A Argentina, que em 2008 deve ser a quarta maior produtora de biodiesel
do mundo, está operando hoje com a metade de sua capacidade produtiva.
A demanda nesse primeiro trimestre caiu drasticamente
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A Argentina, que em 2008 deve ser a quarta maior produtora de biodiesel
do mundo, está operando hoje com a metade de sua capacidade produtiva.
A demanda nesse primeiro trimestre caiu drasticamente
A Argentina, que em 2008 deve ser a quarta maior produtora de biodiesel do mundo, está operando hoje com a metade de sua capacidade produtiva. A demanda nesse primeiro trimestre caiu drasticamente em função da redução da atividade econômica mundial, queda no preço do petróleo e das medidas protecionistas internacionais. A indústria do país, que continua entre os maiores exportadores de biodiesel, registrou uma produção total de 1,198 bilhão de litros em 2008, resultando em vendas de US$ 1,3 bilhão. A projeção inicial de 1,34 bilhão de litros no ano passado não se concretizou diante da forte queda na produção registrada a partir de outubro. Os volumes de produção mensais tiveram grande oscilação, típica de uma indústria jovem (ver gráfico abaixo).
A Argentina não tem demanda interna obrigatória, o que a deixa mais exposta às turbulências internacionais. Para agravar a situação, os impostos cobrados para exportações foram aumentados de 5 para 20%, sem aviso. Isso gerou mais de US$ 200 milhões ao fisco argentino.
Em 2008 quase 80% do biodiesel produzido foi destinado à Europa. Grande parte intermediada por traders americanos, que adicionavam uma pequena parte de produto nacional e reexportavam o biocombustível com incentivos fiscais. Para combater o dumping, a Comissão Européia impôs tarifas ao biodiesel americano, trazendo ainda mais preocupação para as indústrias da Argentina. “A indústria européia argumenta que nossos produtores exportam ao mercado europeu abaixo do preço de custo de produção, um ponto que carece de fundamento por tratar-se de una indústria que não goza de incentivos fiscais diretos e sofre um elevado nível de impostos a exportação”, diz o relatório publicado pela Câmara Argentina de Energias Renováveis, sobre o desempenho da indústria neste primeiro trimestre de 2009.
Diante disso, o setor precisou rapidamente se focar no mercado interno e diversificar seus mercados consumidores. Em fevereiro deste ano, as exportações para Europa baixaram para 54%. O objetivo principal agora, de acordo com o relatório, é encontrar compradores asiáticos para o biocombustível.
Soluções
Para impulsionar a indústria, a câmara propõe algumas medidas emergenciais. Entre elas adiantar em seis meses o começo da mistura obrigatória no diesel (antecipando para julho), permitir que empresas autorizadas a exportar biodiesel possam vender no mercado interno, durante um período de 18 meses (por causa da crise), e criar um fundo para subsidiar e estabilizar os preços do biocombustível. Os recursos para o fundo virá da economia na balança comercial do diesel – nos últimos anos a Argentina gastou um bilhão de dólares com a importação do combustível.
Hoje os preços de mercado não cobrem os custos de produção. A indústria viu o biodiesel exportado cair de US$ 1.417 a tonelada em agosto para US$ 991 em dezembro de 2008. Segundo o relatório, se nada for feito e se o mercado internacional continuar lento pode haver desemprego e perdas de investimentos.
Barreiras
O país tenta negociar com a União Européia a imposição dos percentuais mínimos de redução de gases do efeito estufa na produção de biocombustíveis, que foi definido em 35%. Segundo estudos realizados pela própria UE, o biodiesel de soja reduziria 31% das emissões (comparadas com o diesel de petróleo), ficando, portanto, abaixo do piso e impedindo sua aceitação no mercado europeu. Isso afetaria igualmente o Brasil, já que quase 80% do biodiesel é feito de soja. “A Alemanha, que possui a maior capacidade instalada do mundo para a produção de biodiesel, com 5,9 bilhões de litros/ano, estimulou a UE a tomar uma série de medidas para restringir o ingresso de biodiesel produzido a partir do óleo de soja”, aponta o relatório. Segundo pesquisa conduzida pela própria Câmara Argentina de Energias Renováveis, e fundamentada por outro estudo americano, este número seria entre 73,6% e 74,9%.
Fonte: AFIP e Câmara Argentina de Energias Renováveis
Números
A Argentina tem hoje uma capacidade instalada de 1,6 bilhão de litros/ano em 18 plantas industriais. Isso é o dobro do necessário para atender o B5, que oficialmente começa em janeiro de 2010.