As recentes reclamações sobre problemas de qualidade do diesel B5
desencadeou uma nova rodada de discussões entre produtores de biodiesel,
distribuidoras, revendedores de combustível, governo e ANP.
A recente reclamação da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis) sobre problemas de qualidade do diesel B5 desencadeou uma nova rodada de discussões entre produtores de biodiesel, distribuidoras, revendedores de combustível, governo e ANP. Os donos de postos têm relatado que a adição de 5% biodiesel ao óleo diesel aumentou problemas relativos à qualidade do produto, como surgimento de borras e proliferação de bactérias. A entidade diz que alguns consumidores foram à Justiça contra os postos por que tiveram danos em seus veículos.
A situação tem preocupado os representantes de todo o setor, e já provocou uma reação da agência reguladora, que acatou o pedido de revisão da norma ABNT NBR 15512, de 2008, feita pelos revendedores de combustível. A norma, que trata do armazenamento, transporte, abastecimento e controle da qualidade de biodiesel e/ou mistura de óleo diesel/biodiesel, estará aberta para consulta pública a partir de 22 de julho.
O biodiesel, por natureza, tem maior capacidade de absorção de água que o diesel. Mesmo quando sai das usinas dentro da especificação da ANP, o biocombustível, em más condições de armazenamento e transporte, pode elevar seu índice de umidade, favorecendo a proliferação de bactérias, como explica Eduardo Cavalcanti, pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), da divisão de Degradação e Corrosão. “A água é o principal nutriente da atividade microbiana e, portanto, a maior inimiga do biodiesel”, diz.
Outra questão que pode estar relacionada com o aumento da quantidade de borra nos postos é a característica detergente do biodiesel, que acaba dissolvendo as borras do próprio diesel acumuladas nos tanques. “O biodiesel não é o vilão. Ele acaba funcionando como uma lente de aumento para os problemas que sempre existiram”, diz Cavalcanti. Para ele, muitos postos não fazem o correto manuseio do produto de acordo com a norma.
“O biodiesel é um ‘bicho’ diferente. Muitas vezes falta informação para que a revenda possa prevenir tais problemas”, diz Fábio Marcondes, diretor de abastecimento e regulação do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que representa as maiores bandeiras. Segundo ele, os problemas só apareceram até agora na ponta, no segmento de revenda.
Com percentuais maiores de mistura de biodiesel, a norma recomenda que os postos façam drenagem e limpeza dos tanques com uma freqüência maior. “Eles não querem parar tudo para limpar o tanque. Isso tem impacto nas margens de lucro dos postos”, diz Cavalcanti.
O diretor de Postos de Rodovia da Fecombustíveis, Ricardo Hashimoto, diz que logo antes da vigência do B2 foi recomendado que os postos limpassem seus tanques, “mas depois disso não houve esclarecimentos sobre a freqüência correta de limpeza. A norma não diz isso”, informa.
Além da lavagem dos tanques – que podem custar até R$ 2.500 –, os revendedores viram suas despesas aumentarem com a constante troca de filtros e bombas. Eles também temem a cobrança de indenizações por danos nos veículos e a cassação da licença de funcionamento decorrente da venda de um combustível fora das especificações. “Um segmento da cadeia não pode ser penalizado sozinho. Reivindicamos não só a revisão da norma, como também da especificação do biodiesel, principalmente em relação à estabilidade”, diz.
A ANP está preparando um encontro com representantes do setor para tratar do assunto. Os detalhes do evento, no entanto, ainda não foram acertados, de acordo com a assessoria de imprensa do órgão.
Alice Duarte – BiodieselBR.com
A recente reclamação da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis) sobre problemas de qualidade do diesel B5 desencadeou uma nova rodada de discussões entre produtores de biodiesel, distribuidoras, revendedores de combustível, governo e ANP. Os donos de postos têm relatado que a adição de 5% biodiesel ao óleo diesel aumentou problemas relativos à qualidade do produto, como surgimento de borras e proliferação de bactérias. A entidade diz que alguns consumidores foram à Justiça contra os postos por que tiveram danos em seus veículos.
A situação tem preocupado os representantes de todo o setor, e já provocou uma reação da agência reguladora, que acatou o pedido de revisão da norma ABNT NBR 15512, de 2008, feita pelos revendedores de combustível. A norma, que trata do armazenamento, transporte, abastecimento e controle da qualidade de biodiesel e/ou mistura de óleo diesel/biodiesel, estará aberta para consulta pública a partir de 22 de julho.
O biodiesel, por natureza, tem maior capacidade de absorção de água que o diesel. Mesmo quando sai das usinas dentro da especificação da ANP, o biocombustível, em más condições de armazenamento e transporte, pode elevar seu índice de umidade, favorecendo a proliferação de bactérias, como explica Eduardo Cavalcanti, pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), da divisão de Degradação e Corrosão. “A água é o principal nutriente da atividade microbiana e, portanto, a maior inimiga do biodiesel”, diz.
Outra questão que pode estar relacionada com o aumento da quantidade de borra nos postos é a característica detergente do biodiesel, que acaba dissolvendo as borras do próprio diesel acumuladas nos tanques. “O biodiesel não é o vilão. Ele acaba funcionando como uma lente de aumento para os problemas que sempre existiram”, diz Cavalcanti. Para ele, muitos postos não fazem o correto manuseio do produto de acordo com a norma.
“O biodiesel é um ‘bicho’ diferente. Muitas vezes falta informação para que a revenda possa prevenir tais problemas”, diz Fábio Marcondes, diretor de abastecimento e regulação do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que representa as maiores bandeiras. Segundo ele, os problemas só apareceram até agora na ponta, no segmento de revenda.
Com percentuais maiores de mistura de biodiesel, a norma recomenda que os postos façam drenagem e limpeza dos tanques com uma freqüência maior. “Eles não querem parar tudo para limpar o tanque. Isso tem impacto nas margens de lucro dos postos”, diz Cavalcanti.
O diretor de Postos de Rodovia da Fecombustíveis, Ricardo Hashimoto, diz que logo antes da vigência do B2 foi recomendado que os postos limpassem seus tanques, “mas depois disso não houve esclarecimentos sobre a freqüência correta de limpeza. A norma não diz isso”, informa.
Além da lavagem dos tanques – que podem custar até R$ 2.500 –, os revendedores viram suas despesas aumentarem com a constante troca de filtros e bombas. Eles também temem a cobrança de indenizações por danos nos veículos e a cassação da licença de funcionamento decorrente da venda de um combustível fora das especificações. “Um segmento da cadeia não pode ser penalizado sozinho. Reivindicamos não só a revisão da norma, como também da especificação do biodiesel, principalmente em relação à estabilidade”, diz.
A ANP está preparando um encontro com representantes do setor para tratar do assunto. Os detalhes do evento, no entanto, ainda não foram acertados, de acordo com a assessoria de imprensa do órgão.
Alice Duarte – BiodieselBR.com