A ideia é aproveitar a situação das empresas em dificuldade financeira,
muitas inoperantes, pensando no crescimento futuro da demanda.
Com seu processo de restruturação financeira concluído, a Brasil Ecodiesel começa agora a olhar para o futuro, que deve incluir até fusões e aquisições nos próximos meses. A empresa, assim como várias outras do setor de biodiesel, investiu pesado em unidades de produção, mas encontrou dificuldades para tornar a atividade rentável e se endividou demais. A capacidade de produção da empresa equivale a mais de 50% das vendas do mercado brasileiro em 2008, que foram de 1,2 bilhão de litros.
Apesar de a indústria brasileira de biodiesel ter hoje uma ociosidade de quase 60%, a Brasil Ecodiesel vê sentido em absorver concorrentes agora. A ideia é aproveitar a situação das empresas em dificuldade financeira, muitas inoperantes, pensando no crescimento futuro da demanda. “Nos próximos meses começarão movimentos, inclusive da Brasil Ecodiesel, em uma onda de fusões e aquisições”, diz o diretor de Relações com Investidores, Charles Mann de Toledo. “Estamos nos preparando para ser consolidadores.” Há seis meses, pareceria um absurdo falar que a Brasil Ecodiesel compraria uma concorrente, tamanha a crise emque se afundava. “A empresa vendia o almoço para poder jantar”, recorda Toledo. Mas os credores aceitaram trocar dívidas por ações e renegociaram prazos. De uma empresa endividada em mais de R$ 350 milhões, histórico de margens negativas e que desativava duas usinas, a Brasil Ecodiesel transformou-se em uma companhia com liquidez (mais dinheiro em caixa que dívidas) de R$ 50 milhões e lucro na produção de biodiesel. É por isso que Toledo acredita que a empresa conseguirá empréstimos para fusões ou aquisições.
Planejamento estratégico
Dentro de 45 a 60 dias, a companhia apresentará o seu novo planejamento estratégico, de cinco anos, sobre o qual a diretoria está debruçada. Entre os pontos praticamente fechados estão a decisão de cultivar os 42 mil hectares de terra que a empresa possui prioritariamente com o pinhão manso; a estratégia de se tornar um consolidador do setor; e os caminhos para elevar a rentabilidade. Dentre eles, o destaque é um plano para a substituição de matérias-primas caras,
como o óleo de soja, por outras menos nobres.
Esmagadoras
Ainda não está decidido o que será feito com as duas unidades de esmagamento de soja que a empresa possui e estão paradas.
O problema de operar essas plantas é que elas desviam a Brasil Ecodiesel de seu negócio principal, porque produzem óleo mas tambémgrandes quantidades de farelo de soja—atividade na qual a companhia não tem experiência.
Segundo Toledo, até o fim do ano a empresa decide se opera, vende ou faz parcerias com outras que tenham experiência em esmagamento para assumir as unidades e fornecer o óleo para a produção do biodiesel. As plantas podem ser facilmente adaptadas ao processamento do pinhão manso, o que pode levar a Brasil Ecodiesel a ficar com pelo menos uma esmagadora, anexa à usina de Iraquara (BA).

O alto teor de óleo (matéria-prima do biodiesel) e o fato de não ter outra finalidade são as grandes vantagens do pinhão-manso, mas a agronomia conhece pouco a planta. De toda forma, a decisão está praticamente tomada e será anunciada dentro do novo planejamento estratégico, em dezembro.
O diretor de Relações com Investidores, Charles Mann de Toledo, explica que o grande desafio do biodiesel é a redução dos custos. O biocombustível é mais caro que o diesel, o que atrapalha sua adoção. “A redução de custo passa por matérias-primas alternativas e domínio da oferta.”
O objetivo da Brasil Ecodiesel é fugir do óleo de soja, que tem função alimentar e cujos preços oscilam muito. “Não vamos nos divorciar tão cedo do óleo de soja, mas hoje a indústria é muito dependente dele”, diz.
A escolha do pinhão-manso terá outra consequência: obrigar a empresa a atuar no esmagamento da semente para a extração do óleo, uma vez que o negócio não interessará esmagadoras tradicionais, pelo menos no princípio. “O pinhão-manso vai forçar uma verticalização.”
Luiz Silveira
Jornal Brasil Economico
Com seu processo de restruturação financeira concluído, a Brasil Ecodiesel começa agora a olhar para o futuro, que deve incluir até fusões e aquisições nos próximos meses. A empresa, assim como várias outras do setor de biodiesel, investiu pesado em unidades de produção, mas encontrou dificuldades para tornar a atividade rentável e se endividou demais. A capacidade de produção da empresa equivale a mais de 50% das vendas do mercado brasileiro em 2008, que foram de 1,2 bilhão de litros.
Apesar de a indústria brasileira de biodiesel ter hoje uma ociosidade de quase 60%, a Brasil Ecodiesel vê sentido em absorver concorrentes agora. A ideia é aproveitar a situação das empresas em dificuldade financeira, muitas inoperantes, pensando no crescimento futuro da demanda. “Nos próximos meses começarão movimentos, inclusive da Brasil Ecodiesel, em uma onda de fusões e aquisições”, diz o diretor de Relações com Investidores, Charles Mann de Toledo. “Estamos nos preparando para ser consolidadores.” Há seis meses, pareceria um absurdo falar que a Brasil Ecodiesel compraria uma concorrente, tamanha a crise emque se afundava. “A empresa vendia o almoço para poder jantar”, recorda Toledo. Mas os credores aceitaram trocar dívidas por ações e renegociaram prazos. De uma empresa endividada em mais de R$ 350 milhões, histórico de margens negativas e que desativava duas usinas, a Brasil Ecodiesel transformou-se em uma companhia com liquidez (mais dinheiro em caixa que dívidas) de R$ 50 milhões e lucro na produção de biodiesel. É por isso que Toledo acredita que a empresa conseguirá empréstimos para fusões ou aquisições.
Planejamento estratégico
Dentro de 45 a 60 dias, a companhia apresentará o seu novo planejamento estratégico, de cinco anos, sobre o qual a diretoria está debruçada. Entre os pontos praticamente fechados estão a decisão de cultivar os 42 mil hectares de terra que a empresa possui prioritariamente com o pinhão manso; a estratégia de se tornar um consolidador do setor; e os caminhos para elevar a rentabilidade. Dentre eles, o destaque é um plano para a substituição de matérias-primas caras,
como o óleo de soja, por outras menos nobres.
Esmagadoras
Ainda não está decidido o que será feito com as duas unidades de esmagamento de soja que a empresa possui e estão paradas.
O problema de operar essas plantas é que elas desviam a Brasil Ecodiesel de seu negócio principal, porque produzem óleo mas tambémgrandes quantidades de farelo de soja—atividade na qual a companhia não tem experiência.
Segundo Toledo, até o fim do ano a empresa decide se opera, vende ou faz parcerias com outras que tenham experiência em esmagamento para assumir as unidades e fornecer o óleo para a produção do biodiesel. As plantas podem ser facilmente adaptadas ao processamento do pinhão manso, o que pode levar a Brasil Ecodiesel a ficar com pelo menos uma esmagadora, anexa à usina de Iraquara (BA).

Planejamento incluirá plantio comercial imediato do pinhão-manso
As experiências em 5 mil hectares plantados com o pinhão manso, uma árvore nunca antes usada com fins comerciais, estão levando a Brasil Ecodiesel a adotar a cultura como prioridade para o plantio em suas terras.O alto teor de óleo (matéria-prima do biodiesel) e o fato de não ter outra finalidade são as grandes vantagens do pinhão-manso, mas a agronomia conhece pouco a planta. De toda forma, a decisão está praticamente tomada e será anunciada dentro do novo planejamento estratégico, em dezembro.
O diretor de Relações com Investidores, Charles Mann de Toledo, explica que o grande desafio do biodiesel é a redução dos custos. O biocombustível é mais caro que o diesel, o que atrapalha sua adoção. “A redução de custo passa por matérias-primas alternativas e domínio da oferta.”
O objetivo da Brasil Ecodiesel é fugir do óleo de soja, que tem função alimentar e cujos preços oscilam muito. “Não vamos nos divorciar tão cedo do óleo de soja, mas hoje a indústria é muito dependente dele”, diz.
A escolha do pinhão-manso terá outra consequência: obrigar a empresa a atuar no esmagamento da semente para a extração do óleo, uma vez que o negócio não interessará esmagadoras tradicionais, pelo menos no princípio. “O pinhão-manso vai forçar uma verticalização.”
Luiz Silveira
Jornal Brasil Economico
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