BiodieselBR
Publicidade

Rabobank vê mudança na logística de escoamento de grãos do país

Banco holandês especializado no mercado agrícola ressalta crescimento na participação do modal hidroviário no escoamento da produção brasileira de soja e milho

BiodieselBR.com 4 min de leitura

O Brasil pode estar – finalmente – fazendo sua lição de casa em termos de melhoria na logística de escoamento da produção de grãos. É o que indica um relatório publicado este mês pelo Rabobank que vê sinais importantes de evolução na infraestrutura responsável pelo transporte do milho e da soja até os portos de exportação com crescimento de mais de 510% no volume circulando pelo modal hidroviário.

O Brasil pode estar – finalmente – fazendo sua lição de casa em termos de melhoria na logística de escoamento da produção de grãos. É o que indica um relatório publicado este mês pelo Rabobank que vê sinais importantes de evolução na infraestrutura responsável pelo transporte do milho e da soja até os portos de exportação com crescimento de mais de 510% no volume circulando pelo modal hidroviário.

Soja e milho são, nessa ordem, os dois maiores produtos do agronegócio brasileiro. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), eles responderam por cerca de 91,2% dos 232,4 milhões de toneladas de grãos colhidos durante a safra 2016/17 – foram 97,8 milhões de toneladas de milho e 114,1 milhões de toneladas de soja.

Para dar uma ideia da desproporção, o terceiro melhor colocado foi o arroz que cuja produção atingiu pouco mais de 12,3 milhões de toneladas.

Arco Norte

Segundo o Rabobank, a mudança no padrão de movimentação dessas duas commodities vem sendo puxada pelo crescimento da rota de exportação através do chamado Arco Norte – conjunto de cinco portos localizados em estados das Regiões Norte e Nordeste.

Entre 2010 e 2017, as exportações de milho e soja pelos portos de Itacotiara (AM), Santarém (PA), Barcarena (PA), Itaqui (MA) e Salvador (BA) aumentaram quase 350% indo de 5,9 milhões de toneladas para 26,3 milhões de toneladas.

Do total registrado no ano passado, cerca de metade – 13,2 milhões de toneladas – chegou aos portos pela hidrovia que conecta os portos de Itacotiara, Santarém e Barcarena. Sete anos atrás, apenas um quarto das cargas de grãos chegavam até os portos dessa forma.

RelatorioRabobank GRAFICO 160518

O crescimento do transporte aquático roubou cargas principalmente do modal rodoviário que viu sua participação minguar de 42% em 2010 para 28% em 2017. As ferrovias, no entanto, também perderam participação indo de 32% para 22%.

Menos ferrovia

Apesar do avanço no Arco Norte, os portos do Sul e do Sudeste – grupo que inclui Vitória (ES), Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS) – mantiveram a liderança durante do mercado de milho e soja todo o período indo de 33,8 milhões em 2010 para 71 milhões de toneladas no ano passado. Crescimento de robustos 110% durante o período.

Nesse caso, a composição da matriz logística teve relativamente pouca mudança. O transporte por hidrovia que já representava uma parcela relativamente diminuta foi de 2% para 1% no período enquanto as ferrovias perderam quatro pontos percentuais indo de 53% para 49%.

As rodovias, portanto, ganharam espaço e representaram metade do volume movimento – 35,5 milhões de toneladas – em 2017.

Vale ressaltar, no entanto, que o transporte ferroviário vem movimentando uma quantidade maior de cargas no Sul e Sudeste. De 17,9 para 34,8 milhões de toneladas. O relatório também indica que “as ferrovias devem recuperar sua participação na rede brasileira de transportes de grãos no longo prazo” e destaca que concessões podem atrair novos investimentos para o setor inclusive uma que ligará o norte do Mato Grosso – maior região produtora de soja do país – com as hidrovias do Pará.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

Compartilhar: