Aumento no preço do óleo vegetal reduziu a atratividade do H-bio. Como
o produto não substituiu a exigência de adição do biodiesel, sua
utilização só será viável quando ficar mais barato que o diesel
Aumento no preço do óleo vegetal reduziu a atratividade do H-bio.
A Refinaria Abreu e Lima vai ser implantada com capacidade para processar o H-bio, processo de inclusão de óleo vegetal diretamente no refino. Mas executivos da Petrobras afirmam que, se fosse hoje, não comprariam uma gota de óleo vegetal, simplesmente porque o produto está mais caro do que o diesel mineral e não cumpre a meta de adição de 3% de biodiesel, determinada em lei.
O H-Bio é uma tecnologia patenteada pela Petrobras que adiciona, diretamente no processo de refino do diesel, óleo vegetal, como o de soja, milho ou mamona. Até 10% de óleo vegetal pode ser inserido no processo de refino. Uma das vantagens deste método é diminuir o nível de enxofre do diesel final e ter as mesmas condições de estocagem.
O H-bio era uma das apostas da Petrobras para cumprir a demanda por incluir combustíveis renováveis na matriz energética brasileira, como a obrigatoriedade de adição de 3% de biodiesel no diesel mineral. Acontece que, na regulamentação da adição de biodiesel, o H-bio ficou de fora. Dessa forma, a produção só é realizada quando financeiramente vale a pena.
O biodiesel é um óleo vegetal processado e transformado em diesel, de acordo com especificações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“A Petrobras vai fazer dessa refinaria apta para processar H-bio, mas se vai utilizar ou não depende das condições de mercado. O H-bio, da forma como está a legislação hoje, só é interessante quando no máximo empata com o custo do diesel”, explicou o diretor da Refinaria Abreu e Lima S.A., João Batista Aquino. Dessa forma, não fica garantida uma das principais vantagens sociais da refinaria de Suape, que seria estimular a produção de oleaginosas no interior do Estado para suprir a refinaria. De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da refinaria, a previsão era adquirir 1,2 milhão de litros por dia de óleo vegetal, o que poderia beneficiar a agricultura do Estado.
A grande meta de produção desta refinaria é justamente o diesel, derivado de petróleo que o Brasil mais importa. A Abreu e Lima prevê produzir 70% de diesel de um total de 230 mil barris por dia processado. No cálculo do diretor da refinaria, isso daria para adicionar, no mínimo, um milhão de litros de óleo vegetal por dia.
A adição de biodiesel na matriz energética não está sendo feita sem custos. No mais recente leilão da ANP, o biodiesel foi vendido por cerca de R$ 2,40, mais de 20% acima do preço do diesel comum. Como esse combustível mais caro é adicionado numa fração pequena, de 3%, o custo desse subsídio é bastante diluído.
DIFERENÇA
O superintendente de abastecimento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Edson Santos, defende que o H-bio não seja tratado como substituto do biodiesel – como seria interessante para a Petrobras. “O H-bio e o biodiesel são coisas distintas. O biodiesel é um óleo vegetal que tem uma regra de utilização e padronização. O H-bio é um processo, não um produto novo, não um combustível diferente”, diferencia.
Atualmente, há 62 empresas autorizadas a comercializar biodiesel em leilões da ANP. Hoje, a maior fonte de matéria-prima para fabricação de biodiesel vem da soja, em primeiro lugar, e gordura animal, o sebo, em segundo lugar.
Para ele, não é necessário forçar um volume maior de produção de biocombustíveis com óleo vegetais nesse momento. “Não deve ser mais agressivo do que é. O biodiesel tem que tem passar por um processo de aprendizagem como já aconteceu com o álcool, antes de ir para metas mais agressivas”, defende. Esse processo de aprendizagem inclui a consolidação das empresas que atuam no setor, o respeito às definições técnicas de qualidade e a própria expansão da oferta, que permitiria obter preços que não dependessem de subsídios.
Mesmo com toda a produção vegetal e animal brasileira, país exportador de commodities agrícolas, o preço do biodiesel é ainda mais caro do que o do diesel mineral, como atestam os leilões da ANP. Já o etanol conseguiu se consolidar e ser uma boa opção nas bombas, sendo apenas menos competitivo na entressafra.
Renato Lima - Jornal do Commercio - PE
A Refinaria Abreu e Lima vai ser implantada com capacidade para processar o H-bio, processo de inclusão de óleo vegetal diretamente no refino. Mas executivos da Petrobras afirmam que, se fosse hoje, não comprariam uma gota de óleo vegetal, simplesmente porque o produto está mais caro do que o diesel mineral e não cumpre a meta de adição de 3% de biodiesel, determinada em lei.
O H-Bio é uma tecnologia patenteada pela Petrobras que adiciona, diretamente no processo de refino do diesel, óleo vegetal, como o de soja, milho ou mamona. Até 10% de óleo vegetal pode ser inserido no processo de refino. Uma das vantagens deste método é diminuir o nível de enxofre do diesel final e ter as mesmas condições de estocagem.
O H-bio era uma das apostas da Petrobras para cumprir a demanda por incluir combustíveis renováveis na matriz energética brasileira, como a obrigatoriedade de adição de 3% de biodiesel no diesel mineral. Acontece que, na regulamentação da adição de biodiesel, o H-bio ficou de fora. Dessa forma, a produção só é realizada quando financeiramente vale a pena.
O biodiesel é um óleo vegetal processado e transformado em diesel, de acordo com especificações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“A Petrobras vai fazer dessa refinaria apta para processar H-bio, mas se vai utilizar ou não depende das condições de mercado. O H-bio, da forma como está a legislação hoje, só é interessante quando no máximo empata com o custo do diesel”, explicou o diretor da Refinaria Abreu e Lima S.A., João Batista Aquino. Dessa forma, não fica garantida uma das principais vantagens sociais da refinaria de Suape, que seria estimular a produção de oleaginosas no interior do Estado para suprir a refinaria. De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da refinaria, a previsão era adquirir 1,2 milhão de litros por dia de óleo vegetal, o que poderia beneficiar a agricultura do Estado.
A grande meta de produção desta refinaria é justamente o diesel, derivado de petróleo que o Brasil mais importa. A Abreu e Lima prevê produzir 70% de diesel de um total de 230 mil barris por dia processado. No cálculo do diretor da refinaria, isso daria para adicionar, no mínimo, um milhão de litros de óleo vegetal por dia.
A adição de biodiesel na matriz energética não está sendo feita sem custos. No mais recente leilão da ANP, o biodiesel foi vendido por cerca de R$ 2,40, mais de 20% acima do preço do diesel comum. Como esse combustível mais caro é adicionado numa fração pequena, de 3%, o custo desse subsídio é bastante diluído.
DIFERENÇA
O superintendente de abastecimento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Edson Santos, defende que o H-bio não seja tratado como substituto do biodiesel – como seria interessante para a Petrobras. “O H-bio e o biodiesel são coisas distintas. O biodiesel é um óleo vegetal que tem uma regra de utilização e padronização. O H-bio é um processo, não um produto novo, não um combustível diferente”, diferencia.
Atualmente, há 62 empresas autorizadas a comercializar biodiesel em leilões da ANP. Hoje, a maior fonte de matéria-prima para fabricação de biodiesel vem da soja, em primeiro lugar, e gordura animal, o sebo, em segundo lugar.
Especialista defende avanço com paciência
Para Edmar Almeida, professor do grupo de economia da energia da UFRJ, é natural que a Petrobras desista de processar H-bio quando o preço do óleo vegetal estiver acima do diesel mineral. “Já existe uma cota para adicionar biodiesel na nossa matriz energética. Para além disso, só se as condições econômicas forem interessantes. Como o preço do petróleo caiu mais do que o óleo vegetal, acabou perdendo a competitividade”, explica o especialista.Para ele, não é necessário forçar um volume maior de produção de biocombustíveis com óleo vegetais nesse momento. “Não deve ser mais agressivo do que é. O biodiesel tem que tem passar por um processo de aprendizagem como já aconteceu com o álcool, antes de ir para metas mais agressivas”, defende. Esse processo de aprendizagem inclui a consolidação das empresas que atuam no setor, o respeito às definições técnicas de qualidade e a própria expansão da oferta, que permitiria obter preços que não dependessem de subsídios.
Mesmo com toda a produção vegetal e animal brasileira, país exportador de commodities agrícolas, o preço do biodiesel é ainda mais caro do que o do diesel mineral, como atestam os leilões da ANP. Já o etanol conseguiu se consolidar e ser uma boa opção nas bombas, sendo apenas menos competitivo na entressafra.
Renato Lima - Jornal do Commercio - PE