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Casca de Arroz: Energia

No Brasil há centenas de usinas de beneficiamento de arroz, 300 delas localizadas no Rio Grande do Sul.

Setor arrozeiro

No Brasil há centenas de usinas de beneficiamento de arroz, 300 delas localizadas no Rio Grande do Sul. O beneficiamento de arroz não ocorre, necessariamente, próximo ao local da produção, uma vez que o transporte do arroz bruto – ou arroz em casca – para seu beneficiamento próximo do mercado consumidor, é economicamente justificável. Assim, o Estado de São Paulo, que não é um grande produtor, tem razoável capacidade de beneficiamento.

As usinas de beneficiamento de arroz são classificadas em três grupos: as exclusivamente produtoras de arroz branco, as exclusivamente produtoras de arroz parbolizado e as unidades produtoras de arroz branco e parabolizado. A maior parte da produção brasileira é de arroz branco, concentrada no Rio Grande do Sul. Santa Catarina, o segundo maior estado produtor, concentra a produção de arroz parabolizado. Segundo o IBGE (2003) os Estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm produção de arroz em casca, acima de 700 mil t/ano.

O arroz vem da lavoura com 25-30% de umidade, índice que varia com as condições de plantio e com a época do ano. A umidade precisa ser reduzida para 12-15% para que o arroz seja beneficiado e, no máximo a 13%, para que seja armazenado. A secagem é feita com queima da casca e os gases de combustão são empregados como meio de aquecimento. Uma usina exclusivamente produtora de arroz branco não tem consumo de vapor de processo. O poder calorífico superior, em base seca, da casca de arroz, é 15,84 GJ/t. O poder calorífico inferior, com umidade de 11%, é de 12,96 GJ/t, muito superior ao bagaço de cana.

Já uma usina produtora de arroz parabolizado tem demanda de vapor na produção industrial, (i) para o encharcamento do arroz, (ii) nas autoclaves, (iii) para a própria parabolização do grão e, em algumas indústrias, (iv) na secagem.

Uma usina de beneficiamento de arroz recebe o arroz colhido, que é transportado com casca para a usina. Segundo dados técnicos, ao longo de um ano, aproximadamente 15% da casca produzida é destinada à secagem do arroz, atividade que ocorre principalmente no período de colheita (janeiro a abril). A secagem se concentra nesses meses, consumindo 60% da casca recolhida. Estima-se que, de toda a casca produzida ao longo de um ano, apenas 50% podem ser utilizados na produção de eletricidade, uma vez que, além dos 15% destinados à secagem, cerca de 35% estão disponíveis em pequenas indústrias, espacialmente dispersas. A casca é um material de densidade muito baixa, sendo o transporte viabilizado apenas para frete de retorno.

 

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