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Investimentos em energias renováveis em alta, menos biocombustíveis

Os biocombustíveis foram barrados no baile. É o que mostra um novo relatório sobre os investimentos em energias renováveis elaborado pela Bloomberg.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Os biocombustíveis foram barrados no baile. É o que mostra a mais recente edição do relatório Bloomberg New Energy Finance (BNEF) que acompanha a evolução dos investimentos mundiais em energias renováveis para o período entre 2004 e 2015. Segundo o documento, no ano passado os investimentos no setor encostaram em US$ 329 bilhões superando o anterior que havia sido registrado em 2011 – ano em que desembolsos totalizaram US$ 318,3 bilhões.

Os biocombustíveis foram barrados no baile. É o que mostra a mais recente edição do relatório Bloomberg New Energy Finance (BNEF) que acompanha a evolução dos investimentos mundiais em energias renováveis para o período entre 2004 e 2015. Segundo o documento, no ano passado os investimentos no setor encostaram em US$ 329 bilhões superando o anterior que havia sido registrado em 2011 – ano em que desembolsos totalizaram US$ 318,3 bilhões.

Entre 2014 e 2015, o avanço foi de 4,1%. Já entre o ano passado e o começo da série, a expansão chega a impressionantes 430% – ou cerca de 16,5% ao ano. A não ser por um curto hiato entre os ano de 2012 e 2013, os investimentos cresceram durante todo o período [veja gráfico]

Em meio a essa euforia, os investimentos em biocombustíveis foram de apenas US$ 3 bilhões – menos de 1% do total. Esse foi o pior resultado para o segmento tanto em níveis absolutos quanto proporcionais em todo o histórico do BNEF.

Ascenção e queda

A história dos investimentos em biocombustíveis parece ser uma de ascensão e queda rápida. De 2004 até 2006 os investimentos se multiplicaram por 6, saindo de US$ 4 bilhões para atingir US$ 28,2 bilhões. Entre 2006 e 2007, os investimentos se estabilizaram mas, desde então, iniciaram uma descendente que continua até agora.

Entre o pico de investimentos – em 2007 com US$ 28,3 bilhões – e o ano passado a queda já ultrapassa os 89%

Energia solar e eólica foram os grandes responsáveis pelo avanço dos renováveis.

As fontes solares, em particular, acumulam um crescimento de 1.250% nos últimos 12 anos e representaram praticamente metade dos investimentos realizados no ano passado. Desde 2011 elas ocupam o topo do ranking de investimentos e, no ano passado, receberam aportes de US$ 161,5 bilhões.

Já as fontes eólicas receberam US$ 109,6 bilhões representando cerca de um terço do total.

Apesar desse investimento mais modesto, no ano passado as usinas eólicas acrescentaram 64 gigawatts em capacidade de geração contra 57 gigawatts em usinas solares fotovoltaicas comissionadas no ano passado. Somados, esses 121 gigawatts correspondem a aproximadamente metade de toda a oferta nova de eletricidade acrescentada no mundo no ano passado.

Os investimentos nas demais fontes de energia renovável totalizaram US$ 54,7 bilhões [veja gráfico].



Onde

A China continua liderando o mercado. No ano passado, os chineses colocaram US$ 110,5 bilhões em energias limpas, avanço de 17,1% sobre o ano anterior. Desde 2004, o investimento chinês na área tem crescido a taxa de 37,2% ao ano.

O segundo maior investidor do mundo foi a Europa com US$ 58,5 bilhões. Só que por lá o ímpeto vem caindo. No ano, a retração foi de 18,3%. Mas já acumula 55% se a comparação foi feita com o pico dos desembolsos em 2011.

Já o Brasil colocou US$ 7,5 bilhões em energias limpas em 2015, 10% menos do que no ano anterior. Contudo, se olharmos desde o começo da série histórica, os investimento brasileiros praticamente se multiplicaram por 8.

Contraintuitivo

Esse recorde das renováveis vem num momento particularmente desafiador para o mercado de energia em geral em que os preços das fontes fósseis não param de cair.

A síntese deste novo momento do mercado de energia pode ser vista nas cotações do barril de petróleo, que entrou em queda vertiginosa em 2013 e já perdeu 66,3% de seu valor atinge os patamares mais baixos dos últimos 13 anos].

Mesmo que de forma menos espetacular, o gás natural e o carvão também vêm acompanhando esse movimento de mercado [veja gráfico].



"Esses números são uma resposta impressionante a todos que esperavam que o investimento em energia limpa fosse estagnar com a queda dos preços de petróleo e gás", disse o presidente do conselho consultivo da Bloomberg New Energy Finance, Michael Liebreich. "Os dados destacam a cada vez maior competitividade da energia solar e eólica, guiada em parte pelo movimento de muitos países para ampliar a capacidade por leilões reversos ao invés de com tarifas vantajosas, uma mudança que coloca os produtores sob constante pressão de preço", arrematou.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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