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Associação das ferrovias diz porque não quer mais usar biodiesel

PleitoANTF 399614Em meados do mês passado, a ANTF apresentou ao Ministério dos Transportes um pedido para que o setor fique isendo da mistura de biodiesel.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Em meados de junho, as usinas foram surpreendidas com a notícia de que o setor ferroviário está pleiteando uma isenção da obrigatoriedade do uso de biodiesel. 

A reivindicação é encabeçada pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

PleitoANTF 399614
Em meados de junho, as usinas foram surpreendidas com a notícia de que o setor ferroviário está pleiteando uma isenção da obrigatoriedade do uso de biodiesel. A reivindicação é encabeçada pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Segundo dados fornecidos à BiodieselBR.com pela própria ANTF, o consumo de diesel de suas associadas ronda a cada dos 1,3 bilhões de litros por ano – isso representa aproximadamente 2,2% do consumo brasileiro em 2013. Caso a entidade tenha sucesso em seu pleito, o mercado brasileiro de biodiesel encolheria em mais de 91 milhões de litros, quando considerado o B7.

A ANTF diz que está querendo que o mercado tenha isonomia. “A exemplo do modal marítimo, que não possui a obrigatoriedade de uso do biodiesel misturado ao óleo diesel nas embarcações, a ANTF solicitou ao Ministério dos Transportes a revisão da obrigatoriedade das concessionárias sobre o uso de biodiesel ao diesel”, diz o presidente executivo da entidade, Gustavo Bambini.

Contudo, é preciso frisar que, no caso das embarcações, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entendeu que havia incertezas sobre a segurança do uso do biocombustível, uma vez que o biodiesel é mais vulnerável à deterioração em ambientes de elevada umidade e que podem ficar parados por muito tempo, o que poderia levar a formação de borras que podem entupir os motores deixando os barcos à deriva. Já no que concerne às concessionárias do modal ferroviário, o grande incômodo parece ser um só: o custo.

Pelas contas da ANTF, o custo do biodiesel é cerca de 30% maior que o do diesel comum o que encarece o preço do frete ferroviário. Segundo a associação, se não houvesse a obrigatoriedade do uso do biodiesel, as ferrovias reduziriam sua conta com combustíveis em 1,5%. 

Bambini também aponta que o uso do biodiesel levaria a um maior custo de manutenção dos equipamentos. “Para manter em operação um transporte que emite menos poluentes na natureza, é necessária a redução de gastos operacionais”, reivindica o presidente da ANTF, destacando que o transporte por ferrovias é “ambientalmente mais sustentável”. “Os trens de carga emitem 70% menos dióxido de carbono (CO2) e 66% menos monóxido de carbono (CO) do que os caminhões.” 

Resolução 
Eles também reclamam que a conta já ficou mais salgada com depois que a Resolução da ANP nº 65/2011 determinou que o diesel S1.800 – ainda usado pelos trens – só poderia ser comercializado a partir das refinarias de Paulínia e de Manaus. De acordo com Bambini, essa restrição impactou as contas do segmento. “As empresas ferroviárias sofreram um grande impacto financeiro, pois o custo do combustível se tornou ainda mais elevado”, expõe o presidente as ANTF. 

Para a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), o argumento apresentado pela ANTF representa um “contrassenso”. “Se eles têm essa dificuldade, esse custo de logística de levar o S1800 até determinados pontos, nós temos uma localização de usinas de biodiesel muito mais pulverizada [...] se aumentassem o uso de biodiesel talvez pudessem ter um custo menor”, avalia Julio Minelli, diretor superintendente da Aprobio.

Contrapontos
As entidades do setor do biodiesel rechaçam os argumentos apresentados pela ANTF. A Aprobio diz que, a se pautar nos preços realizados nos últimos leilões de biodiesel, os preços de diesel chegam, em algumas regiões do país, a ficar mais elevados. “No Centro-Oeste, isso é bem característico”, exemplifica Minelli.

O diretor da Aprobio também menciona um teste feito por uma das associadas da ANTF, com uma fornecedora de locomotivas – a GE –, no qual foi utilizada uma mistura de 25% de biodiesel ao diesel S1800. “Publicaram há dois, três meses, com resultados muito positivos, como diminuição da manutenção, e recomendando a utilização de uma maior quantidade de biodiesel”, informa Minelli. 

Para a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que congrega algumas das maiores usinas de biodiesel do Brasil, retroceder no uso do biodiesel “seria um grave erro de percurso”. “Considerando-se ainda que o uso do biodiesel no modal ferroviário trata-se de uma importante ferramenta para que as metas de reduções de emissões e de elevação do produto nacional sejam atingidas, a Abiove acredita que razoáveis seriam medidas de incentivo ao maior uso do biocombustível em trens no país”, defende Leonardo Zilio, assessor econômico da entidade.

Coincidência
Curiosamente, o mesmo pleito apresentado pela ANTF ao Ministério dos Transportes também aparece sob forma de emenda à Medida Provisória nº 647/2014 – que aumentou o percentual da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel para 6% agora em julho, e 7% em novembro próximo – e atualmente segue em tramitação no Congresso Nacional

Na justificação, o autor da emenda, o senador Clésio Andrade (PMDB/MG), diz que “considerando que o custo do diesel nas empresas é de 30% e que o setor ferroviário de cargas teve um grande impacto de custo do diesel diante da resolução da ANP nº 65 de 09/12/2011 [...] é importante que setor ferroviário seja excluído da obrigatoriedade da adição de biodiesel ao óleo diesel comercializado ao consumidor final, medidos em volume, em qualquer parte do território nacional”.

Contatado por BiodieselBR.com para fornecer mais informações sobre a proposta da emenda, o parlamentar não deu retorno até o fechamento deste texto.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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