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Impostos obrigam indústria de biodiesel na Alemanha a operar com 20% da capacidade

A indústria de biodiesel da Alemanha, líder mundial no segmento, está produzindo cerca de 20% de sua capacidade.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
A indústria de biodiesel da Alemanha, líder mundial no segmento, está produzindo cerca de 20% de sua capacidade.

 A indústria de biodiesel da Alemanha, líder mundial no segmento, está produzindo cerca de 20% de sua capacidade. Um dos principais fatores que frearam o setor foi a elevação dos encargos sobre o combustível verde. De acordo com o Comitê Europeu de Biodiesel (EBB, na sigla em inglês), o país tem hoje uma capacidade instalada anual de 5,2 bilhões de litros. A previsão dos usineiros é de que a produção fique reduzida a cerca de um bilhão de litros este ano, contra 2,81 bilhões no ano passado. "A indústria ainda está em um estado desastroso, em grande parte por causa do aumento dos impostos", disse Peter Schrum, presidente da Associação da Indústria de Biocombustíveis (BBK, na sigla em alemão), à Reuters.

O aumento dos tributos sobre o biodiesel faz parte do programa de governo que eleva os impostos dos combustíveis renováveis ao mesmo nível dos combustíveis fósseis. O governo justifica que não pode abrir mão da receita anteriormente obtida com a venda dos combustíveis derivados do petróleo. "A menos que haja uma mudança nessa política, a produção de biodiesel na Alemanha vai parar e as indústrias simplesmente fecharão", disse.

Mesmo com a elevação dos preços do petróleo este ano não houve aumento substancial na demanda de biodiesel, pois os impostos tiraram a competitividade do biocombustível. Produtores dizem que o biodiesel precisa ser pelo menos cinco centavos de euro mais barato que o diesel mineral.

Para reduzir o impacto das taxas, a Alemanha introduziu a mistura compulsória de biodiesel no diesel nas refinarias.  Porém em junho, o parlamento alemão aprovou a proposta do governo para cortar o percentual da mistura para 5,25% este ano, ao invés de 6,25% inicialmente pretendido.  A Alemanha, junto com vários outros países da União Européia, reduziu em parte seu apoio aos biocombustíveis por temor de que a produção pressione os preços dos alimentos. 

A demanda por importação de biodiesel continua alta no país. No início do ano, a UE impôs taxas punitivas sobre a importação do biocombustível dos Estados Unidos para frear a prática de dumping, mas a decisão teria apenas substituído o biodiesel americano pelo argentino. “Há muitos outros produtores no mundo, além dos EUA, que produzem biodiesel mais barato", disse Schrum. 

Agora a indústria alemã deposita suas esperanças nas eleições parlamentaristas, que acontecem no dia 27 de setembro. O setor espera que haja uma mudança de governo e conseqüentemente revisão das políticas de incentivo aos combustíveis renováveis.

Alice Duarte, com informações da Reuters.
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