Um programa de pesquisa e desenvolvimento do pinhão-manso na região
Nordeste está prestes a gerar resultados animadores para o setor de
biodiesel.
Um programa de pesquisa e desenvolvimento do pinhão-manso na região Nordeste está prestes a gerar resultados animadores para o setor de biodiesel. Há três anos o Instituto Fazenda Tamanduá (IFT), de Santa Terezinha (PB), vem desenvolvendo pesquisas com a Jatropha curcas L. em parceria com a companhia francesa Eco Carbone (EC), que têm investido em projetos similares ao redor do mundo. Os estudos estão direcionados para o melhoramento genético, metabolismo, sistemas de manejo e desenvolvimento de produtos.
O IFT está trabalhando para obter plantas híbridas a partir do cruzamento de linhagens puras de pinhão-manso. A expectativa é que até meados de 2010 as primeiras plantas híbridas sejam testadas. Segundo o engenheiro florestal Ricardo Almeida Viégas, professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e que está à frente do programa, esses híbridos serão testados na Fazenda Paraíso, em Dourados (MS), e também no litoral de João Pessoa, em uma área de cinco hectares, em parceria com a Companhia Usina São João, do setor sucroalcooleiro.
Associado ao programa de melhoramento genético, o instituto estabeleceu parceria técnica com a Clonagri – empresa sediada em Artur Nogueira (SP), com atuação no Brasil e no exterior – para o desenvolvimento de meios de cultivo especialmente adaptados às células e tecidos de pinhão-manso, bem como a propagação in vitro de genótipos superiores, originados por seleção ou por melhoramento genético gerenciado. “O objetivo dessa parceria é multiplicar plantas de Jatropha não por semente, mas por cultura de tecidos. Isso facilita a reprodução de um genótipo superior em grande escala”, explica o pesquisador.
As parcerias no IFT não param por aí. Agora em julho o instituto deve associar-se à Fundação Syngenta e à Universidade de Zamorano, em Honduras, para levar as técnicas desenvolvidas na fazenda para a América Central.
Poda foliar
Um dos principais focos dos técnicos do IFT tem sido o estudo de manejo. A observação dos hábitos de crescimento do pinhão-manso selvagem, por exemplo, gerou dados para o desenvolvimento de um novo sistema de poda – a poda foliar – que vem apresentando bons resultados (veja fotos abaixo), como o aumento da frutificação, maturação homogênea dos frutos e melhora da resistência a doenças.
A maturação heterogênea é considerada um dos principais entraves para a colheita mecanizada, inviabilizando a expansão dos cultivos e o uso do óleo em larga escala pela indústria de biodiesel. “Em alguns casos, o tempo de maturação entre um fruto e outro da mesma planta pode chegar até 30 dias de diferença”, diz Viégas. A equipe de pesquisadores acredita ser possível solucionar a questão com técnicas adequadas de manejo, sem a necessidade de melhoramento genético. “A maturação desigual não é um problema da espécie e sim do estresse que a planta sofre”, relata.
A Fazenda Tamanduá possui um banco de germoplasma e seis hectares de plantio para melhoramento genético e manejo. Essa área vem crescendo 1,5 hectare ao ano. Há outros três campos experimentais vinculados, que somam 4,5 hectares, sendo um no litoral de Pernambuco, outro em Santa Luzia, na zona de transição do litoral com o sertão da Paraíba, e um em Maturéia, na zona serrana do Estado.
Pragas e doenças
Outro trabalho desenvolvido no IFT é o uso do óleo da semente de pinhão-manso como bioinseticida. Segundo o pesquisador, o óleo é capaz de controlar insetos e pragas do pinhão-manso e de outras culturas do semi-árido e do Mato Grosso do Sul, com destaque para os ácaros branco, preto e vermelho, cochonilha, cigarrinha, oídeo, fungos (que atingem as folhas) e besouros (que atacam os frutos).
O pinhão-manso sofre também o ataque de um fungo que causa a podridão da raiz. Um método que o instituto está pesquisando para o combate a essa doença é o cruzamento entre o pinhão-manso e o pinhão-bravo, nativo do Nordeste, que não é atingido por esse fungo. “Estamos percebendo que há compatibilidade entre as plantas”, diz o pesquisador.
Além da Universidade Federal de Campina Grande, a rede de pesquisas envolve a Universidade Federal do Ceará e a Universidade Federal Rural de Pernambuco, que têm desenvolvido pesquisas nas áreas de bioquímica e fisiologia da produção de pinhão-manso, gerando subsídios para entender melhor os hábitos de crescimento e desenvolvimento da planta.
Sistemas de manejo

(A) plantas naturais (B) poda convencional (C) poda foliar
Fonte: IFT



Alice Duarte - BiodieselBR.com
Um programa de pesquisa e desenvolvimento do pinhão-manso na região Nordeste está prestes a gerar resultados animadores para o setor de biodiesel. Há três anos o Instituto Fazenda Tamanduá (IFT), de Santa Terezinha (PB), vem desenvolvendo pesquisas com a Jatropha curcas L. em parceria com a companhia francesa Eco Carbone (EC), que têm investido em projetos similares ao redor do mundo. Os estudos estão direcionados para o melhoramento genético, metabolismo, sistemas de manejo e desenvolvimento de produtos.
O IFT está trabalhando para obter plantas híbridas a partir do cruzamento de linhagens puras de pinhão-manso. A expectativa é que até meados de 2010 as primeiras plantas híbridas sejam testadas. Segundo o engenheiro florestal Ricardo Almeida Viégas, professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e que está à frente do programa, esses híbridos serão testados na Fazenda Paraíso, em Dourados (MS), e também no litoral de João Pessoa, em uma área de cinco hectares, em parceria com a Companhia Usina São João, do setor sucroalcooleiro.
Associado ao programa de melhoramento genético, o instituto estabeleceu parceria técnica com a Clonagri – empresa sediada em Artur Nogueira (SP), com atuação no Brasil e no exterior – para o desenvolvimento de meios de cultivo especialmente adaptados às células e tecidos de pinhão-manso, bem como a propagação in vitro de genótipos superiores, originados por seleção ou por melhoramento genético gerenciado. “O objetivo dessa parceria é multiplicar plantas de Jatropha não por semente, mas por cultura de tecidos. Isso facilita a reprodução de um genótipo superior em grande escala”, explica o pesquisador.
As parcerias no IFT não param por aí. Agora em julho o instituto deve associar-se à Fundação Syngenta e à Universidade de Zamorano, em Honduras, para levar as técnicas desenvolvidas na fazenda para a América Central.
Poda foliar
Um dos principais focos dos técnicos do IFT tem sido o estudo de manejo. A observação dos hábitos de crescimento do pinhão-manso selvagem, por exemplo, gerou dados para o desenvolvimento de um novo sistema de poda – a poda foliar – que vem apresentando bons resultados (veja fotos abaixo), como o aumento da frutificação, maturação homogênea dos frutos e melhora da resistência a doenças.
A maturação heterogênea é considerada um dos principais entraves para a colheita mecanizada, inviabilizando a expansão dos cultivos e o uso do óleo em larga escala pela indústria de biodiesel. “Em alguns casos, o tempo de maturação entre um fruto e outro da mesma planta pode chegar até 30 dias de diferença”, diz Viégas. A equipe de pesquisadores acredita ser possível solucionar a questão com técnicas adequadas de manejo, sem a necessidade de melhoramento genético. “A maturação desigual não é um problema da espécie e sim do estresse que a planta sofre”, relata.
A Fazenda Tamanduá possui um banco de germoplasma e seis hectares de plantio para melhoramento genético e manejo. Essa área vem crescendo 1,5 hectare ao ano. Há outros três campos experimentais vinculados, que somam 4,5 hectares, sendo um no litoral de Pernambuco, outro em Santa Luzia, na zona de transição do litoral com o sertão da Paraíba, e um em Maturéia, na zona serrana do Estado.
Pragas e doenças
Outro trabalho desenvolvido no IFT é o uso do óleo da semente de pinhão-manso como bioinseticida. Segundo o pesquisador, o óleo é capaz de controlar insetos e pragas do pinhão-manso e de outras culturas do semi-árido e do Mato Grosso do Sul, com destaque para os ácaros branco, preto e vermelho, cochonilha, cigarrinha, oídeo, fungos (que atingem as folhas) e besouros (que atacam os frutos).
O pinhão-manso sofre também o ataque de um fungo que causa a podridão da raiz. Um método que o instituto está pesquisando para o combate a essa doença é o cruzamento entre o pinhão-manso e o pinhão-bravo, nativo do Nordeste, que não é atingido por esse fungo. “Estamos percebendo que há compatibilidade entre as plantas”, diz o pesquisador.
Além da Universidade Federal de Campina Grande, a rede de pesquisas envolve a Universidade Federal do Ceará e a Universidade Federal Rural de Pernambuco, que têm desenvolvido pesquisas nas áreas de bioquímica e fisiologia da produção de pinhão-manso, gerando subsídios para entender melhor os hábitos de crescimento e desenvolvimento da planta.
Sistemas de manejo

(A) plantas naturais (B) poda convencional (C) poda foliar
Fonte: IFT
Poda Foliar



Alice Duarte - BiodieselBR.com