Suposto cartel de empresas de reciclagem de resíduos animais é investigado no RS

Uma operação conjunta do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investiga um suposto cartel de empresas de reciclagem de resíduos animais no estado. Nesta terça-feira (14), os investigadores estiveram na sede de uma multinacional em Cruzeiro do Sul, no Vale do Taquari, e em outras três empresas.

Conforme os órgãos fiscalizadores, o esquema seria montado por pelo menos quatro empresas que compram os resíduos, como carcaças e cabeças dos animais abatidos nos frigoríficos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Sete diretores das companhias devem ser denunciados.

Somente no Rio Grande do Sul, o mercado movimenta cerca de R$ 800 milhões por ano. De acordo com o MP-RS, as empresas combinaram um preço único para fechar as negociações: R$ 0,10 por 1kg de resíduos. Contudo, quando uma nova empresa iria entrar no mercado, o grupo que operava o esquema elevava o preço para R$ 0,50 por 1kg – uma estratégia para eliminar a concorrência.

Com isso, eram prejudicados o pecuarista, o dono do frigorífico e o consumidor. O promotor de Justiça que comandou a operação disse que, quando há formação de cartel, com a prática de combinação de preços, o consumidor paga a conta, porque adquire um produto mais caro.

"Esse valor que o frigorifico recebe pelo resíduo naturalmente significa faturamento para o frigorífico. Isso significa que tendo um melhor faturamento, ele poderá, eventualmente, ter uma redução em preço para o consumidor final", explica o promotor de Justiça Gerson Daiello.

Os resíduos reciclados servem para fabricação de farinha de osso e farinha de carne para ração animal, óleos para a indústria de biodiesel, sebo e similares para fábricas de produtos de higiene, como detergente e sabão.

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