Muito em breve, o setor de distribuição vai ganhar um novo player de amplitude nacional: a Federação Brasilcom. A nova entidade, cuja apresentação oficial acontecerá nesta quinta-feira (23), vai passar a centralizar a representação de um grupo inicial de 42 distribuidoras de combustíveis regionais associadas a cinco sindicatos.
Muito em breve, o setor de distribuição vai ganhar um novo player de amplitude nacional: a Federação Brasilcom. A nova entidade, cuja apresentação oficial acontecerá nesta quinta-feira (23), vai passar a centralizar a representação de um grupo inicial de 42 distribuidoras de combustíveis regionais associadas a cinco sindicatos.
Apesar de jovem, a organização tem raízes cravadas na luta histórica de quase 25 anos destas empresas para nivelar as condições de competição no mercado de distribuição abrindo-o para mais empresas de menor porte. BiodieselBR.com conversou um pouco sobre esse histórico e sobre os próximos passos das regionais com o diretor institucional da nova entidade, Sergio Massillon.
BiodieselBR.com – O que é a Federação Brasilcom e qual seu papel?
Sergio Massillon – A Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Bicombustíveis (Federação Brasilcom) foi fundada em setembro de 2015 para representar o comércio atacadista de distribuição de combustíveis, gás natural e biocombustíveis. A entidade teve seu registro homologado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em novembro de 2016. Ela reúne cinco sindicatos: Sindiminas (Betim/MG), Sindisul (Porto Alegre/RS), Sindesc (Itajaí/SC), Sicompar (Araucária/PR) e Sindigoias (Goiânia/GO). Esses sindicatos agregam atualmente 42 distribuidoras de combustíveis instaladas em quase todos os estados brasileiros, sendo parte relevante e indispensável no abastecimento nacional.
BiodieselBR.com – Mas essa UE história que começou bem antes de 2016, não?
Sergio Massillon – Sim. A Federação Brasilcom é um desdobramento da Associação Brasilcom que nasceu ainda em 1994. São mais de 20 anos, portanto. Naquela época a única representação do setor de distribuição era o Sindicom que agrupava principalmente as grandes empresas. As regionais não se sentiam representadas nessa estrutura e fundaram a Associação Brasilcom para congregar empresas sérias que compartilhavam a visão para um mercado de distribuição onde a competição fosse honesta e pautada pelo cumprimento das regras. Fora isso, o que queremos é que deixem a gente trabalhar.
BiodieselBR.com – A nova Federação Brasilcom vem substituir essa antiga entidade?
Sergio Massillon – Não. A Associação Brasilcom continua ativa e vai manter um quadro de especialistas, alguns com mais de 30 anos de experiência no mercado de combustíveis, por meio do qual exerce um papel de suporte técnico aos sindicatos estaduais e à própria federação. A gente até poderia agregar tudo numa única organização, mas fizemos uma opção gerencial por manter a separação. O que a nova Federação Brasilcom vem fazer é acrescentar uma estrutura sindical devidamente reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Sem isso não poderíamos, por exemplo, representar juridicamente os nossos associados. A Federação terá o poder de mover ações em nome das empresas que representamos o que é algo que não podíamos fazer com o antigo arranjo.
BiodieselBR.com – Que benefícios a presença de distribuidoras regionais saudáveis podem render para o mercado de combustíveis?
Sergio Massillon – Antes da liberalização e da entrada das distribuidoras regionais, o mercado brasileiro de distribuição era atendido por poucas grandes empresas que, justamente por seu tamanho, apresentavam velocidade reduzindo e excessiva centralização em seus processos decisórios. Ter empresas regionais menores capazes de agir com mais rapidez e menos burocracia, permitiu que a revenda se reposicionasse incrementando a presença de postos de bandeira branca com uma consequente melhoria nas ofertas aos consumidores finais. Quando o dono de um posto liga para uma regional, ele geralmente vai conversar diretamente com um dos diretores. Liga para uma Shell ou para uma BR e tenta falar com um diretor? Essa é uma das diferenças que explica nossa maior velocidade de reação.
BiodieselBR.com – Isso chega aos preços?
Sergio Massillon – Falar de preços em si é um terreno meio perigoso porque existem praças onde poucas distribuidoras tem um peso desproporcional. Mas, desde sua entrada no mercado nos anos 1990, as distribuidoras regionais vêm se organizando para lutar pelo regime de livre concorrência que é, afinal, o que viabiliza nossa presença. Isso melhora as condições para o consumidor pois torna preços dos combustíveis mais competitivos nos estados onde há distribuidoras regionais atuando. É uma questão oportunidades de escolha porque, no fundo, quem faz o preço é o consumidor final. O revendedor pode pedir o preço que ele quiser na bomba, mas quem vai sustentar isso é o cliente especialmente onde o mercado for mais competitivo e pulverizado. Se o posto nessa esquina subir muito os preços, o cliente vai comprar no da outra esquina. As regionais têm essa vantagem de pulverizar mais o mercado.
BiodieselBR.com – Com seu crescimento, as regionais não passariam a ter os problemas das grandes?
Sergio Massillon – Algumas delas já têm presença em diversos estados, mas sem perder o foco na otimização da relação com seus clientes que são os revendedores de combustíveis. A meta é sempre o melhor atendimento aos consumidores finais.
BiodieselBR.com – Os últimos anos foram desafiadores para o segmento de distribuição. De que forma as regionais foram afetadas?
Sergio Massillon – Da mesma forma que as distribuidoras nacionais. A desaceleração da atividade econômica, a redução de demanda e da renda das famílias causa queda nas margens dos combustíveis. Esse é um problema sério para empresas que, apesar de movimentarem volumes e valores grandes, são remuneradas apenas alguns centavos por litro.
BiodieselBR.com – Os números mostram que as grandes distribuidoras associadas aos Sindicom perderam market share em 2016. A que vocês atribuem essa mudança?
Sergio Massillon – Market share é exatamente o que o nome representa. A participação no mercado resulta das ações de vendas, da qualidade das equipes e da capacidade das empresas de atenderem de forma eficaz os desejos de seus clientes. Como não sou conhecedor das decisões estratégias das grandes, só posso atribuir essa variação como um resultado do esforço das regionais em atenderem bem seus clientes.
BiodieselBR.com – Nos últimos anos temos visto uma lenta modificação no mapa o mercado de combustíveis do Brasil com a região Sudeste perdendo participação enquanto o Centro-Oeste apresentou um avanço consistente. O que explica esse movimento? Isso beneficia as regionais de alguma forma?
Sergio Massillon – Nosso entendimento destas mudanças é que existem regiões que têm resultados de crescimento diferenciado. Especialmente o Centro-Oeste, com sua gigantesca presença na produção de produtos agrícolas e na contínua expansão de seu parque industrial. O crescimento nesta região tem um efeito multiplicador em toda a cadeia do comércio, afetando positivamente a demanda de combustíveis.
BiodieselBR.com – Temos tido uma maior pulverização na importação de diesel com mais atores envolvidos. De que forma vocês vêm acompanhando esse processo?
Sergio Massillon – Com a natural preocupação de quem antevê significativas mudanças no mercado de diesel, com o principal fornecedor assumindo posições diferentes em diferentes momentos. Nossas associadas se prepararam para estas novidades, mas cada dia é um exercício de planejamento e de esforço para obter as melhores condições de compra e, em consequência, preços finais que assegurem margens que permitam o crescimento das empresas e a preservação dos mercados conquistados a duras penas. Nossa maior dificuldade é com a logística que está ou na mão da Petrobras ou de grandes operadoras que têm contratos longos com as grandes distribuidoras. Como vamos fazer para achar espaço nessa logística? É essa a nossa preocupação. De resto não vemos problema em ir buscar produto aqui no Brasil ou no exterior. A gente já está fazendo isso, inclusive.
BiodieselBR.com – A importação preocupa vocês?
Sergio Massillon – Importar combustível sempre foi algo que assustou as distribuidoras porque a Petrobras tem a faca e o queijo na mão. Se ela quiser derrubar [a importação], basta reduzir os preços nas refinarias que os importadores acabam com o mico na mão. Espera-se que ela não vá mais fazer isso. A sinalização hoje é que ela vai manter a paridade [de preços] com o mercado internacional. Mas é como diz o ditado: cachorro que foi mordido por cobra tem medo de linguiça.
BiodieselBR.com – Qual a posição da Federação Brasilcom sobre os aumentos da mistura de biodiesel previstos para os próximos anos?
Sergio Massillon – A Federação apoia o crescimento do segmento de biocombustíveis, por todos os efeitos positivos: redução de poluentes, expansão da indústria e emprego. Como fundamento para os próximos anos, esperamos a continuidade dos leilões periódicos de biodiesel em sua forma atual. A Brasilcom sempre foi um dos maiores defensores do regime de leilões de biodiesel, brigamos com unhas e dentes para que a venda de biodiesel acontecesse por meio dos leilões.
BiodieselBR.com – Por quê? O que torna os leilões uma opção melhor na opinião de vocês?
Sergio Massillon – Porque é uma forma de democratizar o mercado. Uma distribuidora grande poderia, por exemplo, fechar um contrato de exclusividade com uma usina que ficasse próxima de uma de suas bases de distribuição e obrigar todas as outras a assumirem o custo de ir buscar biodiesel mais longe. Eles ficariam com o filé mignon e nos deixariam só com a carne de segunda. O leilão impede que isso aconteça, por isso apoiamos 100% o modelo. Mesmo com a chegada do B9 e do B10 essa visão não muda em absoluto. Tem um ruído. Muita gente que reclama [do pregão]
ir até as duas da madrugada, mas isso é só um problema operacional menor.
BiodieselBR.com – As regionais estão prontas para a chegada do B10 até 2019?
Sergio Massillon – Não antevemos dificuldades no aumento progressivo da mistura, porém nos preocupamos com a disponibilidade logística para o aumento de 20% na movimentação deste produto. Obviamente, investimentos em plataformas de recebimento e em trem serão necessários, mas as filiadas da Brasilcom estão atentas e se preparando para estas mudanças.
BiodieselBR.com – O mercado autorizativo de biodiesel tem tido dificuldade para engrenar. De que forma as distribuidoras regionais podem contribuir para abrir esse novo mercado?
Sergio Massillon – A oferta existe, a demanda é pouca. O processo de aprendizado dos consumidores é lento e requer muito esforço de convencimento que deve acontecer, principalmente, por parte das usinas. A distribuição pode participar desse esforço, mas de uma forma limitada.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Muito em breve, o setor de distribuição vai ganhar um novo player de amplitude nacional: a Federação Brasilcom. A nova entidade, cuja apresentação oficial acontecerá nesta quinta-feira (23), vai passar a centralizar a representação de um grupo inicial de 42 distribuidoras de combustíveis regionais associadas a cinco sindicatos.
Apesar de jovem, a organização tem raízes cravadas na luta histórica de quase 25 anos destas empresas para nivelar as condições de competição no mercado de distribuição abrindo-o para mais empresas de menor porte. BiodieselBR.com conversou um pouco sobre esse histórico e sobre os próximos passos das regionais com o diretor institucional da nova entidade, Sergio Massillon.
BiodieselBR.com – O que é a Federação Brasilcom e qual seu papel?
Sergio Massillon – A Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Bicombustíveis (Federação Brasilcom) foi fundada em setembro de 2015 para representar o comércio atacadista de distribuição de combustíveis, gás natural e biocombustíveis. A entidade teve seu registro homologado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em novembro de 2016. Ela reúne cinco sindicatos: Sindiminas (Betim/MG), Sindisul (Porto Alegre/RS), Sindesc (Itajaí/SC), Sicompar (Araucária/PR) e Sindigoias (Goiânia/GO). Esses sindicatos agregam atualmente 42 distribuidoras de combustíveis instaladas em quase todos os estados brasileiros, sendo parte relevante e indispensável no abastecimento nacional.
BiodieselBR.com – Mas essa UE história que começou bem antes de 2016, não?
Sergio Massillon – Sim. A Federação Brasilcom é um desdobramento da Associação Brasilcom que nasceu ainda em 1994. São mais de 20 anos, portanto. Naquela época a única representação do setor de distribuição era o Sindicom que agrupava principalmente as grandes empresas. As regionais não se sentiam representadas nessa estrutura e fundaram a Associação Brasilcom para congregar empresas sérias que compartilhavam a visão para um mercado de distribuição onde a competição fosse honesta e pautada pelo cumprimento das regras. Fora isso, o que queremos é que deixem a gente trabalhar.
BiodieselBR.com – A nova Federação Brasilcom vem substituir essa antiga entidade?
Sergio Massillon – Não. A Associação Brasilcom continua ativa e vai manter um quadro de especialistas, alguns com mais de 30 anos de experiência no mercado de combustíveis, por meio do qual exerce um papel de suporte técnico aos sindicatos estaduais e à própria federação. A gente até poderia agregar tudo numa única organização, mas fizemos uma opção gerencial por manter a separação. O que a nova Federação Brasilcom vem fazer é acrescentar uma estrutura sindical devidamente reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Sem isso não poderíamos, por exemplo, representar juridicamente os nossos associados. A Federação terá o poder de mover ações em nome das empresas que representamos o que é algo que não podíamos fazer com o antigo arranjo.
BiodieselBR.com – Que benefícios a presença de distribuidoras regionais saudáveis podem render para o mercado de combustíveis?
Sergio Massillon – Antes da liberalização e da entrada das distribuidoras regionais, o mercado brasileiro de distribuição era atendido por poucas grandes empresas que, justamente por seu tamanho, apresentavam velocidade reduzindo e excessiva centralização em seus processos decisórios. Ter empresas regionais menores capazes de agir com mais rapidez e menos burocracia, permitiu que a revenda se reposicionasse incrementando a presença de postos de bandeira branca com uma consequente melhoria nas ofertas aos consumidores finais. Quando o dono de um posto liga para uma regional, ele geralmente vai conversar diretamente com um dos diretores. Liga para uma Shell ou para uma BR e tenta falar com um diretor? Essa é uma das diferenças que explica nossa maior velocidade de reação.
BiodieselBR.com – Isso chega aos preços?
Sergio Massillon – Falar de preços em si é um terreno meio perigoso porque existem praças onde poucas distribuidoras tem um peso desproporcional. Mas, desde sua entrada no mercado nos anos 1990, as distribuidoras regionais vêm se organizando para lutar pelo regime de livre concorrência que é, afinal, o que viabiliza nossa presença. Isso melhora as condições para o consumidor pois torna preços dos combustíveis mais competitivos nos estados onde há distribuidoras regionais atuando. É uma questão oportunidades de escolha porque, no fundo, quem faz o preço é o consumidor final. O revendedor pode pedir o preço que ele quiser na bomba, mas quem vai sustentar isso é o cliente especialmente onde o mercado for mais competitivo e pulverizado. Se o posto nessa esquina subir muito os preços, o cliente vai comprar no da outra esquina. As regionais têm essa vantagem de pulverizar mais o mercado.
BiodieselBR.com – Com seu crescimento, as regionais não passariam a ter os problemas das grandes?
Sergio Massillon – Algumas delas já têm presença em diversos estados, mas sem perder o foco na otimização da relação com seus clientes que são os revendedores de combustíveis. A meta é sempre o melhor atendimento aos consumidores finais.
BiodieselBR.com – Os últimos anos foram desafiadores para o segmento de distribuição. De que forma as regionais foram afetadas?
Sergio Massillon – Da mesma forma que as distribuidoras nacionais. A desaceleração da atividade econômica, a redução de demanda e da renda das famílias causa queda nas margens dos combustíveis. Esse é um problema sério para empresas que, apesar de movimentarem volumes e valores grandes, são remuneradas apenas alguns centavos por litro.
BiodieselBR.com – Os números mostram que as grandes distribuidoras associadas aos Sindicom perderam market share em 2016. A que vocês atribuem essa mudança?
Sergio Massillon – Market share é exatamente o que o nome representa. A participação no mercado resulta das ações de vendas, da qualidade das equipes e da capacidade das empresas de atenderem de forma eficaz os desejos de seus clientes. Como não sou conhecedor das decisões estratégias das grandes, só posso atribuir essa variação como um resultado do esforço das regionais em atenderem bem seus clientes.
BiodieselBR.com – Nos últimos anos temos visto uma lenta modificação no mapa o mercado de combustíveis do Brasil com a região Sudeste perdendo participação enquanto o Centro-Oeste apresentou um avanço consistente. O que explica esse movimento? Isso beneficia as regionais de alguma forma?
Sergio Massillon – Nosso entendimento destas mudanças é que existem regiões que têm resultados de crescimento diferenciado. Especialmente o Centro-Oeste, com sua gigantesca presença na produção de produtos agrícolas e na contínua expansão de seu parque industrial. O crescimento nesta região tem um efeito multiplicador em toda a cadeia do comércio, afetando positivamente a demanda de combustíveis.
BiodieselBR.com – Temos tido uma maior pulverização na importação de diesel com mais atores envolvidos. De que forma vocês vêm acompanhando esse processo?
Sergio Massillon – Com a natural preocupação de quem antevê significativas mudanças no mercado de diesel, com o principal fornecedor assumindo posições diferentes em diferentes momentos. Nossas associadas se prepararam para estas novidades, mas cada dia é um exercício de planejamento e de esforço para obter as melhores condições de compra e, em consequência, preços finais que assegurem margens que permitam o crescimento das empresas e a preservação dos mercados conquistados a duras penas. Nossa maior dificuldade é com a logística que está ou na mão da Petrobras ou de grandes operadoras que têm contratos longos com as grandes distribuidoras. Como vamos fazer para achar espaço nessa logística? É essa a nossa preocupação. De resto não vemos problema em ir buscar produto aqui no Brasil ou no exterior. A gente já está fazendo isso, inclusive.
BiodieselBR.com – A importação preocupa vocês?
Sergio Massillon – Importar combustível sempre foi algo que assustou as distribuidoras porque a Petrobras tem a faca e o queijo na mão. Se ela quiser derrubar [a importação], basta reduzir os preços nas refinarias que os importadores acabam com o mico na mão. Espera-se que ela não vá mais fazer isso. A sinalização hoje é que ela vai manter a paridade [de preços] com o mercado internacional. Mas é como diz o ditado: cachorro que foi mordido por cobra tem medo de linguiça.
BiodieselBR.com – Qual a posição da Federação Brasilcom sobre os aumentos da mistura de biodiesel previstos para os próximos anos?
Sergio Massillon – A Federação apoia o crescimento do segmento de biocombustíveis, por todos os efeitos positivos: redução de poluentes, expansão da indústria e emprego. Como fundamento para os próximos anos, esperamos a continuidade dos leilões periódicos de biodiesel em sua forma atual. A Brasilcom sempre foi um dos maiores defensores do regime de leilões de biodiesel, brigamos com unhas e dentes para que a venda de biodiesel acontecesse por meio dos leilões.
BiodieselBR.com – Por quê? O que torna os leilões uma opção melhor na opinião de vocês?
Sergio Massillon – Porque é uma forma de democratizar o mercado. Uma distribuidora grande poderia, por exemplo, fechar um contrato de exclusividade com uma usina que ficasse próxima de uma de suas bases de distribuição e obrigar todas as outras a assumirem o custo de ir buscar biodiesel mais longe. Eles ficariam com o filé mignon e nos deixariam só com a carne de segunda. O leilão impede que isso aconteça, por isso apoiamos 100% o modelo. Mesmo com a chegada do B9 e do B10 essa visão não muda em absoluto. Tem um ruído. Muita gente que reclama [do pregão]
ir até as duas da madrugada, mas isso é só um problema operacional menor.
BiodieselBR.com – As regionais estão prontas para a chegada do B10 até 2019?
Sergio Massillon – Não antevemos dificuldades no aumento progressivo da mistura, porém nos preocupamos com a disponibilidade logística para o aumento de 20% na movimentação deste produto. Obviamente, investimentos em plataformas de recebimento e em trem serão necessários, mas as filiadas da Brasilcom estão atentas e se preparando para estas mudanças.
BiodieselBR.com – O mercado autorizativo de biodiesel tem tido dificuldade para engrenar. De que forma as distribuidoras regionais podem contribuir para abrir esse novo mercado?
Sergio Massillon – A oferta existe, a demanda é pouca. O processo de aprendizado dos consumidores é lento e requer muito esforço de convencimento que deve acontecer, principalmente, por parte das usinas. A distribuição pode participar desse esforço, mas de uma forma limitada.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com