Demanda chinesa e safra recorde no Brasil explicam aumento de 73 para 78 milhões de toneladas nas projeções
As exportações de soja do Brasil em 2020 deverão atingir 78 milhões de toneladas “se tudo correr bem”, disse nesta terça-feira a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o que representaria um crescimento de 7,6% ante 2019, em meio a uma forte demanda na China e uma safra brasileira recorde.
A previsão, repassada à Reuters via assessoria de imprensa, mostra embarques maiores do que os projetados ao final de abril, quando a Anec previa 73 milhões de toneladas para o ano.
O número ressalta também como seguiram fortes as exportações de maio e junho do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, após o país ter embarcado um recorde mensal de mais de 14 milhões de toneladas em abril, segundo a Anec.
Nesta terça-feira, a associação apontou em relatório embarques de 11,9 milhões de toneladas neste mês, o que seria um aumento de 36,8% ante junho de 2019, com a China sendo destino de 72% das exportações de soja do Brasil no primeiro semestre.
Com base em embarques programados de soja de 7,25 milhões de toneladas em julho, a Anec projeta exportações de 68,9 milhões de toneladas nos primeiros sete meses de 2020, o que deixaria um volume de aproximadamente 9 milhões de toneladas para ser embarcado entre agosto e dezembro, quando tradicionalmente as vendas de soja perdem força à medida que a oferta também diminui.
O volume projetado para 2020 ainda ficaria abaixo do recorde de 2018, de 82,9 milhões de toneladas, quando o país também colheu uma grande safra e foi beneficiado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China.
Milho
Enquanto os embarques de soja deverão perder a intensidade especialmente após julho, as exportações de milho ganharão força em relação a meses anteriores, como costuma acontecer no segundo semestre.
A Anec projeta exportações de 31 milhões de toneladas do cereal neste ano, praticamente estável ante a projeção divulgada no final de abril, mas abaixo dos embarques recordes de mais de 41 milhões de toneladas no ano passado, quando o país foi beneficiado por uma quebra de safra nos EUA e houve mais oferta para vendas externas no primeiro semestre.
Com exportações projetadas de 3,9 milhões de toneladas em julho, o Brasil, segundo exportador mundial do cereal, deve ver queda de quase 43% na comparação com mesmo período do passado.
Considerando a projeção para o ano e a previsão da Anec para o período de janeiro a julho (6,5 milhões de toneladas), o Brasil teria que embarcar de agosto a dezembro 24,5 milhões de toneladas de milho para atingir a meta.