BiodieselBR
Publicidade

Argentina pode antecipar a mistura obrigatória de biodiesel

O objetivo é reativar muitas usinas de biodiesel paralisadas por causa da recessão.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
O objetivo é reativar muitas usinas de biodiesel paralisadas por causa da recessão.

O governo analisa a possibilidade de antecipar para este ano o uso obrigatório de biodiesel ao diesel mineral, previsto originalmente pela lei 26.093 para janeiro de 2010.

Segundo o jornal La Nacion, o Ministério do Planejamento argentino iniciou as negociações com o setor de biodiesel e com as empresas petroleiras para que a medida seja implementada ao menos parcialmente.

A lei prevê uma mistura inicial de 5% (B5) para janeiro de 2010. O governo e as usinas estudam começar com uma mistura menor.

Devido a qualidade do produto que será utilizado, as negociações envolvem também o setor automotivo.

O principal motivo que levou o governo a avaliar a antecipação da mistura é a paralisação de muitas fábricas, a maioria posicionada como exportadoras atingidas pela crise internacional. Uma fonte do setor explicou com estas palavras: “A recessão mundial reduziu a demanda por diesel mineral e junto com a diminuição do preço do petróleo anulou a competitividade do biodiesel”.

A queda do subsídio americano de U$ 300 por tonelada para o biodiesel de soja exportado para a Europa também influenciaram nos preços.

Empresas petrolíferas dos Estados Unidos, amparadas por uma compensação oficial, importavam biodiesel da Malasia, Brasil e Argentina, misturavam no diesel e vendiam para a Europa, recebendo o subsídio como se fosse biodiesel produzido nos Estados Unidos.

Para barrar essas importações, os europeus aplicaram tarifas antidumping com o objetivo de proteger seus produtores.

Na Argentina, as indústrias pagam direitos de exportação de 20%, após terem sido taxados em 5% durante o ano de 2008.

Com investimentos milionários em execução, algumas plantas começaram a parar seus projetos devido a capacidade ociosa já instalada.

“A indústria está parada e agora a busca é por um acordo para que a mistura obrigatória seja antecipada, mesmo que parcialmente”, explicou um operador do setor. “A crise faz com que algum exportador veja o mercado interno como oportunidade”, acrescentou.

O volume que poderia ser colocado no mercado interno ficaria entre 700 e 800 mil toneladas anuais. Existem sérias dúvidas no mercado de que a produção deste ano poderia superar as 760 mil toneladas produzidas no ano passado.

Inatividade e crise
O governo solicitou ao Ministério do Planejamento Federal que analise a questão, já que o setor sustenta hoje cerca de 5.000 empregos diretos e indiretos. “Uma indústria parada começa a despedir empregados. Hoje parte da indústria paralisa projetos”, apontou um empresário.

Diferente do que se está negociando com o biodiesel, a mistura de etanol com gasolina, não seria antecipada. A poderosa indústria açucareira argentina da região de Tumumã se comprometeu a oferecer importante volume de etanol a partir de 2010, quando entra em vigor a lei.

Segundo apurado, nas negociações o governo disse que operacionalmente a mistura poderia ser implementada mais rápido na região Norte, Mesopotamia e Cuyo, antes da pampa úmida, onde se concentra 75% do consumo de diesel. Com combustíveis mais caros no interior, o governo buscaria primeiro avaliar o impacto do preço nessas regiões.

Para que se agilize a mistura as petroleiras deveriam realizar investimentos e o governo estabelecer normas complementares sobre preços, qualidade, quotas, como feito com o etanol, e oferecer segurança jurídica para a oferta interna, sobretudo considerando que grande parte das fábricas se instalou pensando na exportação.

Fonte: La Nacion
Tradução e adaptação BiodieselBR.com
Compartilhar:

Artigos relacionados