de técnicas e, possivelmente, de alguma nova patente”, antecipa o pesquisador.
Alice Duarte - BiodieselBR.com
A primeira usina de biodiesel de esgoto no Brasil deve ser inaugurada em março, no Rio de Janeiro. A unidade está sendo construída anexa à Estação de Tratamento de Esgoto Alegria (ETE), no Caju, e terá capacidade de produção entre 150 a 180 litros por dia, ou até 64,8 mil litros por ano. Por um período de quatro a seis meses a produção será experimental e destinada ao abastecimento de máquinas da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), como tratores, retro escavadeiras e geradores de ciclo diesel.
A ETE Alegria vai tratar 216 milhões de litros de esgoto despejados diariamente na baía de Guanabara. Por enquanto a usina vai utilizar a escuma do esgoto, que tem uma concentração de gordura na faixa de 10%. Hoje a sua disponibilidade é de 1.800 quilos por dia, o que permite produzir de 150 a 180 litros de biodiesel diários.
A tecnologia de produção começou a ser desenvolvida em 2002, nos laboratórios Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mas os recursos que permitiram avançar nas pesquisas só vieram em 2006, por meio da TermoRio, quando o governo do Rio de Janeiro concedeu o diferimento do ICMS para as termelétricas que investissem em energias renováveis e na melhor eficiência energética. Foram feitos testes em escala piloto no laboratório da UFRJ, com produção de 30 a 40 litros de biodiesel por dia, avaliando o uso de catalisadores, proporções de reagentes, temperatura, pressão, tempo de reação e métodos de tratamento após a reação química.
Obstáculos
A dificuldade dos pesquisadores foi ter que lidar com as diferentes propriedades da matéria-prima, que variam ao longo do dia pelas várias formas de utilização da rede de esgoto, dificultando a separação da gordura. “Lidar com o cheiro desagradável e a manipulação deste material insalubre também não foi nada fácil”, diz Luciano Basto Oliveira, que está à frente das pesquisas.
Enquadrar o biodiesel dentro da especificação vigente no Brasil tem sido um desafio para o grupo de pesquisa. O problema é que na matéria graxa extraída da escuma, os ésteres possuem uma cadeia mais curta (abaixo de 14 carbonos) e, portanto, não são contabilizados no ensaio de teor de ésteres. “Contudo, é possível enquadrar o produto na especificação da ANP, a um custo que ainda está sendo estudado”, diz Oliveira.
Tecnologia
A produção de biodiesel de esgoto é feita por esterificação, ao contrário do processo químico aplicado aos óleos vegetais chamado de transesterificação (adição de catalisador e álcool). O processo envolve ainda outras etapas posteriores de tratamento do biocombustível, como lavagem, evaporação e destilação. Apesar disso, o pesquisador diz que a produção comercial é viável. Ao contrário do biodiesel fabricado com óleos vegetais, cujo custo depende do valor da matéria-prima em até 92%, o insumo do esgoto teria um custo negativo. “Ainda que o investimento seja maior, o balanço tende a ser favorável. Mas isto só será respondido, na íntegra, depois da operação assistida prevista para o segundo semestre deste ano”, diz o pesquisador.
A tecnologia foi patenteada por Oliveira, que hoje também atua na Empresa de Pesquisas Energéticas (vinculada ao Ministério de Minas e Energia), elaborando projetos sobre o Aproveitamento Energético de Resíduos. Segundo Jorge Briard, diretor de produção e operação da Cedae, a Petrobras Biocombustíveis já teria sinalizado interesse em transformar a unidade piloto em comercial. Tudo vai depender dos resultados da produção experimental. Segundo Briard, os relatórios finais sobre o uso devem ser concluídos ainda em outubro deste ano. Qualquer empresa que se interessar no processo terá que pagar royalty para o pesquisador. A estatal tem vantagens sobre as inovações promovidas no decorrer da pesquisa, já que é controladora da TermoRio.
Há ainda outros projetos em curso para a ETE Alegria, que poderá abrigar uma Central de Produção de Energias Alternativas. “A próxima fase da pesquisa deve tratar da integração entre os três projetos (biogás, biodiesel e pirólise), suas otimizações, bem como da automatização do sistema, atividades que permitirão domínio de técnicas e, possivelmente, de alguma nova patente”, antecipa o pesquisador.
Alice Duarte - BiodieselBR.com
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