Inaugurada pelo presidente Lula em 2005 a usina já havia perdido o Selo Combustível Social e agora perde autorização da ANP
A ANP cancelou ontem a autorização de produção da Soyminas, a primeira usina de biodiesel a operar comercialmente no país. A planta, de pequeno porte, tinha capacidade produtiva de 14,4 milhões de litros ao ano e estava localizada no município de Cássia (MG). De acordo com as informações publicadas no Diário Oficial da União, o cancelamento ocorreu por requerimento da própria empresa.
O proprietário da Soyminas, engenheiro Artur Augusto Alves, recebeu a notícia com uma mistura de alívio e tristeza. “Chorei quando entreguei a carta à ANP pedindo a revogação da autorização. A Soyminas foi a primeira usina do Brasil autorizada pela ANP. É histórica essa fábrica”.
Alves conta que a empresa está passando por um processo de reestruturação. “Paramos de produzir biodiesel para focar na atividade de extração de óleo vegetal por solvente. Estamos trabalhando com oleaginosas de maior valor agregado, como o girassol”. Ele diz que produzir biodiesel só vale à pena para quem tem o selo Combustível Social. “Não dá para assumir contratos de cinco anos com agricultores familiares sem a garantia de conseguir vender biodiesel nos leilões”. A Soyminas foi a primeira a conquistar o selo (em novembro de 2005) e a segunda a perdê-lo (em junho de 2008).
História
Inaugurada em 2005, com a presença do presidente Lula e da ex-ministra Dilma Rousseff, a Soyminas nunca chegou a produzir biodiesel com regularidade e sempre com volumes muito pequenos. A usina só participou ativamente do primeiro leilão da ANP, realizado em novembro de 2005, quando vendeu 8,7 milhões de litros por um valor equivalente a R$ 16,5 milhões. Mas a empresa não conseguiu cumprir os contratos na época. Desde a inauguração, a usina mal chegou a produzir 500 mil litros.
Mais do que fabricar biodiesel, o propósito inicial da Soyminas era funcionar como uma usina experimental, permitindo resolver problemas tecnológicos e viabilizar a fabricação de biodiesel por rota etílica. Vender usinas baseadas nessa tecnologia foi então o primeiro front de negócios da empresa.
A tecnologia da Soyminas foi desenvolvida pelo próprio Alves e também foi utilizada pela Biolix em Rolândia, outra usina que produziu muito pouco, 138 mil litros e está parada desde 2007.
Em janeiro de 2007, a Soyminas foi vendida para um grupo de investidores liderado por Valter Egídio da Costa, da VEC Participações. Foram feitas alterações na fábrica, já com a intenção de produzir óleo vegetal. Mas sem conseguir retomar a produção de biodiesel nesse período, o grupo acabou devolvendo a usina em janeiro de 2009 para Alves.
A recente mudança no modelo de negócio foi necessária para reestruturar a empresa e injetar dinheiro em caixa. “Tive que enxugar a empresa. Foi uma questão de sobrevivência”, revela. Alves diz que os equipamentos da usina de biodiesel foram descontaminados para serem utilizados no processo de degomagem e refino do óleo vegetal. “Não tenho a intenção de vender nada. No futuro, se não tiver mais leilões, podemos pensar em voltar a fabricar biodiesel”.

Presidente Lula conversa com o proprietário da Soyminas, Artur Augusto Alves, durante inauguração da Usina de Biodiesel
(Cássia, MG, 24/03/2005)
Alice Duarte – BiodieselBR.com
Foto: Ricardo Stuckert/PR
A ANP cancelou ontem a autorização de produção da Soyminas, a primeira usina de biodiesel a operar comercialmente no país. A planta, de pequeno porte, tinha capacidade produtiva de 14,4 milhões de litros ao ano e estava localizada no município de Cássia (MG). De acordo com as informações publicadas no Diário Oficial da União, o cancelamento ocorreu por requerimento da própria empresa.
O proprietário da Soyminas, engenheiro Artur Augusto Alves, recebeu a notícia com uma mistura de alívio e tristeza. “Chorei quando entreguei a carta à ANP pedindo a revogação da autorização. A Soyminas foi a primeira usina do Brasil autorizada pela ANP. É histórica essa fábrica”.
Alves conta que a empresa está passando por um processo de reestruturação. “Paramos de produzir biodiesel para focar na atividade de extração de óleo vegetal por solvente. Estamos trabalhando com oleaginosas de maior valor agregado, como o girassol”. Ele diz que produzir biodiesel só vale à pena para quem tem o selo Combustível Social. “Não dá para assumir contratos de cinco anos com agricultores familiares sem a garantia de conseguir vender biodiesel nos leilões”. A Soyminas foi a primeira a conquistar o selo (em novembro de 2005) e a segunda a perdê-lo (em junho de 2008).
História
Inaugurada em 2005, com a presença do presidente Lula e da ex-ministra Dilma Rousseff, a Soyminas nunca chegou a produzir biodiesel com regularidade e sempre com volumes muito pequenos. A usina só participou ativamente do primeiro leilão da ANP, realizado em novembro de 2005, quando vendeu 8,7 milhões de litros por um valor equivalente a R$ 16,5 milhões. Mas a empresa não conseguiu cumprir os contratos na época. Desde a inauguração, a usina mal chegou a produzir 500 mil litros.
Mais do que fabricar biodiesel, o propósito inicial da Soyminas era funcionar como uma usina experimental, permitindo resolver problemas tecnológicos e viabilizar a fabricação de biodiesel por rota etílica. Vender usinas baseadas nessa tecnologia foi então o primeiro front de negócios da empresa.
A tecnologia da Soyminas foi desenvolvida pelo próprio Alves e também foi utilizada pela Biolix em Rolândia, outra usina que produziu muito pouco, 138 mil litros e está parada desde 2007.
Em janeiro de 2007, a Soyminas foi vendida para um grupo de investidores liderado por Valter Egídio da Costa, da VEC Participações. Foram feitas alterações na fábrica, já com a intenção de produzir óleo vegetal. Mas sem conseguir retomar a produção de biodiesel nesse período, o grupo acabou devolvendo a usina em janeiro de 2009 para Alves.
A recente mudança no modelo de negócio foi necessária para reestruturar a empresa e injetar dinheiro em caixa. “Tive que enxugar a empresa. Foi uma questão de sobrevivência”, revela. Alves diz que os equipamentos da usina de biodiesel foram descontaminados para serem utilizados no processo de degomagem e refino do óleo vegetal. “Não tenho a intenção de vender nada. No futuro, se não tiver mais leilões, podemos pensar em voltar a fabricar biodiesel”.

Presidente Lula conversa com o proprietário da Soyminas, Artur Augusto Alves, durante inauguração da Usina de Biodiesel
(Cássia, MG, 24/03/2005)
Alice Duarte – BiodieselBR.com
Foto: Ricardo Stuckert/PR
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