A duração extraordinária da Etala 3 do Leilão 59 mostra que passou da hora de resolver esse problema.
Todos já sabiam que a Etapa 3 do 59º Leilão de Biodiesel ia demorar bastante para acabar já estavam até preparados para ficarem até a metade da madrugada. E esse é o maior absurdo de todos. Não dá para aceitar como normal que um negócio que movimenta mais de R$ 2 bilhões de reais seja conduzido por pessoas privadas de descanso.
Todos já sabiam que a Etapa 3 do 59º Leilão de Biodiesel ia demorar bastante para acabar já estavam até preparados para ficarem até a metade da madrugada. E esse é o maior absurdo de todos. Não dá para aceitar como normal que um negócio que movimenta mais de R$ 2 bilhões de reais seja conduzido por pessoas privadas de descanso.
Deixar que o leilão chegue nesse ponto é tratar algo importante de qualquer jeito.
Há tempos os leilões vêm acabando tarde da noite ou mesmo avançado madrugada adentro. Em conversas entre o Governo, a Petrobras e ANP chegou-se a conclusão de que era preciso aumentar os incrementos mínimos nos lances das distribuidoras dos atuais R$ 5 para R$ 10. Uma mudança simples e que aceleraria substancialmente o andamento do processo. O problema é que a mudança precisa ser implementada por meio de uma portaria do MME que, até agora, não saiu.
O imbróglio atual é que junto com essa mudança querem colocar algumas diretrizes que fazem parte do RenovaBio – como a etapa exclusiva para as pequenas usinas. Por mais que o RenovaBio é um programa fundamental e as pequenas usinas tenham trabalhado duro para conseguir essa vantagem; isso não pode atrasar a implementação de uma mudança consensual e vista como necessária há mais de um ano.
No momento, é como se leilão fosse um ônibus com um pneu furado cujo motorista não quer parar porque mais adiante tem um posto de serviços onde será possível trocar o pneu, o óleo do motor, reabastecer e, de quebra, limpar o para-brisa do motorista. Os quilômetros passam até que, lá pelo Km 59, o pneu começa a pegar fogo e o motorista, finalmente, se dá conta de que vai precisar resolver o problema mais imediato.
Só que depois do que aconteceu na última sexta-feira (02), só aumentar o lance mínimo das distribuidoras pode ser insuficiente. Já que demoraram tanto para resolver esse problema, talvez seja a hora de criar uma solução definitiva, que tenha pequenas chances de repetir o que aconteceu nesse último leilão.
Desde a noite da quinta-feira (01) tenho ouvido e pensado em algumas alternativas para aumentar a velocidade dos leilões. Abaixo é apresentada a coletânea de ideias.
1 - Aumentar o lance mínimo
Essa é a solução mais simples que já vem sendo debatida desde antes do RenovaBio ou do B10. A ideia é passar o lance mínimo das distribuidoras de R$ 5 para R$ 10 por m³. A primeira vista isso reduziria o tempo do leilão em 50%. No entanto, na prática, a redução vá ser bem menor uma vez que parte dos lances já são dados acima do mínimo.
Uma estimativa mais realista é que a duração dos certames cairia entre 30% e 40%.
Se essas reduções tivessem sido aplicadas já na Etapa 3 do L59, ela teria terminado às 22h se o tempo fosse reduzido em 50%; às 00h30 se a redução fosse de 40% e; às 02h30 se a redução do tempo fosse de 30%. Mesmo na melhor das hipóteses, o resultado não seria ideal.
Para um leilão como o L59, o lance mínimo teria que ser de, pelo menos, 20 reais por m³. Resta saber se para as distribuidoras uma distância tão grande entre um lance e outro é aceitável.
2 - Lance mínimo variável
Caso as distribuidoras achem que subir R$ 20 nos lances seja algo temerário, poderia ser aplicado um sistema variável. Os incrementos mínimos passariam a variar entre R$ 10 e R$ 50. A cada, digamos, cinco minutos (ou qualquer outro espaço de tempo) sem aquisição de biodiesel novo, o lance mínimo sobe R$ 5 – até o teto de R$ 50 reais. E cada cinco minutos com compra de biodiesel novo o lance mínimo é reduzido em R$ 5.
O objetivo aqui é dar mais celeridade ao período de nivelamento de preços e mais tranquilidade quando biodiesel novo estiver sendo comprado.
3 - Volume mínimo variável
Aqui, além da questão do lance mínimo, haveria um volume mínimo que cada distribuidora poderia comprar – ele variaria de acordo com a participação de mercado da distribuidora.
Uma distribuidora com menos de 2% do mercado precisaria comprar biodiesel em lotes de, no mínimo, 15 m³; uma entre 2% e 10% do mercado nacional compraria 30 m³; e as grandes distribuidoras, com mais de 10% do mercado teriam que dar lances de 150 m³ no mínimo.
Essa proposta evitaria que ofertas de 1 m³ fossem dadas apenas para ganhar tempo.
O lado negativo dessa proposta é que as distribuidoras podem quere comprar volumes menores que o estabelecido. Também seria possível reduzir bastante a lista de compradores com base no volume adquirido. Se a oferta foi de 15 m³ é uma distribuidora pequena, de difícil dedução. Já as ofertas de 30m³ e 150 m³ são mais fáceis de deduzir. Mesmo sem saber qual a distribuidora, ficará fácil de saber se é uma distribuidora grande brigando com uma pequena. Talvez essa proposta não seja tão boa para as distribuidoras.
4 - Ofertas que saem da disputa
Outra ideia para acelerar a etapa de compras é retirar o biodiesel vendido. A cada hora de certame se inicia um período de retirada de biodiesel vendido. Esse período poderia durar até 10 minutos e pode acabar assim que começar, ou seja, o encerramento é aleatório. Quando acabasse, todo o biodiesel que já tivesse sido comprado sairia da disputa. Essa seria uma mudança muito mais radical do que as anteriores, pois muda a forma como as usinas recebem o ágio.
Da forma apresentada, um volume de biodiesel receberia ágio por no máximo uma hora e 10 minutos, período em que as ofertas com preços mais altos não teriam recebido nenhum lance. Assim, as usinas que oferecem preços mais baixos por seu produto, não veriam mais seus preços se nivelando ao das ofertas das usinas mais conservadoras como acontece hoje.
Essa mudança reduziria bastante as investidas do tipo tudo ou nada, onde as usinas colocam seu preço lá embaixo para garantir a venda de tudo o volume ofertado logo no começo do leilão para, depois, verem os preços subindo pouco a pouco conforme a disputa se arrasta.
5 - Limite entre as ofertas das usinas
Uma ideia que afeta as usinas mais que as distribuidoras é limitar a distância entre as três ofertas de cada uma delas. Com isso haveria limitação de quanto o preço do biodiesel deveria subir.
Essa proposta teria algum impacto no tempo, já que algumas usinas oferecem biodiesel com grandes diferenças de preços. Mas ela não resolveria o problema por que ainda haveria amplas diferenças entre as ofertas de usinas distintas. E as usinas ainda alegariam que a limitação de preços afetaria a disponibilidade de biodiesel, porque haveria limitação na compra de matéria-prima mais cara.
Previsão orçamentária
Independente da solução adotada, um grande problema é que, segundo a Petrobras, não há orçamento para que a Petronect faça alterações no sistema. O aumento no lance mínimo não necessita de mudança, já que exige a modificação de apenas um parâmetro já existente hoje.
Outras propostas, contudo, vão requerer desenvolvimento da ferramenta.
Mas nem por isso a discussão deve ser deixada de lado. É preciso fazer as mudanças possíveis o quanto antes e discutir a melhor solução para ser desenvolvida assim que possível. O setor não pode deixar para pensar e debater depois um problema que vem se arrastando há tempos e se tornou insustentável agora.
Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com
Todos já sabiam que a Etapa 3 do 59º Leilão de Biodiesel ia demorar bastante para acabar já estavam até preparados para ficarem até a metade da madrugada. E esse é o maior absurdo de todos. Não dá para aceitar como normal que um negócio que movimenta mais de R$ 2 bilhões de reais seja conduzido por pessoas privadas de descanso.
Deixar que o leilão chegue nesse ponto é tratar algo importante de qualquer jeito.
Há tempos os leilões vêm acabando tarde da noite ou mesmo avançado madrugada adentro. Em conversas entre o Governo, a Petrobras e ANP chegou-se a conclusão de que era preciso aumentar os incrementos mínimos nos lances das distribuidoras dos atuais R$ 5 para R$ 10. Uma mudança simples e que aceleraria substancialmente o andamento do processo. O problema é que a mudança precisa ser implementada por meio de uma portaria do MME que, até agora, não saiu.
O imbróglio atual é que junto com essa mudança querem colocar algumas diretrizes que fazem parte do RenovaBio – como a etapa exclusiva para as pequenas usinas. Por mais que o RenovaBio é um programa fundamental e as pequenas usinas tenham trabalhado duro para conseguir essa vantagem; isso não pode atrasar a implementação de uma mudança consensual e vista como necessária há mais de um ano.
No momento, é como se leilão fosse um ônibus com um pneu furado cujo motorista não quer parar porque mais adiante tem um posto de serviços onde será possível trocar o pneu, o óleo do motor, reabastecer e, de quebra, limpar o para-brisa do motorista. Os quilômetros passam até que, lá pelo Km 59, o pneu começa a pegar fogo e o motorista, finalmente, se dá conta de que vai precisar resolver o problema mais imediato.
Só que depois do que aconteceu na última sexta-feira (02), só aumentar o lance mínimo das distribuidoras pode ser insuficiente. Já que demoraram tanto para resolver esse problema, talvez seja a hora de criar uma solução definitiva, que tenha pequenas chances de repetir o que aconteceu nesse último leilão.
Desde a noite da quinta-feira (01) tenho ouvido e pensado em algumas alternativas para aumentar a velocidade dos leilões. Abaixo é apresentada a coletânea de ideias.
1 - Aumentar o lance mínimo
Essa é a solução mais simples que já vem sendo debatida desde antes do RenovaBio ou do B10. A ideia é passar o lance mínimo das distribuidoras de R$ 5 para R$ 10 por m³. A primeira vista isso reduziria o tempo do leilão em 50%. No entanto, na prática, a redução vá ser bem menor uma vez que parte dos lances já são dados acima do mínimo.
Uma estimativa mais realista é que a duração dos certames cairia entre 30% e 40%.
Se essas reduções tivessem sido aplicadas já na Etapa 3 do L59, ela teria terminado às 22h se o tempo fosse reduzido em 50%; às 00h30 se a redução fosse de 40% e; às 02h30 se a redução do tempo fosse de 30%. Mesmo na melhor das hipóteses, o resultado não seria ideal.
Para um leilão como o L59, o lance mínimo teria que ser de, pelo menos, 20 reais por m³. Resta saber se para as distribuidoras uma distância tão grande entre um lance e outro é aceitável.
2 - Lance mínimo variável
Caso as distribuidoras achem que subir R$ 20 nos lances seja algo temerário, poderia ser aplicado um sistema variável. Os incrementos mínimos passariam a variar entre R$ 10 e R$ 50. A cada, digamos, cinco minutos (ou qualquer outro espaço de tempo) sem aquisição de biodiesel novo, o lance mínimo sobe R$ 5 – até o teto de R$ 50 reais. E cada cinco minutos com compra de biodiesel novo o lance mínimo é reduzido em R$ 5.
O objetivo aqui é dar mais celeridade ao período de nivelamento de preços e mais tranquilidade quando biodiesel novo estiver sendo comprado.
3 - Volume mínimo variável
Aqui, além da questão do lance mínimo, haveria um volume mínimo que cada distribuidora poderia comprar – ele variaria de acordo com a participação de mercado da distribuidora.
Uma distribuidora com menos de 2% do mercado precisaria comprar biodiesel em lotes de, no mínimo, 15 m³; uma entre 2% e 10% do mercado nacional compraria 30 m³; e as grandes distribuidoras, com mais de 10% do mercado teriam que dar lances de 150 m³ no mínimo.
Essa proposta evitaria que ofertas de 1 m³ fossem dadas apenas para ganhar tempo.
O lado negativo dessa proposta é que as distribuidoras podem quere comprar volumes menores que o estabelecido. Também seria possível reduzir bastante a lista de compradores com base no volume adquirido. Se a oferta foi de 15 m³ é uma distribuidora pequena, de difícil dedução. Já as ofertas de 30m³ e 150 m³ são mais fáceis de deduzir. Mesmo sem saber qual a distribuidora, ficará fácil de saber se é uma distribuidora grande brigando com uma pequena. Talvez essa proposta não seja tão boa para as distribuidoras.
4 - Ofertas que saem da disputa
Outra ideia para acelerar a etapa de compras é retirar o biodiesel vendido. A cada hora de certame se inicia um período de retirada de biodiesel vendido. Esse período poderia durar até 10 minutos e pode acabar assim que começar, ou seja, o encerramento é aleatório. Quando acabasse, todo o biodiesel que já tivesse sido comprado sairia da disputa. Essa seria uma mudança muito mais radical do que as anteriores, pois muda a forma como as usinas recebem o ágio.
Da forma apresentada, um volume de biodiesel receberia ágio por no máximo uma hora e 10 minutos, período em que as ofertas com preços mais altos não teriam recebido nenhum lance. Assim, as usinas que oferecem preços mais baixos por seu produto, não veriam mais seus preços se nivelando ao das ofertas das usinas mais conservadoras como acontece hoje.
Essa mudança reduziria bastante as investidas do tipo tudo ou nada, onde as usinas colocam seu preço lá embaixo para garantir a venda de tudo o volume ofertado logo no começo do leilão para, depois, verem os preços subindo pouco a pouco conforme a disputa se arrasta.
5 - Limite entre as ofertas das usinas
Uma ideia que afeta as usinas mais que as distribuidoras é limitar a distância entre as três ofertas de cada uma delas. Com isso haveria limitação de quanto o preço do biodiesel deveria subir.
Essa proposta teria algum impacto no tempo, já que algumas usinas oferecem biodiesel com grandes diferenças de preços. Mas ela não resolveria o problema por que ainda haveria amplas diferenças entre as ofertas de usinas distintas. E as usinas ainda alegariam que a limitação de preços afetaria a disponibilidade de biodiesel, porque haveria limitação na compra de matéria-prima mais cara.
Previsão orçamentária
Independente da solução adotada, um grande problema é que, segundo a Petrobras, não há orçamento para que a Petronect faça alterações no sistema. O aumento no lance mínimo não necessita de mudança, já que exige a modificação de apenas um parâmetro já existente hoje.
Outras propostas, contudo, vão requerer desenvolvimento da ferramenta.
Mas nem por isso a discussão deve ser deixada de lado. É preciso fazer as mudanças possíveis o quanto antes e discutir a melhor solução para ser desenvolvida assim que possível. O setor não pode deixar para pensar e debater depois um problema que vem se arrastando há tempos e se tornou insustentável agora.
Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com