Finalmente chegamos a janeiro de 2008, data muito aguardada por toda a nossa comunidade do biodiesel desde que o Congresso Nacional aprovou em 13 de janeiro de 2005 Lei nº 11.097. Mas, como noticiado aqui no nosso portal no dia 02 de janeiro, a obrigatoriedade entrou em vigor sem biodiesel no mercado! De fato, a única certeza que temos até agora é que o desejo muitas vezes repetido do Presidente Lula de antecipar a obrigatoriedade do uso de B2 não se concretizou. E, como todos sabem, o motivo é que não houve oferta de biodiesel que garantisse essa antecipação!
Segundo os dados oficiais publicados no portal da ANP, em 23 de novembro de 2007 tínhamos uma capacidade instalada para produção de biodiesel estimada em aproximadamente 2,5 bilhões de litros ao ano, o que garantiria inclusive a adoção imediata do B6. No entanto, até outubro de 2007, ainda utilizando dados oficiais disponibilizados pela ANP, menos de 300 milhões de litros haviam sido produzidos. Se fizermos uma projeção da nossa real capacidade de produção a partir dos dados de outubro de 2007 (53 milhões de litros), chegaremos ao um valor de aproximadamente 600 milhões de litros, o qual esta abaixo do necessário para garantir o B2 e muito abaixo da nossa capacidade de produção.
Eu estou escrevendo desde os Estados Unidos, onde estou atuando mais uma vez como pesquisador visitante por um curto período em um importante laboratório vinculado ao Departamento de Agricultura deste país, onde trabalham importantes pesquisadores de biodiesel. Diferentemente do clima que encontrei em anos anteriores, a sensação que tenho é que o pessoal também aqui está bastante desanimado com a atual situação da indústria do biodiesel. E não é para menos. Segundo dados disponíveis no portal do National Biodiesel Board (www.biodiesel.org), a capacidade instalada neste país para produção de biodiesel era de 1,85 bilhões de galões ao ano (aproximadamente 7 bilhões de litros ao ano) em setembro de 2007. No entanto, segundo dados oficiais do governo (.xls), entre janeiro de setembro de 2007 apenas 3 milhões de barris (aproximadamente 500 milhões de litros) haviam sido produzidos. Ou seja, o problema de fabricas paradas ou trabalhando muito abaixo da sua capacidade parece ser dilema comum aos nossos países!
Este assunto tem aparecido frequentemente nas colunas e noticias do nosso portal, tendo sido dadas diversas explicações para a falta de biodiesel no mercado. Por exemplo, muitas pessoas têm creditado a nossa baixa produção com a existência como incentivo governamental apenas de renuncia de tributos federais atrelada ao uso de matéria-prima gerada pela agricultura familiar. No entanto, diferentemente da nossa realidade, aqui nos Estados Unidos existem subsídios federais à produção de biodiesel sem nenhuma relação com políticas sociais, o que parece não resolver o problema. Levando em conta tudo o que já li, escutei em palestras e conversei com especialistas, a razão parece ser mesmo a escassez e/ou alto custo da matéria-prima. Ou, como já defendi aqui nesta coluna algumas vezes, e parafraseando o nosso ilustre colunista Univaldo Vedana, ainda “o desafio é encontrar a cana do biodiesel”. Ou seja, precisamos urgentemente encontrar uma fonte de óleo ou gordura que produza de forma barata e sem competir com a produção de alimentos!
Encerro aqui esta coluna, provavelmente a mais pessimista de todas, desejando um feliz ano a todos os navegantes neste barco chamado biodiesel. Mas, principalmente, desejando que neste ano, o qual deveria ser apenas para comemorar o inicio da obrigatoriedade do B2, consigamos encontrar soluções para todos os gargalos que estão fazendo com que o nosso Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel pareça estar em volto em uma densa neblina!
Paulo Anselmo Ziani Suarez é engenheiro químico, colunista BiodieselBR.com, com pós-doutorado pelo National Center for Agricultural Utilization Research dos Estados Unidos.
E-mail: psuarez@unb.br
Saiba mais sobre o autor.
Segundo os dados oficiais publicados no portal da ANP, em 23 de novembro de 2007 tínhamos uma capacidade instalada para produção de biodiesel estimada em aproximadamente 2,5 bilhões de litros ao ano, o que garantiria inclusive a adoção imediata do B6. No entanto, até outubro de 2007, ainda utilizando dados oficiais disponibilizados pela ANP, menos de 300 milhões de litros haviam sido produzidos. Se fizermos uma projeção da nossa real capacidade de produção a partir dos dados de outubro de 2007 (53 milhões de litros), chegaremos ao um valor de aproximadamente 600 milhões de litros, o qual esta abaixo do necessário para garantir o B2 e muito abaixo da nossa capacidade de produção.
Eu estou escrevendo desde os Estados Unidos, onde estou atuando mais uma vez como pesquisador visitante por um curto período em um importante laboratório vinculado ao Departamento de Agricultura deste país, onde trabalham importantes pesquisadores de biodiesel. Diferentemente do clima que encontrei em anos anteriores, a sensação que tenho é que o pessoal também aqui está bastante desanimado com a atual situação da indústria do biodiesel. E não é para menos. Segundo dados disponíveis no portal do National Biodiesel Board (www.biodiesel.org), a capacidade instalada neste país para produção de biodiesel era de 1,85 bilhões de galões ao ano (aproximadamente 7 bilhões de litros ao ano) em setembro de 2007. No entanto, segundo dados oficiais do governo (.xls), entre janeiro de setembro de 2007 apenas 3 milhões de barris (aproximadamente 500 milhões de litros) haviam sido produzidos. Ou seja, o problema de fabricas paradas ou trabalhando muito abaixo da sua capacidade parece ser dilema comum aos nossos países!
Este assunto tem aparecido frequentemente nas colunas e noticias do nosso portal, tendo sido dadas diversas explicações para a falta de biodiesel no mercado. Por exemplo, muitas pessoas têm creditado a nossa baixa produção com a existência como incentivo governamental apenas de renuncia de tributos federais atrelada ao uso de matéria-prima gerada pela agricultura familiar. No entanto, diferentemente da nossa realidade, aqui nos Estados Unidos existem subsídios federais à produção de biodiesel sem nenhuma relação com políticas sociais, o que parece não resolver o problema. Levando em conta tudo o que já li, escutei em palestras e conversei com especialistas, a razão parece ser mesmo a escassez e/ou alto custo da matéria-prima. Ou, como já defendi aqui nesta coluna algumas vezes, e parafraseando o nosso ilustre colunista Univaldo Vedana, ainda “o desafio é encontrar a cana do biodiesel”. Ou seja, precisamos urgentemente encontrar uma fonte de óleo ou gordura que produza de forma barata e sem competir com a produção de alimentos!
Encerro aqui esta coluna, provavelmente a mais pessimista de todas, desejando um feliz ano a todos os navegantes neste barco chamado biodiesel. Mas, principalmente, desejando que neste ano, o qual deveria ser apenas para comemorar o inicio da obrigatoriedade do B2, consigamos encontrar soluções para todos os gargalos que estão fazendo com que o nosso Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel pareça estar em volto em uma densa neblina!
Paulo Anselmo Ziani Suarez é engenheiro químico, colunista BiodieselBR.com, com pós-doutorado pelo National Center for Agricultural Utilization Research dos Estados Unidos.
E-mail: psuarez@unb.br
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