BiodieselBR
Publicidade

Produtores de biodiesel analisam o 19º leilão

Usinas respondem a perguntas sobre o desfecho do 19º Leilão de Biodiesel
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Usinas respondem a perguntas sobre o desfecho do 19º Leilão de Biodiesel


Qual a avaliação geral do leilão?

Charles Mann de Toledo, Diretor de Relação com os Investidores da Brasil Ecodiesel:
“De forma geral, o leilão foi exitoso, já que conseguiu vender o volume todo. Entretanto, os preços ficaram muito aquém da expectativa, com um deságio médio de aproximadamente 25%”.

Mateus Henrique Andrich, gerente industrial da Olfar (RS):
“De um modo geral não podemos considerar ruim, pois conseguimos vender uma quantidade maior do que o anterior, porém o deságio foi muito grande, mas já tínhamos previsão de que isso poderia acontecer. Então não foi uma surpresa”.

João Luiz Ribas Pessa, diretor da Cooperbio (MT):
“Foi um desastre. As usinas só entraram nesse leilão para não ficar com a fábrica parada e ter um prejuízo ainda maior”.

Marcos Merlin Boff, diretor da Oleoplan (RS):
“O preço nos surpreendeu. O resultado desse leilão traz mudanças no cenário com que vinha operando o mercado. É um momento novo e os produtores terão que se adaptar. Quem for mais eficiente vai se impor no mercado. Alguns terão problemas para cumprir os contratos, porque o último trimestre é de entressafra de soja e há maior instabilidade nos preços.

O valor médio negociado de R$ 1,74 garante margem suficiente para as usinas como um todo?

Charles Mann de Toledo: “As margens foram bastante comprimidas. No entanto, caberá a cada empresa colocar em prática as ações necessárias para minimizar esse impacto”.

Mateus Henrique Andrich: “Não, não garantem, apenas terão uma pequeníssima margem as empresas verticalizadas”.

João Luiz Ribas Pessa: “Mesmo para nossa usina, que pela localização tem acesso à matéria-prima mais barata, estamos perdendo dinheiro. Imagine então as usinas de outros Estados. As empresas que têm esmagadoras estão deixando de vender o óleo para subsidiar o biodiesel. Fica um pouco mais confortável para nós porque teremos uma ocupação perto de 70%, o que vai permitir diluir nossos custos fixos ao longo dos três meses”

Marcos Merlin Boff: “Esse preço diminui bastante a margem de lucro. Mas nós temos nos preparado para trabalhar com esse preço. Avançamos no volume, com margem menor, para termos condições de ganhar participação de mercado”.

Por que, na sua opinião, mesmo com praticamente a mesma capacidade ofertada das usinas no leilão passado, houve esse deságio recorde?

Charles Mann de Toledo: “Houve uma grande oferta com preços mais baixos, o que ampliou a competitividade no leilão e reduziu as margens do setor”.

Mateus Henrique Andrich: “Acredito que as usinas queriam garantir maior participação e ficar menos ociosas”.

João Luiz Ribas Pessa: “Ao contrário do leilão anterior, onde a competição ficou maior no segundo lote por causa da Brasil Ecodiesel, a competição desta vez chegou também ao primeiro lote e o preço ficou quase igual ao segundo. Mas para quem tem o selo social isso é ruim, pois os gastos com a matéria-prima da agricultura familiar são maiores. Se o governo não aumentar a mistura para o B7, B8 e B10 vamos ver muitas fábricas fechar”.

Marcos Merlin Boff: “Agora a maioria das usinas mudaram sua estratégia. No leilão passado houve a acomodação dos produtores, que limitaram o volume de suas vendas. Agora muitas usinas quiseram ofertar mais e ocupar mais suas unidades. A ADM e a PBio, por exemplo, vendiam sua capacidade cheia e oprimiam os outros produtores. No nosso caso, houve um enfrentamento para ganhar mercado. Tivemos mais disposição para brigar por preço”.

O preço de venda da Ecodiesel ficou abaixo dos custos de produção?

Charles Mann de Toledo: “Conforme afirmamos em nosso comunicado aos acionistas, o volume arrematado pela Brasil Ecodiesel está alinhado com o posicionamento estratégico da companhia e coerente com sua política de gestão de riscos. Essa decisão levou em conta vários outros fatores, além dos custos das matérias-primas. Existe também a possibilidade, a exemplo do ocorrido nesse trimestre, que a Petrobras realize um novo leilão de reposição de estoque”.

Por que a Ecodiesel preferiu concentrar as negociações no segundo lote, onde tradicionalmente os preços ficam menores?

Charles Mann de Toledo: “Essa foi uma estratégia definida no decorrer do leilão. Verificamos, ao longo do primeiro lote, que os preços já estavam baixos e julgamos que, caso houvesse, a diferença dos Lotes 1 e 2 seria mínima, o que acabou ocorrendo. Se tivéssemos participado mais ativamente do primeiro lote, o deságio deste teria sido maior”.

Alice Duarte – BiodieselBR.com
Tags L19
Compartilhar:

Artigos relacionados