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Agrifam estimula produção de biodiesel


Jornal da cidade de Bauru - 07 ago 2006 - 08:30 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Durante a feira, a Fertibom assinou o contrato com a Fetaesp para comprar matéria-prima para produzir o combustível

No esteio do fortalecimento da agroindústria nacional, os pequenos e médios produtores estão ganhando destaque no mercado do biodiesel. Prova disto é o interesse de grandes empresas em comprar dos agricultores familiares a matéria-prima para processar o combustível. Ontem, na 4.ª Feira da Agricultura Familiar e do Trabalho Rural (Agrifam), realizada em Agudos, a indústria de fertilizantes Fertibom, de Catanduva, assinou contrato com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) para inserir o agricultor familiar de Catanduva no Programa Nacional de Biodiesel.

O convênio poderá ser ampliado para outras regiões, como a de Bauru. O acordo prevê a compra de matéria-prima, como pinhão-manso, girasol, mamona, soja e amendoim, plantas usadas para fazer o biodiesel, explica Lídio Pereira da Silva Júnior, engenheiro agrônomo da Fertibom. Segundo o contrato, a indústria fornecerá as mudas, insumos e acompanhamento técnico ao agricultor que, por sua vez, se comprometerá a entregar 100% da produção. O preço é estipulado pelo mercado, mas os agricultores têm a garantia de venda do produto, destaca o presidente da Fetaesp, Braz Agostinho Albertini.

“É uma alternativa para os pequenos produtores. O pinhão-manso, por exemplo, não é colhido com máquinas e ele também não exige uma fertilidade tão alta do solo, favorecendo os pequenos produtores”, diz Albertini. A comercialização das matérias-primas para a produção de biodiesel ainda não começou de fato em Catanduva, uma vez que a Fertibom está cadastrando os produtores agrícolas interessados no convênio. Depois desta fase, os trabalhos terão início imediato, segundo informações da assessoria de imprensa da Agrifam.

Assim como a Fertibom, a expectativa da Fetaesp é que agricultores familiares de outras empresas do Estado de São Paulo comecem a negociar com pequenos produtores a compra de matéria-prima do biodiesel. De acordo com a assessoria de imprensa, o frigorífico Bertim, de Lins, a empresa de óleos vegetais de Campinas Granol, por exemplo, já demonstraram interesse na área.

O consumo do biodiesel só tende a aumentar. Segundo previsão da Fetaesp, o Programa Nacional de Biodiesel projeta para 2008 uma produção nacional de 1 bilhão de litros em todo o País, sendo que 40% deste total será produzido pelos agricultores familiares. Atualmente, de acordo com dados da federação, existem 4 milhões de pequenas propriedades rurais em todo o Brasil, sendo 210 mil famílias somente no Estado de São Paulo.

Além do estímulo à agricultura familiar, a evolução do mercado do biodiesel incentiva a geração de novos empregos no campo. De acordo com estimativas da Fetaesp, para cada 1% de participação de agricultores familiares na produção de combustível em todo o território nacional, há potencial para gerar 45 mil empregos.

“O biodiesel tem um mercado muito grande porque fala-se hoje em 1% ou 2% deste óleo vegetal utilizado no óleo diesel e, com aumento progressivo da porcentagem do produto no diesel”, observa Albertini. Para a Fetaesp, o crescimento do consumo do biodiesel pode incentivar a geração de aproximadamente 1 milhão de empregos.

Cristiane Goto