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Rio se prepara para ter B20 na Copa 2014 e na Olimpíada de 2016

A cidade do Rio de Janeiro planeja consumir um grande volume de biodiesel através do transporte público. Custo ainda é o maior problema
BiodieselBR.com 4 min de leitura
A cidade do Rio de Janeiro planeja consumir um grande volume de biodiesel através do transporte público. Custo ainda é o maior problema

A cidade do Rio de Janeiro deve sediar alguns dos principais jogos da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. E está nos planos dos cariocas, entre as inúmeras medidas que serão tomadas para recepcionar os dois eventos, investir na melhoria da qualidade do ar e na redução de emissões de poluentes. Uma iniciativa da Fetranspor – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com a BR Distribuidora, a Shell, a Ipiranga e o Governo do Estado quer colocar todos os 8500 ônibus da cidade para rodar com B20. A iniciativa, se concretizada, irá consumir cerca de 4,5 milhões de litros de biodiesel por mês.

“Foi um compromisso que o Comitê Olímpico Brasileiro assumiu com o COI (Comitê Olímpico Internacional) de ter o B20 nos ônibus do transporte urbano e nos que farão o transporte dos atletas”, explica o gerente de operações da Fetranspor, Guilherme Wilson.

Para chegar nessa meta ambiciosa, desde novembro de 2009 quinze veículos da frota da Fetranspor estão rodando com B20. Os ônibus vão ficar um ano nas ruas do Rio, atendendo a linhas regulares do transporte coletivo. Depois de doze meses, os motores dos veículos serão enviados às montadoras, que vão analisar se houve desgaste nos equipamentos além do que já é observado na frota regular.

Os 15 ônibus gastam, em média, oito mil litros de biodiesel por mês e 40 mil litros de B20. O combustível é adquirido diretamente das distribuidoras. Se tudo der certo, a Fetranspor espera aumentar a frota de ônibus que rodam com B20 já em 2011.

O projeto também prevê o acompanhamento dos índices de emissão de poluentes e do custo adicional que o uso do B20 ocasiona. “Nossa preocupação é não passar esse valor para o usuário final do transporte, o que seria um desastre”, avisa.

“O biodiesel puro é hoje, ainda, cerca de 60% mais caro que o preço do óleo diesel convencional. Como o transporte público no Brasil é remunerado por tarifa de viagem fica difícil repassar estes custos diretamente para os passageiros, o que seria inclusive um desestímulo ao transporte coletivo e uma penalização às camadas mais desprivilegiadas de nossas cidades. O que precisamos é de uma política social de inserção do biodiesel e não apenas uma política de introdução do mesmo na matriz energética”, defende.

Para tentar fazer “fechar a conta”, a Fetranspor pretende negociar créditos de carbono depois que a iniciativa estiver implantada. A instituição também estuda pedir ao Governo do Estado incentivos fiscais. Tudo para evitar que o gasto extra vá parar na tarifa de transporte urbano. “Nesse período de testes estamos avaliando tudo isso”, avisa.

O uso de biodiesel em percentual superior a adição obrigatória definida por lei não é novidade no transporte urbano da cidade. “Em 2007 lançamos o Programa Ambiental Fetranspor que tinha entre suas atividades o uso de B5 em 3,5 mil ônibus da cidade”, lembra. A experiência durou seis meses.

Na época, a Federação contou com a parceria da BR Distribuidora, que fez a mistura do combustível e também arcou com parte dos custos do projeto. A Mercedes Benz e a Volkswagen mantiveram a garantia dos motores e fizeram o acompanhamento técnico da experiência. “No fim, a ANP homologou o uso do B5. Acho que essa iniciativa ajudou na antecipação do B5 para 2010”, diz Wilson.

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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