Na véspera do anúncio do B7, Câmara debate biodiesel
Reunião realizada pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados realizou nessa terça-feira um seminário para debater a situação da indústria do biodiesel no Brasil.
BiodieselBR.com ··5 min de leitura
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Na manhã desta terça-feira (27), a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CDMS) da Câmara dos Deputados realizou o “Seminário Biodiesel: Produzindo Energia e Limpando o Ambiente”.
O presidente do conselho superior da Ubrabio, Juan Diego Ferrés já revelou o que espera do governo após o anúncio do B7, que deve ser feito amanhã.
Na manhã desta terça-feira (27), a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CDMS) da Câmara dos Deputados realizou o “Seminário Biodiesel: Produzindo Energia e Limpando o Ambiente”.
A mesa foi composta pelo presidente do conselho superior da União Brasileira do Biodiesel e Bioqueroseje (Ubrabio), Juan Diego Ferrés; pelo chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira Souza Jr.; e pelo deputado federal Bohn Gass (PT/RS).
Em sua fala de abertura, o deputado Macedo lembrou que o evento acontecia precisamente às vésperas da cerimônia na qual a presidente Dilma Rousseff anunciaria a edição de uma Medida Provisória que aumentará a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel consumido no Brasil. “Estamos reunidos aqui sob a expectativa da retomada da trajetória exitosa que o programa [de biodiesel] experimentou entre 2008 e 2010”, comemorou o deputado. “Mais de 20 unidades estão paralisadas em virtude do acentuado deslocamento entre oferta e demanda, resultando em mais de 60% de ociosidade da capacidade”, ressaltou.
O parlamentar também apontou que a progressão rumo ao B7 trará benefícios importantes ao reduzir o volume de diesel importado em cerca de 1,2 bilhão de litros anuais com economia de aproximadamente US$ 1 bilhão. As emissões de gás carbônico também seriam reduzidas em cerca de 70%, na comparação com o diesel convencional. Estes dados teriam levado o Ministério do Meio Ambiente (MMA) a apontar que a adoção do B10 até 2020 é fundamental para que Brasil alcance as metas de redução das emissões de gases do efeito estufa assumidas durante a Conferência do Clima de Copenhague em 2009.
Vantagens indiretas O deputado Bohn Gass fez questão de apontar os benefícios que o PNPB gerou para a agricultura brasileira – em especial a pequena produção familiar. “Do ponto de vista do agricultor, temos assentamentos da reforma agrária (...) cujas realidades podem ser dividida em antes e depois do biodiesel”, exaltou.
Outra vantagem apontada pelo deputado Gass está na maior estabilidade nos preços da soja. “Pode ter outras razões também, mas está [o biodiesel] é uma das razões. Nós não tivemos uma queda substancial no preço do grão de soja na época da safra. Porque ele não vai mais para um contêiner que vai para a Europa para ser agradado valor, isso é feito aqui”, afirmou.
Sucesso Já presidente do conselho da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, fez questão de ressaltar a trajetória de sucesso do PNPB até que, em janeiro de 2010, ele atingiu o teto de 5% de mistura previsto o marco regulatório lançado durante o governo Lula ainda em 2004. “Entre julho de 2008 e janeiro de 2010, a mistura cresceu a um ritmo muito importante superior a um ponto percentual ao ano até que, em 2010, sofreu esse represamento e ficou parada em 5%”, reclamou.
Indo um pouco na linha aberta pelo deputado Bohn Gass, o empresário destacou que a produção de biodiesel incentiva a produção nacional de farelo de soja criando benefícios para a atividade de pecuária. Segundo Ferrés, ao absorver parte da oferta de óleo vegetal, a indústria de biodiesel ajuda a diluir os custos de produção da cadeia da carne. “Dessa forma, os óleos vegetais têm nos biocombustíveis um mercado secundário, ajudando no crescimento seja mais equilibrado, permitindo a produção simultânea de óleos e proteína”, completou. Ele apontou que o Brasil ainda exporta uma quantidade muito grande de soja in natura que poderia ser processada internamente.
Nesse sentido, embora comemore o avanço da mistura obrigatória, Ferrés voltou a bater na questão da falta de um marco regulatório mais amplo para o setor. “É importante a previsibilidade futura. Não apenas sabermos que vai aumentar a mistura a partir de 1º de julho ou em 1º de novembro, mas sim que tenhamos condições de longo prazo para que os investimentos possam continuar sendo feitos”, pontuou, já lançando um pleito para que o B8 seja adotado em março de 2015 e, depois, aumentos de um ponto percentual por ano até chegar ao B10 em março de 2017.
Além disso, a Ubrabio pede que seja adotada uma baixa autorizativa até cinco pontos percentuais acima do uso obrigatório para que, em regiões nas quais o uso do biodiesel se mostre financeiramente vantajoso, os consumidores possam aumentar a mistura por conta própria sem ter que enfrentar um longo processo burocrático. O empresário também voltou a bater na tecla do B20 Metropolitano, pleito da Ubrabio que pede a liberação para as empresas de transportes públicos usarem 20% de biocombustível.
Em seguida falou o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manuel Teixeira Souza Jr, que apresentou diversas iniciativas da Embrapa relacionadas ao biodiesel e à biomassa. “Ao Brasil cabe o papel de protagonista de uma futura civilização da biomassa”, disparou, lembrando que a Embrapa defende as bandeiras da diversificação de fontes e do aproveitamento integral dos resíduos orgânicos. “Precisamos dar uma atenção maior a outras fontes de matérias-primas para a produção, não só de bioenergia, mas de blocos construtores para biomateriais e químicos renováveis”, completou.
Entre esses resíduos, o pesquisador destacou a possibilidade do aproveitamento do óleo de fritura na produção de biodiesel. “Não há dúvida que o biodiesel brasileiro é ambientalmente correto e socialmente justo”, encerrou.
É possível ter acesso a gravações do seminário em áudio e vídel clicando aqui.