
No meio da realização do 46º Leilão de Biodiesel o setor foi pego de surpresa com a descoberta que a Petrobras tinha aumentado em 25% o valor que cobra para intermediar as transações de biodiesel. Já haviam transcorridos 8 leilões em que o valor cobrado pela Petrobras estava em R$ 20,00 por metro cúbico e sem nenhum aviso ou comunicado o custo subiu para R$ 25 por m³.
No meio da realização do 46º Leilão de Biodiesel o setor foi pego de surpresa com a descoberta que a Petrobras tinha aumentado em 25% o valor que cobra para intermediar as transações de biodiesel. Já haviam transcorridos 8 leilões em que o valor cobrado pela Petrobras estava em R$ 20,00 por metro cúbico e sem nenhum aviso ou comunicado o custo subiu para R$ 25 por m³.
Essa fatia do preço pago pelo biodiesel que fica com a Petrobras é chamada de ‘margem do adquirente’. No papel é a estatal que compra o biodiesel e revende para as distribuidoras. Ela teve início com o novo sistema de leilões, no 26º leilão, no valor de R$ 60 por m³. A justificativa dada para esse valor alto é que o estoque de biodiesel era feito fisicamente pela Petrobras. O custo do uso de tanques e muitas vezes do reprocessamento do biodiesel que ficava parado era o principal motivo do alto valor cobrado. Além disso, a Petrobras estava amortizando o custo de criar o programa dentro do Petronect que gerencia o leilão.
Dois leilões depois, no L28, a margem da Petrobras caiu para R$ 50 por m³. Depois do fim dos estoques físicos e início da entrada em funcionamento dos leilões de opções no L31, o preço foi sendo reduzido a cada leilão até atingir R$ 30 por m³ no L34. Essa redução ia acontecendo conforme os estoques físicos da Petrobras iam sendo reduzidos e seus custos equalizados.
No L38, o segundo leilão do B6, foi estabelecido o piso de R$ 20 por m³. Segundo explicado durante uma de suas apresentações nas Conferências BiodieselBR pelo ex-responsável pela comercialização de biodiesel da Petrobras, Sandro Barreto, o valor cobrado era equivalente a uma taxa de corretagem de cerca de 1% do valor da mercadoria. O valor era suficiente para cobrir todos os custos do negócio e dar lucro. Na apresentação foi explicitado que a operação precisava dar lucro e que os R$ 20 por m³ permitiam isso. A explicação sempre foi bem aceita, assim como o custo de ter a Petrobras intermediando os leilões.
Mas o aumento surpresa na margem do adquirente no último leilão acendeu uma luz amarela dentro do setor. O regulamento que informa o valor cobrado pela estatal estava em R$ 20 até o fim da etapa 2 do leilão. O valor só foi alterado no regulamento depois da publicação de reportagens de BiodieselBR e apenas no site da ANP. Nenhuma explicação sobre a razão da alteração foi dada.
Transparência é fundamental para a segurança de todo o processo do leilão. Ao alterar os preços da forma como fez a Petrobras sujou a vitrine que vinha se tornando uma das mais limpas do setor de biodiesel. Agora ninguém mais tem a garantia de que, sem qualquer aviso ao setor, o valor da margem não possa voltar aos, hoje absurdos, R$ 60 por m³.
Com ou sem explicações já chegou a hora do setor discutir e trabalhar para uma alternativa a Petrobras na realização dos leilões e no intermédio das vendas. Ficar na mão de um só fornecedor é ruim para qualquer negócio.
Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR.com