Petrobras recupera mercado de diesel e gasolina em abril, diz diretor

A Petrobras apresentou uma recuperação de participação no mercado de venda de gasolina e diesel no Brasil em abril, como resultado de uma estratégia para se tornar mais competitiva, afirmou nesta terça-feira o diretor-executivo de Refino e Gás Natural da estatal, Jorge Celestino.

A empresa elevou sua participação no mercado de diesel —combustível mais consumido do Brasil— para 79% em abril, ante 77% em março e 74% em todo ano de 2017. Já na gasolina sua parcela foi a 86% em abril, contra 80% no mês anterior e 83% na média do ano passado.

“O que a gente fez no fim de novembro e início de dezembro foi ajustar as margens e também... serviços em alguns pontos onde a competição entre a produção da Petrobras versus importação estava mais acirrada”, disse o executivo, a jornalistas.

Dentre os pontos que precisaram de uma ação mais efetiva da Petrobras, Celestino citou os portos de Paranaguá, Santos, Itaqui e Suape.

Essa ações foram feitas em momento em que a Petrobras executa reajustes quase que diários na gasolina e diesel nas refinarias, o que de certa forma reduz o espaço para concorrentes importarem.

As medidas para recuperação do mercado foram implementadas após a empresa – que detém quase 100% da capacidade de refino do Brasil – ter visto sua participação de mercado cair de forma relevante, devido a um aumento da importação por concorrentes.

Normalmente, a empresa costuma explicar que alterações em estratégias como essa levam alguns meses para ter efeito no mercado, já que a contratação de cargas no exterior é feita com antecedência.

Celestino apontou que as importações por concorrentes de diesel ao Brasil caíram a 2,907 milhões de metros cúbicos, ante 4,170 milhões de metros cúbicos no último trimestre de 2017. Segundo ele, a tendência de importações continua com viés de baixa – no último trimestre, ainda ficaram acima do registrado nos primeiros três meses de 2017 (2,078 milhões).

Já no caso da gasolina, no entanto, houve aumento das importações por terceiros a 975 mil metros cúbicos no primeiro trimestre, ante 847 mil metros cúbicos no último trimestre de 2017.

Para manter sua estratégia de recuperação de mercado, a Petrobras está trabalhando em um novo modelo de contrato com distribuidoras, apresentando maior atratividade.

Na véspera, a sua controlada BR Distribuidora afirmou que espera obter benefícios para contratar maiores volumes de combustíveis com a petroleira estatal, sem que perca a liberdade de importar suprimentos.

“Pretendemos aprovar em junho na diretoria para que os contratos comecem a vigorar em julho”, disse Celestino, destacando que o novo modelo terá prazo de vigência de 12 meses, em busca de testar melhorias para serem aplicadas mais adiante.

Desinvestimento

Recentemente, a Petrobras anunciou um plano para vender 60% da sua capacidade de refino nas áreas Sul e Nordeste do país, incluindo quatro refinarias, além de terminais e outras infraestruturas.

Além disso, a Petrobras está em negociações com a estatal chinesa CNPC para compartilhar e finalizar a refinaria do Comperj, no Rio de Janeiro, cuja construção – atualmente paralisada – está cerca de 75% concluída.

O diretor-executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, Ivan Monteiro, afirmou que a empresa está “trabalhando intensamente para o desenvolvimento dessa parceria” com a CNPC. Mas não apresentou prazos ou detalhes sobre o negócio.

Sobre o plano de desinvestimentos de áreas operacionais, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou que o modelo de venda encontrou apoio do mercado.

“Mostrou uma visão muito alinhada de diversas áreas tanto governamentais como não governamentais em relação à solução que está sendo proposta, que de um lado atrai parceiros e de outro lado mantém a visão de empresa integrada, porque mantém com a Petrobras 75% do nosso parque”, disse Parente.

Exportações e Importações

A Petrobras manteve a posição de exportadora líquida, com saldo de 507 mil barris por dia (bpd) de óleo e derivados no primeiro trimestre de 2018, ante os 489 mil bpd no primeiro trimestre de 2017, em função da redução das importações em 38%, informou a empresa.

As exportações de petróleo no primeiro trimestre somaram 496 mil bpd, contra 609 mil bpd no mesmo período do ano passado. As exportações de combustíveis, na mesma comparação, aumentaram para 190 mil bpd, contra 170 mil bpd.

Já as importações de combustíveis pela Petrobras caíram para 179 mil bpd no primeiro trimestre, ante 290 mil bpd no mesmo trimestre do ano passado.
 

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