Banco holandês especializado no mercado agrícola ressalta crescimento na participação do modal hidroviário no escoamento da produção brasileira de soja e milho
O Brasil pode estar – finalmente – fazendo sua lição de casa em termos de melhoria na logística de escoamento da produção de grãos. É o que indica um relatório publicado este mês pelo Rabobank que vê sinais importantes de evolução na infraestrutura responsável pelo transporte do milho e da soja até os portos de exportação com crescimento de mais de 510% no volume circulando pelo modal hidroviário.
O Brasil pode estar – finalmente – fazendo sua lição de casa em termos de melhoria na logística de escoamento da produção de grãos. É o que indica um relatório publicado este mês pelo Rabobank que vê sinais importantes de evolução na infraestrutura responsável pelo transporte do milho e da soja até os portos de exportação com crescimento de mais de 510% no volume circulando pelo modal hidroviário.
Soja e milho são, nessa ordem, os dois maiores produtos do agronegócio brasileiro. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), eles responderam por cerca de 91,2% dos 232,4 milhões de toneladas de grãos colhidos durante a safra 2016/17 – foram 97,8 milhões de toneladas de milho e 114,1 milhões de toneladas de soja.
Para dar uma ideia da desproporção, o terceiro melhor colocado foi o arroz que cuja produção atingiu pouco mais de 12,3 milhões de toneladas.
Arco Norte
Segundo o Rabobank, a mudança no padrão de movimentação dessas duas commodities vem sendo puxada pelo crescimento da rota de exportação através do chamado Arco Norte – conjunto de cinco portos localizados em estados das Regiões Norte e Nordeste.
Entre 2010 e 2017, as exportações de milho e soja pelos portos de Itacotiara (AM), Santarém (PA), Barcarena (PA), Itaqui (MA) e Salvador (BA) aumentaram quase 350% indo de 5,9 milhões de toneladas para 26,3 milhões de toneladas.
Do total registrado no ano passado, cerca de metade – 13,2 milhões de toneladas – chegou aos portos pela hidrovia que conecta os portos de Itacotiara, Santarém e Barcarena. Sete anos atrás, apenas um quarto das cargas de grãos chegavam até os portos dessa forma.

O crescimento do transporte aquático roubou cargas principalmente do modal rodoviário que viu sua participação minguar de 42% em 2010 para 28% em 2017. As ferrovias, no entanto, também perderam participação indo de 32% para 22%.
Menos ferrovia
Apesar do avanço no Arco Norte, os portos do Sul e do Sudeste – grupo que inclui Vitória (ES), Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS) – mantiveram a liderança durante do mercado de milho e soja todo o período indo de 33,8 milhões em 2010 para 71 milhões de toneladas no ano passado. Crescimento de robustos 110% durante o período.
Nesse caso, a composição da matriz logística teve relativamente pouca mudança. O transporte por hidrovia que já representava uma parcela relativamente diminuta foi de 2% para 1% no período enquanto as ferrovias perderam quatro pontos percentuais indo de 53% para 49%.
As rodovias, portanto, ganharam espaço e representaram metade do volume movimento – 35,5 milhões de toneladas – em 2017.
Vale ressaltar, no entanto, que o transporte ferroviário vem movimentando uma quantidade maior de cargas no Sul e Sudeste. De 17,9 para 34,8 milhões de toneladas. O relatório também indica que “as ferrovias devem recuperar sua participação na rede brasileira de transportes de grãos no longo prazo” e destaca que concessões podem atrair novos investimentos para o setor inclusive uma que ligará o norte do Mato Grosso – maior região produtora de soja do país – com as hidrovias do Pará.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com