Alemanha manda recolher 238 mil carros da Mercedes-Benz por mascarar poluentes

O Ministério dos Transportes da Alemanha ordenou nesta segunda-feira a retirada de 238 mil carros a diesel da fabricante Daimler (dona da Mercedes-Benz), por causa de software que mascara o volume de emissão de poluentes.

"O governo vai ordenar que 238 mil veículos Daimler sejam imediatamente chamados para recall na Alemanha por causa de dispositivos não autorizados", disse o Ministério de Transportes da Alemanha em comunicado.

O jornal alemão Bild am Sonntag disse, em reportagem desta segunda-feira (11), que até 1 milhão de carros da montadora Daimler podem ter o sistema de medição de emissão de poluentes fraudado.

Elżbieta Bieńkowska, comissária da Indústria da Europa, afirmou pelo Twitter que todos os 28 estados membros da União Europeia deveriam emitir recalls obrigatórios, o que levaria o total a 774 mil veículos. “O escândalo do diesel ainda não acabou”, acrescentou ela.

A Alemanha só pode ordenar o recall de veículos dentro de suas próprias fronteiras.

Após a publicação da reportagem, o presidente-executivo da Daimler, Dieter Zetsch, se reuniu por duas horas com o Ministro dos Transportes da Alemanha. A empresa confirma o recall e se comprometeu a retirar o software que prejudica a medição correta da emissão de poluentes.

Segundo a Reuters, o programa de computador investigado é desativado muito cedo e sem motivo. O erro foi descoberto pela KBA (autoridade de transportes automotivos do país). A entidade disse que tais dispositivos eram "inadmissíveis" nos motores Mercedes-Benz.

Fabricantes de automóveis usam programas de computador para gerenciar a filtragem de emissões e o desempenho do motor.

Os principais modelos afetados são as versões a diesel da van Vito, da Mercedes-Benz, do sedan Mercedes C-Class, e os utilitários (SUV) da linha GLC . Cerca de 238 mil desses carros circulam na Alemanha.

A Daimler, como outros fabricantes de carros, usa líquidos de nitrato de ureia para neutralizar as emissões de óxido de nitrogênio nos gases de escapamento. No entanto, a autoridade de veículos automotivos da Alemanha, a KBA, questionou os recursos de controle de emissões em meio a suspeitas de que eles permitem que os veículos emitam excesso de poluição sem detecção.

Volkswagen

O escândalo de emissões ronda a indústria automobilística alemã desde setembro de 2015, quando a Volkswagen admitiu usar um software que pode dizer quando um veículo a diesel é testado e temporariamente reduzir suas emissões tóxicas para aprovar as regulamentações dos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira (11), o presidente da Audi, Rupert Stadler foi incluído na lista de acusados de fraude e falsificação de documentos. As autoridades de Munique realizaram buscas no apartamento de Standler e de outro executivo da empresa, cujo nome não foi divulgado.

Ambos se unem ao ex-presidente-executivo da Volksvagen, Martin Winterkorn, e outros vinte executivos investigados acusados de conspirar para fraudar o governo dos Estados Unidos quanto à aplicação dos padrões de emissões de poluentes estabelecidos pela Lei do Ar Limpo.

Empresa e executivos já pagaram quase US$ 25 milhões em multas.

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