Com 50% à venda, BSBios tenta melhorar números


Uma das líderes do país em um mercado que tende a crescer nos próximos anos, a BSBios tem uma lista natural de interessados nacionais e estrangeiros na aquisição dos 50% da empresa que foram colocados à venda pela Petrobras, mas o quadro financeiro gera dúvida quanto ao valor do negócio. A companhia soma R$ 152,9 milhões em prejuízo entre 2013 e 2016, de acordo com o balanço da Petrobras Biocombustível. O endividamento da fabricante de biodiesel também gera incerteza. O passivo consolidado de 2015, último ano com dados conhecidos, chegava a R$ 763 milhões.

“A grande questão é por quanto a Petrobras quer vender, porque pagou um valor considerável quando comprou. De lá para cá, a empresa acumulou passivo de algumas centenas de milhões de reais”, pondera Miguel Angelo Vedana, sócio da consultoria Vedana & Goulart, especializada no setor de biodiesel.

Embora prefira não revelar os números, o presidente da BSBios – e dono dos outros 50% –, Erasmo Battistella, diz que os números de 2017 devem mostrar lucro, além de queda no endividamento – fruto da venda de ativos como 14 unidades originadoras de grãos ano passado para a Cotrijal. Battistella tem preferência para comprar a parte da Petrobras e admite o interesse em permanecer na companhia e no setor, mas diz que tomará decisão apenas no final do processo que acredita tenha desfecho em meados de 2018. A possibilidade de também vender os seus 50%, por enquanto, não é considerada.

“Neste momento, não está no meu radar”, diz Battistella, lembrando que a intenção da Petrobras de se desfazer de ativos na área de biocombustíveis não é novidade e que o anúncio da estatal não muda o dia a dia da empresa.

Entre estrangeiros, um dos possíveis interessados seria a Louis Dreyfus, que tem usinas de biodiesel na Argentina, mas não no Brasil. ADM, Cargill e Bunge também seriam possibilidades. Entre os grupos nacionais, Caramuru e Oleoplan também são possibilidades.

A compra de metade da BSBios pela Petrobras Biocombustível foi cercada de polêmica. A contestação foi de que os valores desembolsados seriam superiores aos de mercado. Em maio de 2009, a empresa gaúcha adquiriu a totalidade da usina de Marialva, no Paraná, por R$ 37 milhões. Seis meses depois, a estatal gastou R$ 55 milhões para ter metade do negócio. Em julho de 2011, voltou a desembolsar R$ 200 milhões para ficar com 50% da unidade da BSBios em Passo Fundo.

A entrada no setor de biocombustíveis também só deu dor de cabeça para a petroleira, que está em processo de venda ou encerramento de unidades, inclusive de etanol. Nos últimos quatro anos, a Petrobras Biocombustível soma prejuízo de mais de R$ 3 bilhões.

O cenário do setor, com as usinas em regra com alta ociosidade, tende a melhorar. Neste ano começou a valer o B8 (mistura de 8% de biodiesel no diesel) e, mês passado, o governo federal decidiu que o B10, antes previsto para 2019, vai entrar em vigor em março do próximo ano.

O secretário de desenvolvimento econômico de Passo Fundo, Carlos Eduardo Lopes da Silva, observa que a empresa é responsável por cerca de 10% do PIB do município, mas por enquanto não há qualquer apreensão com o negócio anunciado pela Petrobras:

“Acreditamos que não haverá impacto significativo porque não muda a estratégia de atuação da BSBios na cidade”, diz Silva.

A BSBios

50% Petrobras Biocombustível S/A
50% R.P. Biocombustíveis Holding S/A

Perfil da empresa
Receita bruta em 2016: R$ 2,26 bilhões
Prejuízo: R$ 41,9 milhões
Unidades: Passo Fundo e Marialva (PR)
Capacidade: 576 milhões de litros/ano
Produção: 327 milhões de litros (em 2017, até outubro)
Consumo de soja: 3 mil toneladas/dia
Capacidade de armazenagem: 120 mil toneladas de grãos, 60 mil toneladas de farelo e 12 milhões de litros de biodiesel
Funcionários: 335, sendo 242 em Passo Fundo e 93 Marialva (PR)
Produção: 327 milhões de litros (em 2017, até outubro)

O negócio
- R.P. Biocombustíveis Holding S/A, de Erasmo Battistella, tem a preferência para comprar a parte da Petrobras
- A R.P. Biocombustíveis Holding S/A também poderá vender sua parte, quiser.

Critérios para se habilitar à compra
- Atuar no setor de biodiesel ou na sua cadeia, a partir da etapa de esmagamento da soja
- Ter patrimônio líquido igual ou superior a R$ 400 milhões
- Ter ativos de pelo menos R$ 1 bilhão
 

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