O derretimento nas cotações do petróleo está atingindo em cheio as ambições da Indonésia e da Malásia para o mercado de biodiesel. Primeiro e segundo principais produtores de óleo de palma do planeta, esses dois países do Sudeste Asiático pretendiam implementar aumentos nas misturas entre biocombustível e combustível fóssil ainda esse ano.
O derretimento nas cotações do petróleo está atingindo em cheio as ambições da Indonésia e da Malásia para o mercado de biodiesel. Primeiro e segundo principais produtores de óleo de palma do planeta, esses dois países do Sudeste Asiático pretendiam implementar aumentos nas misturas entre biocombustível e combustível fóssil ainda esse ano.
Depois de implantar o B15 no ano passado, Indonésia tinha planos de chegar ao B20 em 2016. No caso da Malásia a aposta é menor. O país, que hoje usa B7, pretendia chegar ao B10 em outubro passado. Mas, até agora, nada.
Além de cortar importações de derivados de petróleo, ambos os países querem fortalecer a demanda por óleo de palma encontrando novos mercados para escoar seus estoques recorde dessa commodity. Contudo, o contexto mudou desde que as cotações do petróleos entraram num novo ciclo de queda acelerada e já atingiram seus patamares mais baixos em mais de uma década [veja gráfico] ao mesmo tempo em que os óleos vegetais começam a dar sinais de estabilidade [veja gráfico].
Garantia
Ao menos por enquanto, a linha oficial é de que os planos para o biodiesel estão mantidos. Segundo o diretor geral de energia renovável do governo da Indonésia, Rida Mulayana, garantiu à agência de notícias Reuters o B20 será implementado esse ano como prometido.
No caso da Malásia, a garantia foi dada pelo ministro das Plantações e Commodities, Douglas Uggah Embas, que assegurou que o governo está finalizando uma consulta com atores do segmento automotivo para a implementação da nova mistura. “Os preços não são o único fator em consideração”, afirmou o político. Ele reconheceu a dificuldade mas afirmou que o governo deve estar pronto para seguir adiante com o aumento da mistura a partir de fevereiro.
Segundo Embas, o programa de biodiesel é também uma ferramenta para que o governo de Kuala Lumpur possa tenham maior controle sobre a demanda por óleo de palma reduzindo a exposição de uma das maiores indústrias do país às flutuações do mercado internacional.
Ceticismo
Os analistas, contudo, estão céticos. “Eu acredito que tanto a Malásia quanto a Indonésia terão que rever suas políticas. Não faz sentido econômico, o diesel agora custa metade do óleo de palma”, disse à agência de notícias Reuters, M. R. Chandram que trabalha como consultor no mercado de óleos vegetais. A tonelada do óleo de palma estava cotada em cerca de US$ 550 nesse última quinta-feira (14) enquanto o mesmo volume de diesel custava US$ 283.
Isso exigiria que os governos dos dois países asiáticos reforçassem os subsídios concedidos ao biocombustível de forma a reduzir a diferença nos preços. Em agosto, a Indonésia instituiu a cobrança de um taxa de US$ 50 por tonelada de óleo de palma exportado com o objetivo explícito de subsidiar sua indústria de biodiesel. “Esses fundos não serão suficientes para subsidiar o volume integral”, diz o diretor executivo da Associação Indonésia da Palma-de-Óleo, Fadhil Hasan, acrescentando que o programa não será sustentável caso o barril do petróleo permaneça na faixa dos US$ 30.
O aumento nas misturas obrigatórias absorveria 3,4 milhões de toneladas de óleo de palma no caso da Indonésia e um milhão de toneladas na Malásia.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações Reuters e Bloomberg
O derretimento nas cotações do petróleo está atingindo em cheio as ambições da Indonésia e da Malásia para o mercado de biodiesel. Primeiro e segundo principais produtores de óleo de palma do planeta, esses dois países do Sudeste Asiático pretendiam implementar aumentos nas misturas entre biocombustível e combustível fóssil ainda esse ano.
Depois de implantar o B15 no ano passado, Indonésia tinha planos de chegar ao B20 em 2016. No caso da Malásia a aposta é menor. O país, que hoje usa B7, pretendia chegar ao B10 em outubro passado. Mas, até agora, nada.
Além de cortar importações de derivados de petróleo, ambos os países querem fortalecer a demanda por óleo de palma encontrando novos mercados para escoar seus estoques recorde dessa commodity. Contudo, o contexto mudou desde que as cotações do petróleos entraram num novo ciclo de queda acelerada e já atingiram seus patamares mais baixos em mais de uma década [veja gráfico] ao mesmo tempo em que os óleos vegetais começam a dar sinais de estabilidade [veja gráfico].
Garantia
Ao menos por enquanto, a linha oficial é de que os planos para o biodiesel estão mantidos. Segundo o diretor geral de energia renovável do governo da Indonésia, Rida Mulayana, garantiu à agência de notícias Reuters o B20 será implementado esse ano como prometido.
No caso da Malásia, a garantia foi dada pelo ministro das Plantações e Commodities, Douglas Uggah Embas, que assegurou que o governo está finalizando uma consulta com atores do segmento automotivo para a implementação da nova mistura. “Os preços não são o único fator em consideração”, afirmou o político. Ele reconheceu a dificuldade mas afirmou que o governo deve estar pronto para seguir adiante com o aumento da mistura a partir de fevereiro.
Segundo Embas, o programa de biodiesel é também uma ferramenta para que o governo de Kuala Lumpur possa tenham maior controle sobre a demanda por óleo de palma reduzindo a exposição de uma das maiores indústrias do país às flutuações do mercado internacional.
Ceticismo
Os analistas, contudo, estão céticos. “Eu acredito que tanto a Malásia quanto a Indonésia terão que rever suas políticas. Não faz sentido econômico, o diesel agora custa metade do óleo de palma”, disse à agência de notícias Reuters, M. R. Chandram que trabalha como consultor no mercado de óleos vegetais. A tonelada do óleo de palma estava cotada em cerca de US$ 550 nesse última quinta-feira (14) enquanto o mesmo volume de diesel custava US$ 283.
Isso exigiria que os governos dos dois países asiáticos reforçassem os subsídios concedidos ao biocombustível de forma a reduzir a diferença nos preços. Em agosto, a Indonésia instituiu a cobrança de um taxa de US$ 50 por tonelada de óleo de palma exportado com o objetivo explícito de subsidiar sua indústria de biodiesel. “Esses fundos não serão suficientes para subsidiar o volume integral”, diz o diretor executivo da Associação Indonésia da Palma-de-Óleo, Fadhil Hasan, acrescentando que o programa não será sustentável caso o barril do petróleo permaneça na faixa dos US$ 30.
O aumento nas misturas obrigatórias absorveria 3,4 milhões de toneladas de óleo de palma no caso da Indonésia e um milhão de toneladas na Malásia.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações Reuters e Bloomberg