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Petrobras de Quixadá na berlinda

"Hoje só existe produção de mamona suficiente para atender um dia por mês de produção da usina. A empresa está buscando soja do Centro-Oeste e isso não tem sentido”
BiodieselBR.com 4 min de leitura
"Hoje só existe produção de mamona suficiente para atender um dia por mês de produção da usina. A empresa está buscando soja do Centro-Oeste e isso não tem sentido”

A bancada do PSDB na Assembléia Legislativa do Ceará está questionando os investimentos da Petrobras Biocombustíveis feitos em Quixadá. Para o deputado estadual João Jaime, a construção da usina de biodiesel no município atendeu critérios políticos, não técnicos. “A Petrobrás foi instalada para processar mamona produzida no Ceará, como uma forma de trazer desenvolvimento econômico para a região. Mas hoje só existe produção da oleaginosa suficiente para atender um dia por mês de produção da usina. A empresa está buscando soja do Centro-Oeste e isso não tem sentido”, critica o parlamentar.  Jaime denuncia que por conta da má aplicação dos investimentos (orçados em R$ 100 milhões), a empresa está operando no prejuízo, pois o custo do biodiesel produzido seria bem mais caro que a média do mercado. “A Petrobras não pode agir de forma política, pois ela tem ações na bolsa e precisa dar satisfação para seus acionistas quanto a novos investimentos”, diz o deputado, ressaltando que o município de Quixadá teve administração petista em três das quatro últimas gestões. O prefeito Ilário Marques, do PT, foi reeleito este ano. De acordo com o deputado, uma comissão de parlamentares visitará a fábrica esta semana, acompanhada da imprensa, para verificar como ela está operando.

Inaugurada em 20 de agosto, a planta industrial de Quixadá tem capacidade para produzir 57 milhões de litros de biodiesel por ano. Além de óleos vegetais brutos, a unidade pode processar sebo bovino e óleos e gorduras residuais (OGR). Em dois meses a unidade produziu cerca de dois milhões de litros. “Até o final de 2008 a produção chegará a quatro milhões de litros”, informou a Petrobras em comunicado à imprensa.
 
A empresa informa que até 2011 o Ceará deverá produzir oleaginosas suficientes para atender a demanda de produção da usina. Porém, o deputado lembra que a primeira safra da oleaginosa deu prejuízo e no ano seguinte os produtores não quiseram se arriscar de novo. Para não parar completamente a safra, este ano a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) do governo do Estado subsidiou o plantio em R$ 150 por hectare, para os agricultores familiares com até três hectares. Em 2009 o auxílio deverá ser de R$ 200 a 300, com recursos do Fundo de Combate à Pobreza. Além do subsídio, o governo forneceu 50% das sementes (o restante está sendo financiado pela Petrobras). “Também cedemos para as cooperativas e associações comunitárias 150 máquinas para descascar mamona”, informa Walmir Severo Magalhães, coordenador do programa de biodiesel da SDA.

O zoneamento agrícola para o plantio da mamona deve ser concluído em todos os Estados do Nordeste este ano. A safra no Ceará – que é consorciada com milho e feijão e cuja colheita encerra no dia 15 de dezembro – é de 22.150 hectares. Espera-se um rendimento de 420 quilos por hectare, ou seja, 9,3 mil toneladas, valor considerado muito baixo até mesmo pelo governo do Estado. Em quantidade de óleo, essa safra rende menos que cinco milhões de litros, volume suficiente para abastecer somente um mês de produção da Petrobras de Quixadá.

Segundo a assessoria de imprensa da Petrobras, a usina adquiriu em 2008 1.000 toneladas de mamona, comercializada com os agricultores familiares, além de 75 toneladas de girassol. “A Petrobras Biocombustível iniciou em novembro o processo de aquisição de oleaginosas desta safra, que deverá envolver cerca de quatro mil agricultores familiares, e já movimentou cerca de R$ 1 milhão, garantindo desta forma um mercado para a produção de mamona no Estado, gerando renda para a agricultura familiar”, disse a empresa em comunicado.

No 12º. Leilão de Biodiesel, realizado em novembro, a unidade comercializou dois milhões de litros para o primeiro trimestre de 2009, a um preço de R$ 2,38 o litro.

Alice Duarte - BiodieselBR.com
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