

A Malásia está empenhada em reativar sua indústria de biodiesel e está lançando um consórcio industrial formado por empresas do ramo de palma-de-óleo.

O governo da Malásia está empenhado em reativar sua indústria de biodiesel com a meta de estimular a demanda por óleo de palma e, dessa forma, ajudar a reverter a tendência de queda nas cotações do produto. Recentemente, foi anunciado o lançamento do Biodiesel Malaysia Sdn Bhd, um consórcio encabeçado pelo governo de Kuala Lumpur e composto por algumas das maiores companhias malaias do setor de palma-de-óleo.
O consórcio já atraiu a gigante Felda Global Ventures – empresa que fez o segundo maior IPO do ano passado, atrás apenas do Facebook – e a Sime Darby. Essas duas são donas de 32% e 23% das ações da nova iniciativa que deverá começar a produzir biodiesel nos próximos dois meses. Outras produtoras de palma e empresas do setor de petróleo têm sido incentivadas a investir os outros 45%.
O atual CEO da Felda, Datuk Sabri Ahmad, é cotado para assumir a presidência do conselho da nova companhia. Ele tem mais de 30 anos de experiência no setor de palma-de-óleo e grande expertise no gerenciamento de cadeias de suprimento. Seu contrato com a Felda deve expirar em julho.
A Biodiesel Malaysia seria a responsável por executar o plano do governo da Malásia de implementar o B10 em meados do próximo ano.
Também há planos de tentar capturar uma parte maior da demanda da União Europeia aproveitando a janela de oportunidade criada no momento em que a relação entre a UE e seus dois principais fornecedores de biodiesel – a Argentina e a Indonésia – está abalada por uma investigação de dumping. Nos últimos meses, algumas das usinas do país já vêm aumentando seus embarques com destino à países europeus.
Por enquanto, os preços do óleo de palma tem se mantido em 2.300 ringitt por tonelada (o equivalente a US$ 745). Baixo o bastante para tornar o modelo de negócios do consórcio atraente. No entanto, críticos dizem que tão logo as cotações internacionais se recuperem, as operações precisaram passar a ser subsidiadas.
No ano passado, a Malásia produziu 130 mil toneladas de biodiesel de palma. Destes, 100 mil toneladas foram consumidas internamente e 30 mil foram para o mercado internacional. Em comparação, a vizinha Indonésia – que compete com a Malásia pelo posto de maior produtora de óleo de palma do mundo – fabricou 1,2 milhões de toneladas do biocombustível no ano passado;
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com