BiodieselBR

"Futuro da Bioenergia"

Quando falo na integração energética, na sinergia promovida entre uma usina de etanol e uma usina de biodiesel interligadas, aí eles vão ao êxtase. Não se trata apenas de um potencial em um país qualquer, mas um país que possui uma economia aberta, que já possui várias empresas internacionais no setor de biocombustíveis e respeita essa parceria.
Prof. Donato Aranda 4 min de leitura
Nos dias 6 e 7 de Fevereiro realizou-se o seminário internacional “The Future of  Forest Bioenergy” em Estocolmo, Suécia. O Seminário foi organizado pela Real Academia de Ciências e Engenharia da Suécia. Na oportunidade, tive o privilégio de representar o nosso país. Entre os palestrantes estavam o Ministro de Energia da Suécia, o Embaixador Norte-Americano e vários presidentes e vice-presidentes de empresas como Shell, Volvo, ABB, Stora Enso, AF, entre outros. O seminário obteve uma ampla cobertura da imprensa sueca e foi transmitido por uma rede chinesa de televisão.

Na Europa, nunca se falou tanto em aquecimento global como atualmente. Mais ainda, nunca se falou tanto em energias alternativas, sobretudo biocombustíveis como agora. Na ocasião do evento, a temperatura de Estocolmo oscilou entre -2 e 0 oC. Muito aquém da média de -20 oC usual nessa época do ano, naquele país. A Suécia já importa etanol do Brasil e planeja importar também o biodiesel. O Ministro de Energia reafirmou a meta de atingir-se 0 (zero) % de combustíveis fósseis no país até 2020 (participei também de uma reunião privada do Comitê Energético da Academia Real da Suécia. Essa meta é tratada com grande orgulho e desafio por parte deles). Apesar de importadores do nosso álcool, a Suécia já possui plantas-piloto de obtenção de álcool a partir da celulose da madeira. O embaixador norte-americano enfatizou a relevância dos biocombustíveis e afirmou o co-finaciamento de pesquisas no setor, mesmo em projetos fora dos EUA. Empresas como a Shell apresentam os números com orgulho, mostrando ser a líder mundial na distribuição de biocombustíveis.

De uma forma geral, os nossos números também são esmagadores. Seja no volume de produção do etanol, nos empregos que geramos nesse setor, no balanço energético (que fiz questão de compará-lo com o etanol a partir do milho) e na grande velocidade com que caminha o programa do biodiesel. Alguns da platéia visitaram o Brasil há dois anos atrás quando haviam apenas pequenas plantas demonstrativas em alguma universidades e a planta da Agropalma estava sendo inaugurada. Quando se fala no potencial, na quantidade de terra disponível, no balanço energético fantástico da palma e do pinhão manso, ou mesmo na geração extra de proteína, via farelo de soja, o primeiro mundo realmente fica perplexo. Não entendem também como que as fábricas estão todas sendo feitas no Brasil e que muito desenvolvimento tecnológico está ocorrendo também aqui.. Quando falo na integração energética, na sinergia promovida entre uma usina de etanol e uma usina de biodiesel interligadas, aí eles vão ao êxtase. Não se trata apenas de um potencial em um país qualquer, mas um país que possui uma economia aberta, que já possui várias empresas internacionais no setor de biocombustíveis e respeita essa parceria. Além das próprias empresas de origem nacional e que já vêm fazendo seus “IPOs” na BOVESPA. Por outro lado nossa responsabilidade é muito grande. Cabe a todos nós, pesquisadores, produtores, consultores, investidores do setor, agentes reguladores, entre tantos outros envolvidos na cadeia dos biocombustíveis, aplicarmos o máximo de seriedade, profissionalismo, visão coletiva e de longo prazo para que todo esse potencial se concretize. O mundo, mais do que nunca, realmente espera por isso. E o planeta, agradece.

Obs: Algumas das apresentações desse evento encontram-se no site da Academia Sueca (www.iva.se), no canto inferior, lado direito.

Donato Aranda é colunista do site BiodieselBR. Saiba mais sobre o autor.
Compartilhar: