Éster vegetal é usado como isolante em transformadores
Um produto quimicamente aparentado com o biodiesel fabricado pela Cargill vem sendo usado como óleo isolantem em transformadores elétricos.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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Nem tudo na vida de uma usina de biodiesel precisa – necessariamente – girar em torno de biocombustíveis. Vira e mexe, surgem notícias de empresas do ramo em busca de alternativas tecnológicas que permitam diversificar o portfólio de produtos e, dessa forma, engordar o faturamento. Entre as frentes em aberto nesse sentido está no uso de ésteres de origem vegetal como uma alternativa aos óleos minerais usados como isolantes em transformadores elétricos.
Entre as empresas que estão na vanguarda dessa nova aplicação estão duas velhas conhecidas do mercado de biodiesel: a Cargill e sua subsidiária Innovatti. Essas duas empresas estão fabricando aqui no Brasil o Envirotemp FR3, um éster natural fabricado a partir do óleo de soja e, comercialmente falando, tem se saído razoavelmente bem nesse novo mercado.
Nem tudo na vida de uma usina de biodiesel precisa – necessariamente – girar em torno de biocombustíveis. Vira e mexe, surgem notícias de empresas do ramo em busca de alternativas tecnológicas que permitam diversificar o portfólio de produtos e, dessa forma, engordar o faturamento. Entre as frentes em aberto nesse sentido está no uso de ésteres de origem vegetal como uma alternativa aos óleos minerais usados como isolantes em transformadores elétricos.
Entre as empresas que estão na vanguarda dessa nova aplicação estão duas velhas conhecidas do mercado de biodiesel: a Cargill e sua subsidiária Innovatti. Essas duas empresas estão fabricando aqui no Brasil o Envirotemp FR3, um éster natural fabricado a partir do óleo de soja e, comercialmente falando, tem se saído razoavelmente bem nesse novo mercado.
Em abril, a Cargill fechou um acordo com a CPFL Energia que prevê o uso do FR3 em todos os 11 mil transformadores da companhia que distribui eletricidade para 570 municípios nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. E, no final do mês passado, assinou um contrato de fornecimento com a Tata Power, a maior companhia elétrica integrada da Índia, parte do qual será fabricado a partir das instalações da Innovatti em Mairinque (SP) – no mesmo parque onde a empresa costumava ter uma pequena usina de biodiesel com 10,8 milhões de litros em capacidade instalada.
O gerente de novos negócios da Cargill, Marcelo Martins, explica a BiodieselBR.com embora sejam coisas muito distintas entre si, o biodiesel e o FR3 são quimicamente aparentados. “Em questão de processos industrias seria factível que uma usina de biodiesel fabricasse um éster similar ao FR3, mas é preciso deixar bem claro que são classes muito diferentes de produtos”, diz alertando que ninguém deveria sequer pensar em colocar biodiesel dentro de um transformador elétrico de alta potência. Martins conta que o FR3 foi desenvolvido ainda nos anos 1990 por cientistas de uma companhia norte-americana de equipamentos elétricos chamada Cooper Power Systems que já licenciava essa tecnologia para a Cargill. Em 2012, a Cargill adquiriu a divisão da Cooper responsável por esse produto.
O entrevistado explica que esse tipo de óleo exerce duas funções fundamentais nos transformadores: ele isola os circuitos elétricos vivos impedindo a ocorrência de curtos-circuitos e ajuda a refrigerar o sistema. Um óleo isolante mais eficaz permite que os transformadores sejam menores o que os torna mais baratos. “Ele [o transformador] fica 20% menor e como esses transformadores são feitos com materiais caros como cobre e aço silício você consegue reduzir a quantidade consumida de todos esses materiais”, argumento.
Além disso, o éster natural também é significativamente mais seguro que sua contraparte fóssil. Como ele tem um ponto de combustão mais elevado – o FR3 queima a partir de 360ºC contra 165ºC no óleo mineral convencional – isso reduz substancialmente o risco de incêndios. “Normalmente quando um transformador desses superaquece e explode isso acontece por volta dos 300ºC, se tiver óleo mineral ele vai se incendiar imediatamente e espalhar o fogo por tudo o que tiver em volta”, explica acrescentando que o produto de origem natural também é biodegradável e atóxico.
Do ponto de vista de mercado, esse é um produto que tem um volume uma ordem de magnitude menor do que as quantidades do setor de biodiesel – o Brasil consome cerca de 70 mil toneladas desse tipo de produto ao ano. Mas com o FR3 negociado entre R$ 5 e R$ 6 o litro, há um bom potencial de ganho nesse mercado, ainda mais considerando o potencial exportador desse tipo de produto. “Na China o mercado chega a 500 mil toneladas por ano”, diz Martins acrescentando que a Cargill já pensa em instalar uma planta na Índia para fabricar o FR3.