Um dos maiores produtores de óleo de palma do mundo, o grupo industrial de origem malaia IOI perdeu o direito de ostentar o selo que atesta que seus produtos cumprem regras de sustentabilidade. O anúncio oficial foi feito nessa sexta-feira (01) pela Mesa Redonda para a Palma-de-Óleo Sustentável (RSPO, na sigla em inglês) e a suspensão se tornou efetiva a partir de ontem (04).
Um dos maiores produtores de óleo de palma do mundo, o grupo industrial de origem malaia IOI perdeu o direito de ostentar o selo que atesta que seus produtos cumprem regras de sustentabilidade. O anúncio oficial foi feito nessa sexta-feira (01) pela Mesa Redonda para a Palma-de-Óleo Sustentável (RSPO, na sigla em inglês) e a suspensão se tornou efetiva a partir de ontem (04).
Segundo o mais recente relatório anual publicado pelo Grupo IOI, a empresa controla cerca de 179 mil hectares em plantações de palma distribuídos entre a Malásia e a Indonésia e registrou vendas de beirando os 2,6 milhões de toneladas de óleo no ano passado.
A punição ao IOI havia sido decidida em meados de março pelo Painel de Reclamações – órgão responsável por apurar acusações de descumprimento dos princípios da RSPO por parte de empresas certificadas. Há cerca de um ano que painel vinha investigando a conduta de pelo menos três subsidiárias que o grupo malaio controla na Indonésia em resposta a uma acusação feita consultoria em desenvolvimento sustentável Aidenvironment.
Apesar dos problemas terem sido identificados estarem concentrados em empresas que, segundo o grupo, correspondem a apenas 2% de sua produção total, o IOI como um todo perdeu o direito ao uso da certificação.
Essa, contudo, não é a primeira vez que o Grupo IOI tem suas práticas questionavas. Em março de 2010, os grupos ambientalistas Amigos da Terra e Milieudefensie já haviam publicado um relatório documentando problemas nas operações da empresa na Indonésia. Na ocasião, a consultoria Aidenvironment já havia sido a contratada para o trabalho de pesquisa e investigação que sustentou o documento e a situação vem cozinhando desde então até, finalmente, chegar a atual conclusão.
Resposta
Para tentar reverter a punição, a direção do grupo IOI está implementando uma série de medidas entre as quais: uma reestruturação de sua equipe de sustentabilidade, melhorias nas equipes de combate à incêndios florestais, reforços nas medidas de compensação ambiental em áreas afetadas, contratação de consultorias para garantir maior adesão às boas práticas em novos cultivos, entre outras.
A empresa já enviou à RSPO um plano de ação detalhando como pretendem corrigir os problemas e reconquistar a certificação.
A suspensão deverá ter impacto no faturamento do grupo. Desde que a punição se tornou pública pesos-pesados como a Unilever, Kellogg e Mars já anunciaram que pretendem parar de adquirir óleo fabricado pela IOI. Apesar dessas perdas, a gerente de sustentabilidade do conglomerado, Yeo Lee Nya, assegurou à imprensa local que o efeito não será tão agudo quanto se poderia supor. “Por se tratar de uma commodity global, as vendas de óleo de palma da IOI não serão reduzidas pela suspensão do certificado. O único efeito é que não seremos mais capazes de capturar o prêmio pago pelo mercado”, explicou acrescentando, que o prêmio representa menos de 0,5% do faturamento anual da companhia.
A preocupação da RSPO agora é de um possível baque no mercado de óleo de palma certificado. Como a suspensão afeta todo o grupo – o que inclui as operações industriais –, mesmo que o IOI compre matéria-prima de fornecedores devidamente certificados ela não poderá vender os produtos processados como se eles cumprissem todas as regras de sustentabilidade.
Referência
O Grupo IOI foi um dos membros fundadores da RSPO – um organismo multissetorial criado em 2004 que se tornou a principal referência global na definição de critérios para a produção sustentável de palma-de-óleo.
Apesar disso, o sistema acumula arranhões em sua imagem pública vindos principalmente de ONGs ambientalistas que acusam a organização de adotar uma postura pouco firme em relação aos grandes produtores. O golpe mais recente foi dado pela Environmental Investigation Agency (IEA) que públicou um relatório apontando uma série de falhas e conflitos de interesse dentro da estrutura da RSPO.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Um dos maiores produtores de óleo de palma do mundo, o grupo industrial de origem malaia IOI perdeu o direito de ostentar o selo que atesta que seus produtos cumprem regras de sustentabilidade. O anúncio oficial foi feito nessa sexta-feira (01) pela Mesa Redonda para a Palma-de-Óleo Sustentável (RSPO, na sigla em inglês) e a suspensão se tornou efetiva a partir de ontem (04).
Segundo o mais recente relatório anual publicado pelo Grupo IOI, a empresa controla cerca de 179 mil hectares em plantações de palma distribuídos entre a Malásia e a Indonésia e registrou vendas de beirando os 2,6 milhões de toneladas de óleo no ano passado.
A punição ao IOI havia sido decidida em meados de março pelo Painel de Reclamações – órgão responsável por apurar acusações de descumprimento dos princípios da RSPO por parte de empresas certificadas. Há cerca de um ano que painel vinha investigando a conduta de pelo menos três subsidiárias que o grupo malaio controla na Indonésia em resposta a uma acusação feita consultoria em desenvolvimento sustentável Aidenvironment.
Apesar dos problemas terem sido identificados estarem concentrados em empresas que, segundo o grupo, correspondem a apenas 2% de sua produção total, o IOI como um todo perdeu o direito ao uso da certificação.
Essa, contudo, não é a primeira vez que o Grupo IOI tem suas práticas questionavas. Em março de 2010, os grupos ambientalistas Amigos da Terra e Milieudefensie já haviam publicado um relatório documentando problemas nas operações da empresa na Indonésia. Na ocasião, a consultoria Aidenvironment já havia sido a contratada para o trabalho de pesquisa e investigação que sustentou o documento e a situação vem cozinhando desde então até, finalmente, chegar a atual conclusão.
Resposta
Para tentar reverter a punição, a direção do grupo IOI está implementando uma série de medidas entre as quais: uma reestruturação de sua equipe de sustentabilidade, melhorias nas equipes de combate à incêndios florestais, reforços nas medidas de compensação ambiental em áreas afetadas, contratação de consultorias para garantir maior adesão às boas práticas em novos cultivos, entre outras.
A empresa já enviou à RSPO um plano de ação detalhando como pretendem corrigir os problemas e reconquistar a certificação.
A suspensão deverá ter impacto no faturamento do grupo. Desde que a punição se tornou pública pesos-pesados como a Unilever, Kellogg e Mars já anunciaram que pretendem parar de adquirir óleo fabricado pela IOI. Apesar dessas perdas, a gerente de sustentabilidade do conglomerado, Yeo Lee Nya, assegurou à imprensa local que o efeito não será tão agudo quanto se poderia supor. “Por se tratar de uma commodity global, as vendas de óleo de palma da IOI não serão reduzidas pela suspensão do certificado. O único efeito é que não seremos mais capazes de capturar o prêmio pago pelo mercado”, explicou acrescentando, que o prêmio representa menos de 0,5% do faturamento anual da companhia.
A preocupação da RSPO agora é de um possível baque no mercado de óleo de palma certificado. Como a suspensão afeta todo o grupo – o que inclui as operações industriais –, mesmo que o IOI compre matéria-prima de fornecedores devidamente certificados ela não poderá vender os produtos processados como se eles cumprissem todas as regras de sustentabilidade.
Referência
O Grupo IOI foi um dos membros fundadores da RSPO – um organismo multissetorial criado em 2004 que se tornou a principal referência global na definição de critérios para a produção sustentável de palma-de-óleo.
Apesar disso, o sistema acumula arranhões em sua imagem pública vindos principalmente de ONGs ambientalistas que acusam a organização de adotar uma postura pouco firme em relação aos grandes produtores. O golpe mais recente foi dado pela Environmental Investigation Agency (IEA) que públicou um relatório apontando uma série de falhas e conflitos de interesse dentro da estrutura da RSPO.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com