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Amazonas pode ter sua primeira grande usina de biodiesel

A empresa informou que a tecnologia já foi adquirida. Produção está prevista para começar em 2011
BiodieselBR.com 4 min de leitura
A empresa informou que a tecnologia já foi adquirida. Produção está prevista para começar em 2011

A empresa Biocombustíveis da Amazônia Ltda, de nome fantasia Biomaza, divulgou recentemente a compra de tecnologia para a construção de uma usina de biodiesel em Manaus. A aquisição, no valor de US$ 10 milhões, foi feita recentemente com a companhia de engenharia da Malásia, Lipochem, que fabrica usinas adaptadas para processar biodiesel de palma. O empreendimento, orçado em R$ 40 milhões no total, será instalado na Zona Franca de Manaus e terá capacidade de produção de 100 milhões de litros ao ano.  A Biomaza poderá ser a primeira indústria de biodiesel do Amazonas.

O projeto da usina foi aprovado ano passado no Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). De acordo com o presidente da empresa, Iderlon Azevedo, a unidade deverá entrar em operação em fevereiro ou março de 2011. Segundo informou a assessoria de imprensa da Suframa, as empresas com projetos aprovados no órgão têm o prazo máximo de três anos para se instalar no Estado.

O presidente da empresa informa que o processo de licenciamento no Estado é um pouco mais demorado que em outras regiões do país. Antes de buscar autorização de construção junto à ANP, Azevedo diz que é preciso obter licença de pelo menos quatro órgãos: Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (IPAAM), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam) e Suframa. “Agora falta apenas a licença da Sema para conseguirmos a autorização da ANP”, informa. A previsão é que as obras de construção estrutural iniciem em meados de junho, já que os equipamentos importados da Malásia estão programados para chegar em novembro.

Os R$ 40 milhões de investimento serão suficientes para preparar a usina para operar com capacidade inicial de 50 milhões de litros por ano. “Porém, os equipamentos que estamos importando estão dimensionados para 100 milhões de litros”, diz.

Matéria-prima
Questionado sobre como será resolvido o problema da logística de suprimento de matéria-prima Azevedo respondeu que isso já está definido, porém, por estratégia de mercado, a empresa não autoriza revelar quais serão as matérias-primas utilizadas. “Ninguém faria um investimento dessa magnitude sem ter tudo isso resolvido”, diz. No entanto em notícia publicada no Dow Jones Newswires no mês passado, foi informado que a empresa utilizaria óleo de dendê como principal matéria-prima, sendo que 60% – cerca de 60 mil toneladas – seria importado da Indonésia e da Malásia (cerca de 18 mil quilômetros de distância de Manaus), e os 40% restantes seria fornecido por pequenos agricultores da região, o que garantiria o selo Combustível Social para usina.

Iderlon Azevedo, que possui participação de 20% no negócio, também não quis revelar os nomes dos investidores. Apenas informou que o capital da empresa é 100% nacional. O executivo já atuou como representante do Conselho de Promoção do Óleo de Palma da Malásia no Brasil e atualmente é diretor da Braspalma Agro Industrial da Amazônia Ltda (onde também tem participação de 20%).

A Braspalma estava tocando um projeto de plantio e beneficiamento de dendê em Tefé, a 525 quilômetros de Manaus, em parceria com a Felda (órgão do governo malaio para o desenvolvimento da agricultura), e com o apoio do governo do Estado do Amazonas. O investimento total seria de R$ 200 milhões, e teria área inicial de plantio de 20 mil hectares, mas os planos foram frustrados. “Com a crise na economia a partir de outubro de 2008, que culminou com a forte alta no valor das commodities, ficou inviável levar o projeto a diante”, diz Azevedo.

O projeto iria ocupar áreas da extinta Empresa Amazonense de Dendê (Emade), que também fracassou na tentativa de transformar Tefé em pólo de produção de palma. Em 1993 a Emade foi encerrada, deixando áreas desmatadas.

Azevedo diz que agora a Braspalma apenas assessora outros grupos na implementação de projetos de cultivo de palma. “Hoje estamos com quatro estudos de viabilidade técnica e econômica encomendados por empresas nacionais e estrangeiras”, informa.

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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