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As perspectivas e os desafios para 2009

Confira a seguir o que a indústria e o governo esperam para 2009 apesar dos percalços enfrentados ao longo do ano e dos desafios que ainda tem pela frente.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
Confira a seguir o que a indústria e o governo esperam para 2009 apesar dos percalços enfrentados ao longo do ano e dos desafios que ainda tem pela frente.

 A indústria de biodiesel está otimista para 2009, apesar dos percalços enfrentados ao longo de 2008 e dos desafios que ainda tem pela frente. Com 62 usinas autorizadas e 38 em funcionamento, o setor deve fechar o ano com produção de 1,2 bilhão de litros. A grande capacidade ociosa da indústria – que tem calibre para produzir efetivamente 2,5 bilhões de litros – é um fantasma que o setor produtivo e o governo vão precisar exorcizar em 2009, além de problemas como variação cambial e volatilidade das commodities. “Esses são os grandes desafios do setor para o próximo ano. Em um ambiente de elevada oscilação de preços o risco é sempre maior. As atuais margens de lucro não são compatíveis com o nível de exposição do setor e não são suficientes para remunerar o investimento feito pelos produtores. Esta situação é ainda mais grave em um cenário de excesso de capacidade”, analisa o presidente da Biocapital, Roberto Engels.

Diante desse cenário, é natural que o governo comece o ano sentindo uma pressão ainda maior das usinas para aumentar a demanda, através da antecipação da mistura obrigatória do B4 e do B5 (4% e 5% de biodiesel no diesel mineral). Apesar das usinas estarem com o sinto apertado no primeiro trimestre, por conta do baixo preço do biodiesel vendido no 12º Leilão, a perspectiva ainda é favorável. “A indústria respondeu bem ao apelo do governo e houve grandes investimentos em plantas industriais modernas em 2008. O governo também fez a parte dele e está sinalizando positivamente para a antecipação do B4”, diz João Batista, diretor da Binatural, ressaltando que o setor amadureceu bastante nesse primeiro ano de mercado obrigatório. O reflexo desse otimismo é medido pelos investimentos que várias indústrias estão planejando fazer em 2009. A Binatural vai injetar R$ 20 milhões na ampliação de sua usina, que estará operando com nova capacidade já no início do segundo semestre.

“Estamos analisando o pleito das indústrias para aumentar a demanda, mas antes tempos que ver como estão as condições de entrega nos leilões e o custo do biodiesel”, diz Ricardo Dornelles, diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME). Ele pondera que ainda há muita assimetria no mercado. “A adimplência nos últimos leilões tem sido satisfatória, mas ainda é necessário ter mais eficiência em toda a estrutura logística de suprimentos para aumentarmos a demanda”, diz.

Num ambiente de muitas incertezas e erros típicos de um mercado precoce, alguns produtores tiveram problemas com inadimplência e atrasos de entrega do produto em 2008. Por conta dos gargalos operacionais, as distribuidoras acham que o aumento da demanda é precipitado. “Ainda há muito atraso no tempo de carregamento dos caminhões nas usinas. Já foi muito pior, quando demorava uma semana. Hoje a espera é de três ou quatro dias, o que ainda está longe do ideal, que seriam de no máximo cinco horas”, diz Alisio Mendes Vaz, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). Já o diretor executivo da União Brasileira do Biodiesel (UBRABIO), Sergio Beltrão, diz que esses problemas de distribuição são pontuais e que o setor está sim preparado para um aumento de demanda.

A comercialização do biodiesel – sob a tutela da ANP e da Petrobras, que é intermediária entre as usinas e distribuidoras – vai continuar nos moldes atuais e não há indícios de que o cordão umbilical seja cortado no curto prazo. “O governo ainda não sabe o que é melhor: ter ou não ter leilão”, diz Dornelles. A dúvida aqui é pertinente. Além do leilão ser um instrumento às vezes injusto, mas necessário para garantir a compra da produção, ele dá estabilidade e controle ao setor, por meio da intermediação da estatal. Numa comercialização direta, usina e distribuidora, haveria o grande risco de fraudes na mistura, já que o custo de produção do biodiesel é bem superior ao do diesel, situação agravada com as atuais quedas no preço do barril do petróleo. “A saída da Petrobras na intermediação deve ser feita de forma gradual. 2009 já podemos ter 10% de mercado livre e o restante vendido nos leilões”, diz Batista.

A fiscalização da mistura obrigatória, hoje em 3%, não seria simples como é no caso da mistura de álcool na gasolina, que pode perfeitamente ser feita na hora, ali mesmo nos postos de revenda. No caso do diesel, a fiscalização teria que ser feita em laboratórios, o que implica em custos extras para a ANP. Além de difícil detectar a presença do biodiesel no diesel há ainda um tipo de fraude ainda mais grave, que já foi feito no passado pelas distribuidoras: a mistura de óleo degomado no lugar do biodiesel.  “A ANP tem todo o mecanismo para fiscalizar os combustíveis, através do Programa de Monitoramento da Qualidade. Com a eliminação dos leilões, a agência vai precisar aprimorar seu sistema e a Nota Fiscal Eletrônica poderá ser útil nisso”, diz Dornelles.

O diretor não sinalizou grandes mudanças para o setor em 2009, mas disse que qualquer alteração será amplamente discutida com toda cadeia produtiva. Mas Dornelles adiantou que na pauta de discussão do governo está uma melhoria nos incentivos tributários (Pis/Cofins), da cadeia agrícola à produção. “Estamos vendo junto ao Ministério da Fazenda a questão dos créditos presumidos”, antecipa.

Pesquisas
As pesquisas em 2009 devem se concentrar em matérias-primas alternativas, especialmente aquelas espécies cujas praticas de manejo ainda não estão muito bem estabelecidas, como o pinhão-manso. “Acredito que para 2009, as perspectivas serão melhores que 2008, cujo grande desafio será a redução dos custos de produção, em níveis compatíveis com o do diesel”, diz Weber Amaral, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), de São Paulo.

Alice Duarte - BiodieselBR.com
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