Pesquisa identifica gene que muda cor do dendê quando ele está maduro
Descoberta feita por pesquisadores da Malásia poderá aumentar a produtividade da oleaginosa mais importante do mundo.
BiodieselBR.com ··3 min de leitura
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Um grupo internacional de pesquisadores ligados à Associação da Palma-de-Óleo de Malásia (MPOB, na sigla em inglês) e à empresa norte-americana Orion Genomics anunciou ter identificado o gene responsável por fazer os frutos do dendê mudarem de cor quando atingem a maturidade.
Embora, à primeira vista, essa descoberta soe como uma simples curiosidade, ela poderá ter grandes implicações profundas sobre a oferta de óleos vegetais no planeta.
Um grupo internacional de pesquisadores ligados à Associação da Palma-de-Óleo de Malásia (MPOB, na sigla em inglês) e à empresa norte-americana Orion Genomics anunciou ter identificado o gene responsável por fazer os frutos do dendê mudarem de cor quando atingem a maturidade. Embora, à primeira vista, essa descoberta soe como uma simples curiosidade, ela poderá ter grandes implicações profundas sobre a oferta de óleos vegetais no planeta.
Para algumas espécies vegetais – pense, por exemplo, numa maçã mudando de verde para vermelho ou numa banana que vai do verde para o amarelo – a mudança de cor é o padrão. Ela fornece um indicativo visual simples e relativamente preciso sobre quando a colheita deve ser realizada. Já no caso da palma-de-óleo apenas numa minoria das plantas os frutos mudam de cor assumindo uma tonalidade alaranjada conforme amadurecem.
Atualmente, os produtores contam apenas com a experiência acumulada para determinar em quais árvores os cachos já estão prontos para a colheita. Coisa nada fácil considerando que as palmeiras podem chegar a ter 20 metros de altura. Caso a colheita seja feita muito antes, o rendimento de óleo cai e, se for postergada, o óleo se degrada.
Batizado de VIR, o gene foi isolado a partir de cinco subespécies identificadas por pesquisas financiadas pelo governo da Malásia nas quais a característica desejada ocorre naturalmente. “Por mais de quatro décadas. Cientistas malaios vêm coletando espécimes de palma ao redor do mundo. Sem esses materiais, é improvável que identificássemos o gene VIR”, explicou o diretor do Centro de Reprodução e Biotecnologia Avançada do MPOB, Raviga Sambanthamurthi.
Se os pesquisadores tiverem sucesso em torná-lo prevalente nas cultivares comerciais da espécie, os produtores poderão gerenciar a colheita de forma mais eficaz aumentando consideravelmente sua produtividade sem a necessidade de dedicar mais terras ao plantio da palma.
Descoberta anterior O mesmo grupo de pesquisadores já havia identificado um gene chamado SHELL que, segundo eles, poderá aumentar o teor de óleo dos frutos da palma em até 30%. Essa primeira descoberta já permitiu a criação de um teste capaz de selecionar cultivares de alta produtividade.
Combinada com esse novo avanço, o setor de palma poderá se tornar mais produtivo. Considerando que o óleo de palma é óleo vegetal mais consumido no planeta, com uma produção de aproximadamente 58,8 milhões na safra 2013/14 apurada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, mesmo um aumento de modestos 2% na produtividade da espécie acrescentaria mais de um milhão de toneladas de óleo à oferta global.
O estudo foi publicado no Nature Communications e pode ser acessado clicando aqui.