O Brasil pode muito bem ter encontrado o caminho para a produção sustentável de palma-de-óleo. É o que sinaliza um estudo recentemente publicado pelo Centro Internacional para Pesquisa Florestal (Cifor) – organização sem fins lucrativos dedicado à produção de pesquisa a respeito dos principais desafios relacionados à preservação de florestas ao redor do mundo.
O Brasil pode muito bem ter encontrado o caminho para a produção sustentável de palma-de-óleo. É o que sinaliza um estudo recentemente publicado pelo Centro Internacional para Pesquisa Florestal (Cifor) – organização sem fins lucrativos dedicado à produção de pesquisa a respeito dos principais desafios relacionados à preservação de florestas ao redor do mundo.
Conduzida entre março de 2013 até março de 2015, a pesquisa de Frederico Brandão e George Schoneveld analisou a efetividade do marco institucional instituído federal em 2010 por meio da implantação do Programa de Produção Sustentável de Palma-de-Óleo em guiar o desenvolvimento do setor produtivo. “[O] governo federal foi capaz de influenciar os recursos, expertise e redes mercadológicas do setor privado para apoiar objetivos tanto de desenvolvimento rural quanto de gerenciamento ambiental”, diz o texto em suas conclusões.
O principal mérito da iniciativa é restringir qualquer apoio à implantação de novos cultivos a áreas que já tenham sido previamente desmatadas – a linha de corte é o ano de 2007. Além disso, foram criadas linhas de financiamento especialmente pensadas para que pequenos proprietários rurais sejam integrados na produção de palma. Segundo o estudo, os agricultores cujos plantios já atingiram a maturidade produtiva chegam a quintuplicar sua renda em relação à média regional e até quatro vezes e meia que agricultores que se dedicam exclusivamente ao plantio de mandioca – a cultura mais comum no estado.
O desenho institucional não é o único fator em jogo. Segundo os pesquisadores, igualmente importante foi o uso de imagens por satélite fazer um acompanhamento mais preciso do que está acontecendo até em regiões de difícil acesso. “Fica muito mais fácil atribuir responsabilidades”, explicou Shoneveld numa postagem no blog da Cifor no qual resume seu artigo.
Botar a palma nos trilhos não é um feito pequeno. Principal fonte de óleo vegetal do planeta – respondendo por cerca de 39% da produção mundial – a palma-de-óleo é encarada com desconfiança pelas principais organizações mundiais de defesa do meio ambiente. Sua expansão irrefreável tem sido um dos maiores vetores de desmatamento de florestas tropicais nativas e conversão de terras alagadas nos países do Sudeste Asiático – especialmente na Malásia e Indonésia que concentram mais de 80% do mercado.
Embora ainda seja um nanico nesse mercado, o Brasil tem enorme potencial para crescimento. O Zoneamento Agroecológico da Palma-de-Óleo determinou que o país tem mais de 29 milhões de hectares aptos ao cultivo da oleaginosa distribuídos entre os 10 estados da chamada Amazônia Legal.
Além da disponibilidade de terras adequadas, o Brasil desde a introdução do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) em 2005 incluiu o país entre os maiores players globais do segmento de biodiesel o que aumentou o interesse em investimentos no mercado local de palma-de-óleo.
Dificuldades
Apesar dos bons resultados, os atores sinalizam que nem tudo tem sido simples nesse processo. Não é só por meio da derrubada de matas que o cultivo extensivo de palma-de-óleo gera impacto socioambiental. Há casos de poluição em cursos d’água e do acirramento de tensões pela posse de terras e pressão social causada pela chegada de trabalhadores atraídos pelas perspectivas de emprego no setor.
Os entraves burocráticos que precisam ser vencidos para que pequenos proprietários também reduz o número de agricultores que podem tirar proveito dessas iniciativas.
Mesmo as recentes dificuldades na economia brasileira podem levar a um retrocesso nos projetos já em andamento ou corte em projetos anunciados. “É incerto se este setor evoluirá para se tornar uma solução de longo prazo para a pobreza em áreas rurais da Amazônia”, completa Schoneveld.
O documento pode ser baixado (em inglês) clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
O Brasil pode muito bem ter encontrado o caminho para a produção sustentável de palma-de-óleo. É o que sinaliza um estudo recentemente publicado pelo Centro Internacional para Pesquisa Florestal (Cifor) – organização sem fins lucrativos dedicado à produção de pesquisa a respeito dos principais desafios relacionados à preservação de florestas ao redor do mundo.
Conduzida entre março de 2013 até março de 2015, a pesquisa de Frederico Brandão e George Schoneveld analisou a efetividade do marco institucional instituído federal em 2010 por meio da implantação do Programa de Produção Sustentável de Palma-de-Óleo em guiar o desenvolvimento do setor produtivo. “[O] governo federal foi capaz de influenciar os recursos, expertise e redes mercadológicas do setor privado para apoiar objetivos tanto de desenvolvimento rural quanto de gerenciamento ambiental”, diz o texto em suas conclusões.
O principal mérito da iniciativa é restringir qualquer apoio à implantação de novos cultivos a áreas que já tenham sido previamente desmatadas – a linha de corte é o ano de 2007. Além disso, foram criadas linhas de financiamento especialmente pensadas para que pequenos proprietários rurais sejam integrados na produção de palma. Segundo o estudo, os agricultores cujos plantios já atingiram a maturidade produtiva chegam a quintuplicar sua renda em relação à média regional e até quatro vezes e meia que agricultores que se dedicam exclusivamente ao plantio de mandioca – a cultura mais comum no estado.
O desenho institucional não é o único fator em jogo. Segundo os pesquisadores, igualmente importante foi o uso de imagens por satélite fazer um acompanhamento mais preciso do que está acontecendo até em regiões de difícil acesso. “Fica muito mais fácil atribuir responsabilidades”, explicou Shoneveld numa postagem no blog da Cifor no qual resume seu artigo.
Botar a palma nos trilhos não é um feito pequeno. Principal fonte de óleo vegetal do planeta – respondendo por cerca de 39% da produção mundial – a palma-de-óleo é encarada com desconfiança pelas principais organizações mundiais de defesa do meio ambiente. Sua expansão irrefreável tem sido um dos maiores vetores de desmatamento de florestas tropicais nativas e conversão de terras alagadas nos países do Sudeste Asiático – especialmente na Malásia e Indonésia que concentram mais de 80% do mercado.
Embora ainda seja um nanico nesse mercado, o Brasil tem enorme potencial para crescimento. O Zoneamento Agroecológico da Palma-de-Óleo determinou que o país tem mais de 29 milhões de hectares aptos ao cultivo da oleaginosa distribuídos entre os 10 estados da chamada Amazônia Legal.
Além da disponibilidade de terras adequadas, o Brasil desde a introdução do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) em 2005 incluiu o país entre os maiores players globais do segmento de biodiesel o que aumentou o interesse em investimentos no mercado local de palma-de-óleo.
Dificuldades
Apesar dos bons resultados, os atores sinalizam que nem tudo tem sido simples nesse processo. Não é só por meio da derrubada de matas que o cultivo extensivo de palma-de-óleo gera impacto socioambiental. Há casos de poluição em cursos d’água e do acirramento de tensões pela posse de terras e pressão social causada pela chegada de trabalhadores atraídos pelas perspectivas de emprego no setor.
Os entraves burocráticos que precisam ser vencidos para que pequenos proprietários também reduz o número de agricultores que podem tirar proveito dessas iniciativas.
Mesmo as recentes dificuldades na economia brasileira podem levar a um retrocesso nos projetos já em andamento ou corte em projetos anunciados. “É incerto se este setor evoluirá para se tornar uma solução de longo prazo para a pobreza em áreas rurais da Amazônia”, completa Schoneveld.
O documento pode ser baixado (em inglês) clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com