

Na quarta (27) aconteceu primeira reunião do ano da CEIB. Nela a Abiove apresentou os resultados estudos que apoiam novos aumentos da mistura.

Na quarta-feira passada (27), foi realizada em Brasília (DF) a primeira reunião do ano da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel (CEIB) – principal instância de decisão do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Durante a reunião, representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) defenderam novos aumentos da mistura obrigatória. Para tanto, eles apresentaram os resultados de dois estudos: um sobre o balanço de carbono do biodiesel de soja e o outro sobre os impactos inflacionários da mistura.
Segundo o assessor econômico da Abiove, Leonardo Zilio, contou à BiodieselBR.com. O convite para que a entidade participasse da reunião da CEIB veio em 31 de janeiro quando os resultados do estudo sobre as emissões de gases do efeito estufa (GEEs) na produção de biodiesel foram apresentados à Casa Civil. De acordo com o economista, ambas as apresentações procuraram enfatizar as vantagens em promover o aumento da adição do biodiesel no óleo diesel ainda esse ano.
Estudos
Financiado por uma parceria entre a Abiove, a Ubrabio e a Aprosoja-MT e realizado pela consultoria paulista Delta CO2, o estudo “Pegada de Carbono na Produção de Biodiesel de Soja” constatou a troca do diesel fóssil por o combustível renovável feito com óleo de soja pode reduzir as emissões de gás carbônico entre 65% e 72%.
“O estudo também calculou quanto as emissões cairiam para diferentes percentuais. Se adotássemos o B20, teríamos uma redução de cerca de 10% na quantidade de GEEs emitidas pela queima de óleo diesel no Brasil. Isso é bastante significativo”, comemora.
O segundo estudo ainda não foi oficialmente apresentado pela Abiove – o relatório final ficou pronto só no dia 27 –, mas se trata de uma estimativa dos impactos inflacionários do biodiesel preparada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Zilio informa que os cálculos indicam que o impacto da adoção do B7 na cesta básica seria de irrisórios R$ 0,20 e nas passagens de ônibus seria de inferior a um centavo.
“Ele [o estudo] mostra que se adotássemos o B7, o impacto no IPCA praticamente imperceptível, na segunda casa decimal”, comemora Leonardo lembrando que esse novo estudo vai reafirma os resultados obtidos por um estudo similar realizado pela Fipe por encomenda da Aprobio e de um estudo que a própria FVG havia realizado para a Ubrabio em 2010.
Ele ainda diz que a reunião com o governo foi “muito proveitosa” e permitiu mostrar que esse é um ano bastante propício para que seja tomada a decisão de aumentar a mistura. “A gente também fez um exercício sobre qual seria o percentual de biodiesel que poderíamos chegar esse ano. Apenas com o óleo de soja a gente conseguiria manter as exportações e ainda chegar ao B7. Isso sem nem considerar outras matérias-primas. Nossa mensagem principal era que o mercado poderia crescer e aumentar sua responsabilidade na matriz energética nacional”, finaliza.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com