À medida que avança no mundo a produção de bioetanol e biodiesel para
misturar com derivados de petróleo, reduz-se a superfície cultivada de
milho, cana de açúcar, soja e girassol destinada ao consumo humano.
Economistas falam de "etanoinflação" e advertem quanto ao forte impacto
no mercado alimentício.
Em 1798, o economista inglês Thomas Malthus advertiu quanto ao risco de uma grande fome no mundo porque a população crescia mais rápido que a produção de alimentos. Felizmente, esta predição nunca se cumpriu, graças à inovação tecnológica que permitiu aumentar as superfícies cultivadas e multiplicar os rendimentos dos cultivos.
À medida que avança no mundo a produção de bioetanol e biodiesel para misturar com derivados de petróleo, reduz-se a superfície cultivada de milho, cana de açúcar, soja e girassol destinada ao consumo humano. Economistas falam de "etanoinflação" e advertem quanto ao forte impacto no mercado alimentício.
Em 1798, o economista inglês Thomas Malthus advertiu quanto ao risco de uma grande fome no mundo porque a população crescia mais rápido que a produção de alimentos. Felizmente, esta predição nunca se cumpriu, graças à inovação tecnológica que permitiu aumentar as superfícies cultivadas e multiplicar os rendimentos dos cultivos.
Entretanto, algo da teoria maltusiana volta a ter atualidade hoje, quando uma parte cada vez maior dos cultivos de milho, cana de açúcar, soja e girassol (mas também de palma, colza e demais oleaginosas) destina-se à produção de biocombustíveis, ao invés de empregá-los para produzir alimentos. Para vários especialistas, este efeito de deslocamento (ou crowding out, em inglês) terá um impacto significativo nos preços dos produtos alimentícios, já que as superfícies cultiváveis não podem aumentar na mesma proporção que cresce a demanda.
Impacto
“Os consumidores sentirão o golpe, porque os fabricantes de alimentos, entre eles Grupo Danone, com sede em Paris, e J.M.Smucker CO., de Orrville, Ohio, cobrarão mais por artigos que vão da manteiga até a pizza congelada, para compensar os preços mais caros dos óleos vegetais derivados do milho e da soja”, afirmou à agência Bloomberg John McMillin, analista do Prudential Equity Group.
Logo depois que o presidente George Bush fez seu discurso anual sobre o Estado da União no Congresso na semana passada, cresceu significativamente a especulação ao redor dos contratos futuros do milho e da soja.
“Financiaremos pesquisa adicional em métodos de vanguarda para produzir etanol, não só do milho, mas também de pedaços de madeira e gravetos ou pasto. Nosso objetivo é fazer este novo tipo de etanol prático e competitivo dentro de seis anos. As inovações nesta e em outras novas tecnologias nos ajudarão a alcançar outro grande objetivo: substituir mais de 75% de nossas importações de petróleo do Oriente Médio até 2025”, disse o presidente Bush em seu discurso, o que deu margem a que a demanda de bioetanol crescerá fortemente.
Máximos
O preço do milho alcançou o valor máximo dos últimos 10 anos, logo depois desse discurso, e depois que o Departamento de Agricultura dos EUA anunciou uma menor colheita para a campanha 2006-2007, com uma demanda por parte da China que não pára de crescer. O futuro de milho em janeiro de 2007 subiu 50% no segundo semestre do ano passado. E a consultora especializada Cyclope prognosticou um aumento médio de 57% no preço do milho este ano.
Isto teve um impacto imediato no México, onde o milho que se usa para fazer tortilhas (o alimento básico da maior parte da população) sofreu um aumento de 30%. O presidente mexicano Felipe Calderón teve que intervir recentemente para fixar um controle de preços e evitar que a taxa de inflação disparasse.
Etanoinflação
Alguns analistas batizaram o fenômeno de “etanoinflação”, segundo informa o jornal espanhol “El País”, pelo efeito que este aumento representa nos preços finais ao consumidor de carne suína e de frango, devido à sua alimentação com milho e farinha de soja.
O mercado americano é formador de preços do milho, já que representa 40% da produção e 70% das exportações mundiais. E segundo o Departamento de Agricultura, o etanol consome 20% da produção dos agricultores do EUA, enquanto no ano 2000 era de só 6%.
De acordo com dados do banco Crédit Suisse, em 2006 estimava-se uma produção de etanol de 15.000 milhões de litros, enquanto que para 2012 projeta-se que atinja 37.800 milhões.
Soja
Mas isto também impacta no valor da soja, já que os agricultores americanos vão reduzir a superfície cultivada para empregá-la para o milho. De fato, estima-se que este ano será semeada com soja a menor superfície dos últimos 10 anos.
“Os preços da soja poderiam quase duplicar-se a US$ 13 o bushel para fins de 2007 dos atuais US$ 6,97”, indicou Terry Roggensack, do Hartfield Trading Partners, citado por Bloomberg. “A demanda cresce rápido demais para que a produção abasteça”.
Limites
Entretanto, no mundo se expõe um importante debate a respeito de qual proporção da superfície cultivada se destina a energia e que parte a alimentos, já que um boom dos biocombustíveis poderia provocar escassez de alimentos no mundo. Por exemplo, se os EUA pretendessem abastecer todo seu parque automotor com bioetanol, a superfície cultivada de milho conseguiria atender somente a 12% da demanda total, se é que se decidisse importar o destinado a alimento.
Alguns países já decidiram limitar a superfície cultivada destinada a biocombustíveis, como forma de evitar uma espiral inflacionária nos preços dos alimentos. Em diálogo com infobaeprofesional.com, Claudio Molina, diretor da Asociación Argentina de Biocombustibles, explicou que “a Malásia e Indonésia estabeleceram um teto de 6 milhões de toneladas cada país para o destino biodiesel do óleo de palma. Uma coisa importante: assim como o Estado é central para o desenvolvimento dos biocombustíveis, se são produzidos exageros que atentem contra a estabilidade do mercado alimentar, vai ter que intervir, isto é lógico”.
Martín Burbridge
Infobaeprofesional.com
Tradução: BiodieselBR.com
Em 1798, o economista inglês Thomas Malthus advertiu quanto ao risco de uma grande fome no mundo porque a população crescia mais rápido que a produção de alimentos. Felizmente, esta predição nunca se cumpriu, graças à inovação tecnológica que permitiu aumentar as superfícies cultivadas e multiplicar os rendimentos dos cultivos.
À medida que avança no mundo a produção de bioetanol e biodiesel para misturar com derivados de petróleo, reduz-se a superfície cultivada de milho, cana de açúcar, soja e girassol destinada ao consumo humano. Economistas falam de "etanoinflação" e advertem quanto ao forte impacto no mercado alimentício.
Em 1798, o economista inglês Thomas Malthus advertiu quanto ao risco de uma grande fome no mundo porque a população crescia mais rápido que a produção de alimentos. Felizmente, esta predição nunca se cumpriu, graças à inovação tecnológica que permitiu aumentar as superfícies cultivadas e multiplicar os rendimentos dos cultivos.
Entretanto, algo da teoria maltusiana volta a ter atualidade hoje, quando uma parte cada vez maior dos cultivos de milho, cana de açúcar, soja e girassol (mas também de palma, colza e demais oleaginosas) destina-se à produção de biocombustíveis, ao invés de empregá-los para produzir alimentos. Para vários especialistas, este efeito de deslocamento (ou crowding out, em inglês) terá um impacto significativo nos preços dos produtos alimentícios, já que as superfícies cultiváveis não podem aumentar na mesma proporção que cresce a demanda.
Impacto
“Os consumidores sentirão o golpe, porque os fabricantes de alimentos, entre eles Grupo Danone, com sede em Paris, e J.M.Smucker CO., de Orrville, Ohio, cobrarão mais por artigos que vão da manteiga até a pizza congelada, para compensar os preços mais caros dos óleos vegetais derivados do milho e da soja”, afirmou à agência Bloomberg John McMillin, analista do Prudential Equity Group.
Logo depois que o presidente George Bush fez seu discurso anual sobre o Estado da União no Congresso na semana passada, cresceu significativamente a especulação ao redor dos contratos futuros do milho e da soja.
“Financiaremos pesquisa adicional em métodos de vanguarda para produzir etanol, não só do milho, mas também de pedaços de madeira e gravetos ou pasto. Nosso objetivo é fazer este novo tipo de etanol prático e competitivo dentro de seis anos. As inovações nesta e em outras novas tecnologias nos ajudarão a alcançar outro grande objetivo: substituir mais de 75% de nossas importações de petróleo do Oriente Médio até 2025”, disse o presidente Bush em seu discurso, o que deu margem a que a demanda de bioetanol crescerá fortemente.
Máximos
O preço do milho alcançou o valor máximo dos últimos 10 anos, logo depois desse discurso, e depois que o Departamento de Agricultura dos EUA anunciou uma menor colheita para a campanha 2006-2007, com uma demanda por parte da China que não pára de crescer. O futuro de milho em janeiro de 2007 subiu 50% no segundo semestre do ano passado. E a consultora especializada Cyclope prognosticou um aumento médio de 57% no preço do milho este ano.
Isto teve um impacto imediato no México, onde o milho que se usa para fazer tortilhas (o alimento básico da maior parte da população) sofreu um aumento de 30%. O presidente mexicano Felipe Calderón teve que intervir recentemente para fixar um controle de preços e evitar que a taxa de inflação disparasse.
Etanoinflação
Alguns analistas batizaram o fenômeno de “etanoinflação”, segundo informa o jornal espanhol “El País”, pelo efeito que este aumento representa nos preços finais ao consumidor de carne suína e de frango, devido à sua alimentação com milho e farinha de soja.
O mercado americano é formador de preços do milho, já que representa 40% da produção e 70% das exportações mundiais. E segundo o Departamento de Agricultura, o etanol consome 20% da produção dos agricultores do EUA, enquanto no ano 2000 era de só 6%.
De acordo com dados do banco Crédit Suisse, em 2006 estimava-se uma produção de etanol de 15.000 milhões de litros, enquanto que para 2012 projeta-se que atinja 37.800 milhões.
Soja
Mas isto também impacta no valor da soja, já que os agricultores americanos vão reduzir a superfície cultivada para empregá-la para o milho. De fato, estima-se que este ano será semeada com soja a menor superfície dos últimos 10 anos.
“Os preços da soja poderiam quase duplicar-se a US$ 13 o bushel para fins de 2007 dos atuais US$ 6,97”, indicou Terry Roggensack, do Hartfield Trading Partners, citado por Bloomberg. “A demanda cresce rápido demais para que a produção abasteça”.
Limites
Entretanto, no mundo se expõe um importante debate a respeito de qual proporção da superfície cultivada se destina a energia e que parte a alimentos, já que um boom dos biocombustíveis poderia provocar escassez de alimentos no mundo. Por exemplo, se os EUA pretendessem abastecer todo seu parque automotor com bioetanol, a superfície cultivada de milho conseguiria atender somente a 12% da demanda total, se é que se decidisse importar o destinado a alimento.
Alguns países já decidiram limitar a superfície cultivada destinada a biocombustíveis, como forma de evitar uma espiral inflacionária nos preços dos alimentos. Em diálogo com infobaeprofesional.com, Claudio Molina, diretor da Asociación Argentina de Biocombustibles, explicou que “a Malásia e Indonésia estabeleceram um teto de 6 milhões de toneladas cada país para o destino biodiesel do óleo de palma. Uma coisa importante: assim como o Estado é central para o desenvolvimento dos biocombustíveis, se são produzidos exageros que atentem contra a estabilidade do mercado alimentar, vai ter que intervir, isto é lógico”.
Martín Burbridge
Infobaeprofesional.com
Tradução: BiodieselBR.com
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