O fato é que a Argentina deverá aumentar exponencialmente sua produção nos próximos anos. E é a demanda externa que explica que, no país, 75% dos principais projetos em andamento preveja exportar sua produção.
Mas, no mercado interno, a nova lei também aumentará o consumo. Acredita-se que a demanda local de biodiesel em 2010 poderia chegar a 632.000 toneladas / ano.
A regulamentação da lei que obriga a substituir 5% dos derivados de petróleo com biodiesel ou etanol é um impulso para as companhias petroleiras e de óleos de maior faturamento no país, que já têm seus próprios projetos a nível local. Quais são os maiores empreendimentos na Argentina?
A assinatura do presidente Néstor Kirchner do decreto regulamentar da Lei de Promoção de Biocombustíveis, na sexta-feira última, que obriga a substituir 5% de derivados do petróleo com biodiesel ou etanol, foi recebida entre os produtores como uma mensagem com forte estímulo para o progresso da Argentina no desenvolvimento das energias alternativas. Trata-se de um estímulo que servirá para concretizar, finalmente, os projetos de 26 empresas que a nível local já deram seus primeiros passos nesta indústria, e que prevêem elaborar um total de 3 milhões de toneladas do produto nos próximos anos.
Acredita-se que a Argentina esteja entre os países com maior potencial para a produção dos biocombustíveis, pelas vantagens comparativas que apresenta, com insumos a preços notavelmente mais baixos que a nível global. E que, diante disso, seria preciso que o Governo encarasse a produção como "uma política de Estado".
"É um bom sinal que o primeiro plano do Governo tenha anunciado isto. E, principalmente, que se abra um caminho de diálogo. Mas logo vamos ver os investimentos quando saírem as leis complementares", arriscou o titular da Associação Argentina de Biocombustíveis, Claudio Molina.
O balanço que os especialistas fazem do desenvolvimento da produção a nível local não é de todo auspicioso. “No momento, não estamos posicionados. O que nos falta como país é um pouco de consciência. O Brasil discute o tema em todos os foros internacionais, mas nós não temos a visão do que está ocorrendo no mundo com a mudança da matriz energética”, expressou em uma oportunidade a infobaeprofesional.com Martín Fraguío, diretor executivo de Maizar, a associação que concentra as grandes empresas da cadeia de comercialização do cereal.
Na mesma linha, Molina, opinou que hoje "estamos muito longe. Mas dentro de alguns anos vamos nos posicionar como um jogador importante no mercado internacional. Estamos na estrada; falta-nos começar a correr”.
Em sua última visita ao país, durante uma mesa redonda que manteve com jornalistas locais, o representante comercial dos Estados Unidos, John Veroneau reconheceu que não tinha muita informação sobre a produção de biocombustíveis na Argentina. Em uma consulta sobre se uma recente aliança estratégica entre o Brasil e os EUA incluiria algum vínculo comercial a nível local, o funcionário respondeu: "Não conheço o caso argentino. Não posso lhe responder sobre isso".
A produção mundial de etanol chega hoje a 50 milhões de metros cúbicos. Dos quais, Brasil e Estados Unidos geram 70%; quer dizer, 35 milhões. A Argentina hoje produz apenas 160 mil toneladas de etanol, mas com destinos diferentes dos biocombustíveis, como o uso medicinal.
Quanto ao biodiesel, pelo contrário, os principais jogadores são os Estados Unidos, Malásia e Indonésia, com uma produção total de 500 mil toneladas. Estima-se que, por volta de 2010, a Argentina poderia chegar a 2,9 toneladas de biodiesel, das quais 2,2 destinada ao mercado externo, e o 0,7 restante ao mercado interno.
O fato é que a Argentina deverá aumentar exponencialmente sua produção nos próximos anos. Os experts dão como certo que, no médio prazo, a União Européia e China não poderão se auto-abastecer: no maior bloco econômico, porque a lei prevê que todas as naftas e o diesel sejam misturadas até 2011 com biocombustíveis em 5,75%; e no mercado asiático porque espera- se que em 2020 essa mesma proporção seja de 10%. É esta demanda externa que explica que, no país, 75% dos principais projetos em andamento preveja exportar sua produção.
Mas, no mercado interno, a nova lei também aumentará o consumo. O último relatório da consultora Abeceb diz que “a demanda local de biodiesel em 2010 poderia chegar a 632.000 toneladas / ano”. E que “essa demanda vai precisar, em média, de 18 usinas com capacidade para 35.000 toneladas, cujo custo atualmente chega a U$S 13 milhões cada uma”. Assim, o abastecimento do mercado interno necessitará de um investimento total de pelo menos 264 milhões de dólares (144 milhões para o biodiesel, e o resto para o etanol).
Embora, na Argentina, a produção de biocombustíveis continua em uma etapa virtualmente artesanal, 26 empresas hoje, entre as quais se encontram as de óleos e petroleiras de maior faturamento no país, já consideraram projetos próprios para a produção de biodiesel. A capacidade prevista pelo total da usinas a instalar é de 3,1 milhões de toneladas anuais.
Confira a relação das usinas e projetos de biodiesel na Argentina
Ignacio Olivera Doll
Infobaeprofesional.com
Mas, no mercado interno, a nova lei também aumentará o consumo. Acredita-se que a demanda local de biodiesel em 2010 poderia chegar a 632.000 toneladas / ano.
A regulamentação da lei que obriga a substituir 5% dos derivados de petróleo com biodiesel ou etanol é um impulso para as companhias petroleiras e de óleos de maior faturamento no país, que já têm seus próprios projetos a nível local. Quais são os maiores empreendimentos na Argentina?
A assinatura do presidente Néstor Kirchner do decreto regulamentar da Lei de Promoção de Biocombustíveis, na sexta-feira última, que obriga a substituir 5% de derivados do petróleo com biodiesel ou etanol, foi recebida entre os produtores como uma mensagem com forte estímulo para o progresso da Argentina no desenvolvimento das energias alternativas. Trata-se de um estímulo que servirá para concretizar, finalmente, os projetos de 26 empresas que a nível local já deram seus primeiros passos nesta indústria, e que prevêem elaborar um total de 3 milhões de toneladas do produto nos próximos anos.
Acredita-se que a Argentina esteja entre os países com maior potencial para a produção dos biocombustíveis, pelas vantagens comparativas que apresenta, com insumos a preços notavelmente mais baixos que a nível global. E que, diante disso, seria preciso que o Governo encarasse a produção como "uma política de Estado".
"É um bom sinal que o primeiro plano do Governo tenha anunciado isto. E, principalmente, que se abra um caminho de diálogo. Mas logo vamos ver os investimentos quando saírem as leis complementares", arriscou o titular da Associação Argentina de Biocombustíveis, Claudio Molina.
O balanço que os especialistas fazem do desenvolvimento da produção a nível local não é de todo auspicioso. “No momento, não estamos posicionados. O que nos falta como país é um pouco de consciência. O Brasil discute o tema em todos os foros internacionais, mas nós não temos a visão do que está ocorrendo no mundo com a mudança da matriz energética”, expressou em uma oportunidade a infobaeprofesional.com Martín Fraguío, diretor executivo de Maizar, a associação que concentra as grandes empresas da cadeia de comercialização do cereal.
Na mesma linha, Molina, opinou que hoje "estamos muito longe. Mas dentro de alguns anos vamos nos posicionar como um jogador importante no mercado internacional. Estamos na estrada; falta-nos começar a correr”.
Em sua última visita ao país, durante uma mesa redonda que manteve com jornalistas locais, o representante comercial dos Estados Unidos, John Veroneau reconheceu que não tinha muita informação sobre a produção de biocombustíveis na Argentina. Em uma consulta sobre se uma recente aliança estratégica entre o Brasil e os EUA incluiria algum vínculo comercial a nível local, o funcionário respondeu: "Não conheço o caso argentino. Não posso lhe responder sobre isso".
A produção mundial de etanol chega hoje a 50 milhões de metros cúbicos. Dos quais, Brasil e Estados Unidos geram 70%; quer dizer, 35 milhões. A Argentina hoje produz apenas 160 mil toneladas de etanol, mas com destinos diferentes dos biocombustíveis, como o uso medicinal.
Quanto ao biodiesel, pelo contrário, os principais jogadores são os Estados Unidos, Malásia e Indonésia, com uma produção total de 500 mil toneladas. Estima-se que, por volta de 2010, a Argentina poderia chegar a 2,9 toneladas de biodiesel, das quais 2,2 destinada ao mercado externo, e o 0,7 restante ao mercado interno.
O fato é que a Argentina deverá aumentar exponencialmente sua produção nos próximos anos. Os experts dão como certo que, no médio prazo, a União Européia e China não poderão se auto-abastecer: no maior bloco econômico, porque a lei prevê que todas as naftas e o diesel sejam misturadas até 2011 com biocombustíveis em 5,75%; e no mercado asiático porque espera- se que em 2020 essa mesma proporção seja de 10%. É esta demanda externa que explica que, no país, 75% dos principais projetos em andamento preveja exportar sua produção.
Mas, no mercado interno, a nova lei também aumentará o consumo. O último relatório da consultora Abeceb diz que “a demanda local de biodiesel em 2010 poderia chegar a 632.000 toneladas / ano”. E que “essa demanda vai precisar, em média, de 18 usinas com capacidade para 35.000 toneladas, cujo custo atualmente chega a U$S 13 milhões cada uma”. Assim, o abastecimento do mercado interno necessitará de um investimento total de pelo menos 264 milhões de dólares (144 milhões para o biodiesel, e o resto para o etanol).
Embora, na Argentina, a produção de biocombustíveis continua em uma etapa virtualmente artesanal, 26 empresas hoje, entre as quais se encontram as de óleos e petroleiras de maior faturamento no país, já consideraram projetos próprios para a produção de biodiesel. A capacidade prevista pelo total da usinas a instalar é de 3,1 milhões de toneladas anuais.
Confira a relação das usinas e projetos de biodiesel na Argentina
Ignacio Olivera Doll
Infobaeprofesional.com
Tags
Argentina